Canetas contra obesidade aumentam procura por exames e reduzem o estigma da doença
Crescimento da busca por avaliações clínicas e laboratoriais mostra que a obesidade começa a ser encarada como uma doença crônica
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O sucesso dos medicamentos para o tratamento da obesidade, como a semaglutida e a tirzepatida, provocou uma mudança que vai além da perda de peso.
Cada vez mais pacientes chegam aos consultórios em busca de uma avaliação médica completa antes de iniciar o tratamento. Embora ainda não existam dados nacionais que quantifiquem esse aumento, especialistas observam, na prática clínica, uma procura crescente por exames laboratoriais e acompanhamento médico.
Veja Também

Obesidade sem Tabu
Seis em cada dez pessoas com hipertensão estão acima do peso; entenda por quê

Obesidade sem Tabu
Quanto custa a obesidade ao Brasil? Estudo revela impacto de R$ 44,6 bilhões em um único ano

Obesidade sem Tabu
Depois que meu filho nasceu, emagrecer ficou mais difícil; a ciência explica o motivo
Para a endocrinologista Lívia Lugarinho, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), esse movimento representa uma mudança importante na forma como a obesidade vem sendo encarada pela sociedade.
“Existe uma conscientização sobre a obesidade como doença e, principalmente, uma diminuição do estigma que ainda envolve tanto a obesidade quanto o seu tratamento”, afirma.
Segundo ela, durante muitos anos, medicamentos para obesidade e cirurgia bariátrica foram vistos como um “atalho” para emagrecer — um preconceito que não existe em tratamentos para doenças como diabetes ou hipertensão.
“As chamadas canetas contribuíram para aumentar essa conscientização. A maior procura por exames reflete justamente a redução do estigma e o entendimento de que a obesidade é, de fato, uma doença.”
O exame mais importante continua sendo a consulta médica
Apesar do aumento da procura por exames, os especialistas fazem um alerta: nenhum teste laboratorial substitui uma avaliação clínica completa.
Segundo Lívia Lugarinho, a indicação do tratamento é baseada principalmente no exame físico, no cálculo do índice de massa corporal (IMC) e na medida da circunferência abdominal.
As diretrizes recomendam o uso dessas medicações para pessoas com obesidade (IMC igual ou superior a 30 kg/m²) ou para pacientes com sobrepeso (IMC a partir de 27 kg/m²) que apresentem doenças associadas ao excesso de peso, como diabetes, hipertensão arterial ou dislipidemia.
Os exames laboratoriais ajudam a identificar essas condições e também servem como referência para acompanhar a evolução clínica durante o tratamento.
Quais exames costumam ser solicitados?
Antes de iniciar o tratamento, alguns exames ajudam a avaliar a saúde metabólica do paciente e a estabelecer parâmetros para acompanhar os benefícios da medicação ao longo do tempo.
Segundo Pedro Saddi, endocrinologista, patologista clínico e vice-coordenador do Comitê de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), um dos exames mais importantes é a hemoglobina glicada (HbA1c), que permite avaliar o controle da glicemia nos últimos meses.
Também costumam ser solicitados glicemia de jejum, perfil lipídico completo (colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos) e exames para avaliar a função renal, como creatinina e taxa de filtração glomerular estimada (eGFR). Para mulheres em idade fértil, o teste de gravidez também deve ser considerado, já que essas medicações são contraindicadas durante a gestação.
Por outro lado, Saddi explica que exames como amilase e lipase não precisam ser solicitados rotineiramente antes ou durante o tratamento, já que alterações isoladas nesses marcadores não significam pancreatite nem indicam maior risco para essa complicação.
O acompanhamento vai muito além da balança
Os exames também permitem acompanhar os benefícios metabólicos proporcionados pelo tratamento.
Segundo Lívia Lugarinho, além da perda de peso, é possível observar melhora em indicadores como hemoglobina glicada, glicemia, colesterol e marcadores inflamatórios.
Já durante o acompanhamento, a hemoglobina glicada costuma ser repetida periodicamente para avaliar a resposta ao tratamento. Em alguns pacientes, especialmente aqueles com comprometimento renal, a função dos rins também pode precisar de um monitoramento mais próximo.
Uma oportunidade para diagnosticar outras doenças
Para Pedro Saddi, o aumento da procura por consultas e exames representa uma oportunidade importante para ampliar o diagnóstico de doenças frequentemente associadas à obesidade.
“O manejo do excesso de peso deve ser encarado de forma abrangente”, afirma.
Segundo ele, essa avaliação permite identificar precocemente condições como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia e doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, conhecida como esteatose hepática.
Além disso, os próprios medicamentos têm demonstrado benefícios que vão além da perda de peso, incluindo melhora do perfil lipídico, do controle glicêmico e da gordura no fígado.
Automedicação continua sendo um risco
Apesar da maior conscientização sobre a obesidade, os especialistas alertam que ainda há pessoas que iniciam o tratamento por influência de amigos, familiares ou das redes sociais.
“Nunca se deve iniciar esse tipo de tratamento sem acompanhamento médico”, reforça Lívia Lugarinho.
Segundo a endocrinologista, cabe ao profissional avaliar as indicações, contraindicações, ajustar as doses e acompanhar possíveis efeitos adversos.
Ela também orienta que os medicamentos sejam adquiridos apenas em farmácias, evitando produtos vendidos por canais não oficiais ou de procedência desconhecida.
Mais informação, menos preconceito
Para a Abeso, talvez a maior contribuição dos medicamentos para obesidade não esteja apenas na perda de peso.
Ao levar mais pessoas aos consultórios, aos laboratórios e às conversas sobre saúde metabólica, essas terapias também ajudam a reduzir o estigma que ainda cerca a obesidade.
“Quanto mais se fala sobre essas medicações, maior é o entendimento de que seus benefícios vão muito além da perda de peso”, afirma Lívia Lugarinho.
Mais do que popularizar um tratamento, esse movimento tem ajudado a consolidar uma mudança importante: a obesidade começa, finalmente, a ser reconhecida como uma doença crônica que precisa de diagnóstico, acompanhamento e tratamento individualizado — assim como acontece com diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas.
✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














