Logo R7.com
RecordPlus

Caneta depois da bariátrica? Entenda quando o medicamento é indicado após a cirurgia

Caso de Thaís Carla reacendeu dúvida: por que alguns pacientes precisam de medicamentos para continuar emagrecendo?

Obesidade sem Tabu|Mariana VerdelhoOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A cirurgia bariátrica é eficaz no tratamento da obesidade grave, mas não garante perda de peso contínua ou definitiva.
  • Medicamentos podem ser indicados após a cirurgia em casos de reganho de peso ou perda de peso subótima.
  • A obesidade é uma doença crônica e complexa, exigindo múltiplas abordagens, como cirurgia, medicação, alimentação e atividade física.
  • O uso de medicamentos após a bariátrica não indica falha da cirurgia, mas sim uma estratégia para potencializar o tratamento.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A influenciadora Thais Carla revelou usar caneta emagrecedora Reprodução/Instagram/@thaiscarla

Quando a influenciadora Thaís Carla contou que está usando uma caneta para tratar a obesidade após realizar uma cirurgia bariátrica, muita gente estranhou. Afinal, não seria justamente a cirurgia o tratamento para promover a perda de peso?

A resposta é sim. Mas isso não significa que a medicação deixe de ter espaço no tratamento.


Veja Também

Segundo a cirurgiã bariátrica Carina Fernandes, a obesidade é uma doença crônica e, em alguns casos, a cirurgia e os medicamentos podem atuar de forma complementar.

“Existem indicações para o uso das canetas após a cirurgia bariátrica. Afinal de contas, a obesidade é uma doença complexa e tem múltiplos fatores. Ela é multifatorial, então o tratamento também deve ser com múltiplas ferramentas. E a cirurgia, junto com o tratamento medicamentoso, pode ser multicomplementar”, explica.


Embora seja considerada o tratamento mais eficaz para pessoas com obesidade grave, a cirurgia bariátrica não representa uma garantia absoluta de perda de peso contínua ou definitiva.

Por isso, em alguns pacientes, pode ser necessário associar outras estratégias ao longo do tratamento.


"Obesidade é uma doença multifatorial, então o tratamento também deve ser com múltiplas ferramentas", explica a cirurgiã bariátrica Carina Fernandes Arquivo pessoal

A cirurgia bariátrica é considerada o tratamento mais eficaz para pessoas com obesidade grave. Nos primeiros 12 a 18 meses após o procedimento — período conhecido como “fase de lua de mel” — é quando geralmente ocorre a maior perda de peso.

Mas isso não significa que todos os pacientes sigam exatamente o mesmo caminho após a cirurgia. Em algumas situações, o médico pode indicar o uso de medicamentos para complementar o tratamento da obesidade.


Segundo Carina Fernandes, isso acontece, principalmente, em três situações.

1. Quando ocorre a recorrência da obesidade

A indicação mais conhecida é para pacientes que voltam a ganhar peso algum tempo depois da cirurgia.

Embora muitas pessoas mantenham bons resultados por muitos anos, alguns pacientes podem apresentar recorrência da obesidade ao longo do tempo.

Nesses casos, os medicamentos ajudam a recuperar o controle da doença e podem potencializar uma nova perda de peso.

2. Quando a perda de peso é menor do que o esperado

Outra situação acontece quando os pacientes têm uma perda de peso subótima, isto é, quando a média de perda de peso que a cirurgia poderia proporcionar para aquele paciente não é atingida.

Segundo Carina Fernandes, é possível identificar este cenário nos primeiros três/seis meses após a bariátrica. E, quanto antes entrar com o uso de medicamentos, como semaglutida e tirzepatida, melhor.

3. Quando o paciente ainda permanece com obesidade

São pessoas que tinham obesidade muito grave antes da cirurgia e que, apesar de terem perdido dezenas de quilos e alcançado a perda de peso esperada para o procedimento, continuam vivendo com obesidade.

“Você pega um paciente que tinha obesidade grau 3. Ele emagreceu 50 quilos, atingiu a perda esperada para a cirurgia, mas ainda permanece com obesidade grau 1. Nesses casos, podemos otimizar essa perda de peso com a caneta”, explica a médica.

Ou seja, não significa que a cirurgia falhou.

Significa que o paciente respondeu bem ao tratamento, mas ainda pode se beneficiar de outra estratégia para controlar uma doença que continua presente.

Este provavelmente é o caso da Thaís Carla, que já emagreceu cerca de 100 kg.

Usar a caneta não significa que a cirurgia deu errado

A ideia de que a cirurgia bariátrica resolve definitivamente a obesidade vem mudando nos últimos anos.

Hoje, especialistas entendem a obesidade como uma doença crônica, complexa e multifatorial, que pode exigir diferentes abordagens ao longo da vida.

Por isso, cirurgia, medicamentos, alimentação, atividade física e acompanhamento multiprofissional não competem entre si.

Na prática, fazem parte da mesma estratégia terapêutica.

E por que usar a caneta ainda na fase de lua de mel?

Foi justamente essa dúvida que surgiu após a repercussão do caso de Thaís Carla.

Embora o uso dos medicamentos seja mais conhecido em pacientes que apresentam reganho de peso anos após a cirurgia, eles também podem ser indicados durante a chamada fase de lua de mel.

Isso acontece quando o paciente apresenta uma perda de peso abaixo do esperado ou quando, mesmo após uma boa resposta à cirurgia, ainda permanece com obesidade e pode se beneficiar de uma perda adicional de peso.

Esse terceiro cenário ajuda a explicar por que o uso da medicação logo após a bariátrica não é, necessariamente, um sinal de que a cirurgia “não funcionou”. Em alguns casos, trata-se apenas de uma estratégia para potencializar um tratamento que já vem apresentando bons resultados.

Segundo Carina Fernandes, essa decisão é sempre individualizada.

“Eu tenho pacientes nos três perfis que utilizam a medicação e estão indo super bem”, afirma.

Cirurgia e caneta não são tratamentos concorrentes

Durante muito tempo, criou-se a ideia de que a cirurgia bariátrica seria o último passo no tratamento da obesidade.

Hoje, a medicina enxerga essa doença de outra forma.

Assim como acontece com diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas, o tratamento da obesidade pode precisar ser ajustado ao longo do tempo, de acordo com a resposta de cada paciente.

Em alguns casos, isso significa associar a cirurgia bariátrica aos medicamentos antiobesidade para ampliar os benefícios do tratamento.

Mais do que escolher entre cirurgia ou caneta, a mensagem é outra: controlar a obesidade pode exigir diferentes ferramentas em diferentes momentos da vida.

Utilizar medicamentos como semaglutida ou tirzepatida após a bariátrica não significa que a cirurgia deu errado. Em muitos casos, significa apenas que o tratamento está sendo individualizado para oferecer ao paciente o melhor resultado possível.

Search Box

Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.