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Plano de saúde cobre cirurgia para tirar excesso de pele de quem perdeu peso com caneta emagrecedora?

Entenda se você pode ter direito à cirurgia plástica pelo plano ou pelo SUS

Obesidade sem Tabu|Mariana VerdelhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A perda de peso pode resultar em excesso de pele, causando problemas estéticos e emocionais.
  • Cirurgias reparadoras para remoção de pele excedente podem ser cobertas pelo plano de saúde ou SUS, dependendo das complicações de saúde apresentadas.
  • É necessário apresentar um laudo médico que comprove a necessidade da cirurgia para obtenção da cobertura.
  • A cirurgia é parte do processo de tratamento da obesidade, não apenas uma questão estética, e deve ser feita quando o paciente estiver em condições adequadas de saúde.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Após o emagrecimento, o espelho pode revelar mais do que a perda de peso: o excesso de pele também carrega marcas físicas e emocionais dessa jornada Inteligência artificial/ChatGPT

Quando uma pessoa com obesidade emagrece, ela comemora — e com razão. Ficar mais magra muda muita coisa: melhora a mobilidade, o sono, a disposição, até o simples ato de encontrar roupas deixa de ser um desafio.

Mas existe um ponto que quase ninguém fala — e que, para muita gente, piora com o emagrecimento: o excesso de pele.


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Olhar no espelho depois de uma grande perda de peso pode ser difícil. Para alguns pacientes, é como enxergar uma espécie de “cicatriz” da obesidade. Um corpo que carrega marcas visíveis de tudo o que foi vivido antes. Não é só estética — é memória, é história, é impacto emocional.

E aí surgem as dúvidas: quando é a hora certa de fazer uma cirurgia reparadora? Como saber se o que sobra é, de fato, pele ou ainda gordura? E mais — será que dá para fazer esse tipo de cirurgia pelo plano de saúde? E pelo SUS?


Essas perguntas ficaram ainda mais comuns nos últimos anos. Se antes esse cenário estava muito ligado a pacientes que passaram pela cirurgia bariátrica, hoje ele também aparece entre pessoas que emagreceram com o uso das chamadas canetas emagrecedoras.

Cada vez mais gente perde muito peso — e, com isso, passa a lidar com a flacidez e o excesso de pele.


Foi pensando nisso que conversei com o cirurgião plástico Antônio Marcos Coelho e com o advogado especialista em direito da saúde Dave Prada. Porque entender esse processo vai muito além da estética — envolve saúde, segurança, direitos e, principalmente, qualidade de vida.

A partir daí, a primeira coisa que fica clara é que nem toda cirurgia plástica é, de fato, estética. Quando o excesso de pele — tecnicamente chamado de ptose cutânea — começa a causar problemas reais, como infecções de repetição, dificuldade para andar, dor ou até impacto psicológico importante, o cenário muda completamente.


“O entendimento jurídico consolidado é que a cirurgia reparadora é a etapa final do tratamento da obesidade”, explica Dave Prada.

"A Justiça costuma ser favorável ao paciente nesses casos”, diz o advogado Dave Prada Arquivo pessoal

Na prática, isso inclui quadros como intertrigo e candidíase que não melhoram com tratamento, dificuldade extrema de higiene, odor persistente e até limitações físicas causadas pelo peso da pele. Nesses casos, a cirurgia deixa de ser uma escolha estética e passa a ser uma necessidade médica.

E isso vale independentemente de como o paciente emagreceu.

Durante muito tempo, esse tipo de cobertura esteve quase sempre associado a pacientes bariátricos. Mas esse entendimento vem mudando.

“O que importa é a patologia — a obesidade — e a consequência dela, que é o excesso de pele, e não o método utilizado para emagrecer”, explica o advogado. “Se o paciente perdeu peso com medicamentos e apresenta as mesmas complicações funcionais, o direito à reparadora permanece o mesmo.”

Ainda assim, nada acontece automaticamente. Para conseguir a cobertura pelo plano de saúde, é fundamental comprovar que há prejuízo à saúde — e isso passa, principalmente, por um laudo médico detalhado.

“Esse é o documento mais importante. O médico precisa deixar claro que a cirurgia não visa a beleza, mas a recuperação da saúde”, reforça Prada.

Relatórios dermatológicos, avaliações psicológicas e até fotos podem ajudar a fortalecer o caso. E um detalhe faz toda a diferença: “Sempre solicite a negativa do plano por escrito. É a peça fundamental para qualquer ação judicial.”

Quando o plano nega, o caminho muitas vezes é judicial — e pode ser mais rápido do que se imagina. Em situações mais graves, uma liminar pode sair em 24 a 72 horas, permitindo que a cirurgia aconteça logo no início do processo.

Do ponto de vista médico, porém, não basta ter indicação: o momento certo e a condição do paciente são fundamentais.

O cirurgião plástico Antônio Marcos Coelho explica que o ideal é que o peso esteja estável por pelo menos seis a 12 meses, mas faz um alerta importante: “Não é somente o tempo que determina o momento ideal da cirurgia, mas uma melhora de todo o metabolismo desse paciente”.

Isso porque, após grande perda de peso, é comum haver alterações em vitaminas, ferro, hormônios e marcadores inflamatórios. “O corpo tem que estar muito bem preparado”, reforça.

"A abdominoplastia é a mais procurada para retirada de pele”, diz o cirurgião Antônio Marcos Coelho Arquivo pessoal

Outro ponto essencial é entender o que, de fato, está sendo tratado. Nem toda flacidez é apenas pele. Em muitos casos, ainda há gordura localizada ou até alterações musculares.

“Não importa somente o peso, mas como está o percentual de gordura e o nível de gordura visceral”, explica o cirurgião. Com exames como bioimpedância e ultrassom, é possível avaliar com precisão o que precisa ser corrigido e garantir mais segurança no procedimento.

Entre as cirurgias mais comuns está a abdominoplastia, especialmente quando há grande excesso de pele na região abdominal — e ela está longe de ser um procedimento simples.

Envolve não só a retirada de pele, mas também o tratamento da gordura e até do músculo, com técnicas que buscam um resultado mais natural. Além disso, exige planejamento cuidadoso das cicatrizes e alinhamento de expectativas.

E existe ainda um aspecto que muitas vezes é negligenciado: o psicológico. “O procedimento tem que impactar em todas as áreas da vida do paciente”, afirma o cirurgião. Ao mesmo tempo, ele alerta para a importância de entender os limites da cirurgia e evitar frustrações, especialmente em pacientes que já passaram por outros procedimentos.

A recuperação varia, mas costuma permitir um retorno relativamente rápido às atividades, com liberação gradual para exercícios ao longo das semanas. Ainda assim, o resultado final — especialmente das cicatrizes — pode levar até um ano e meio para aparecer completamente.

No SUS, a cirurgia plástica para retirada de excesso de pele é possível, mas não funciona como algo direto ou imediato — ela faz parte de um processo maior dentro do tratamento da obesidade.

No fim das contas, a cirurgia reparadora está longe de ser apenas uma questão estética. Para muitos pacientes, ela representa o fechamento de um ciclo — a chance de deixar para trás não só o peso, mas também as marcas físicas e emocionais da obesidade.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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