‘Isso não é coisa de menina!’: Como evitar a normalização da misoginia já na infância
Infelizmente, ela surge em pequenas falas, comportamentos ou crenças aprendidas com os adultos e reproduzidas pelas crianças

Esses dias fui a uma festinha da escola e uma mãe me disse que perguntou para a filha por que ela gostava tanto de brincar com o meu filho. Segundo ela, a resposta foi: “Porque ele não diz do que eu devo brincar e nem que não é coisa de menina”. Meu coração se encheu. Primeiro, porque eu já fui essa menina e, segundo, porque eu estou educando um carinha maneiro.
É óbvio que nenhuma criança de 5 ou 6 anos sabe o que é misoginia, mas ela já aparece de forma muito amena nessa idade, sem ser consciente. Ela surge em pequenas falas, comportamentos ou crenças aprendidas com os adultos e reproduzidas pelas crianças.
É nesta idade que elas começam a entender o outro e as nossas diferenças, inclusive, as biológicas. Meninos e meninas começam a trilhar interesses diferentes naturalmente e está tudo bem. Realmente somos todos diferentes e devemos respeitar essas diferenças sempre.
No entanto, não podemos esquecer que somos todos iguais em direitos e oportunidades. E ninguém pode dizer que outro alguém não pode fazer algo pelo simples fato de ser uma menina, por exemplo.
Meninas podem ser princesas, jogadoras de futebol, donas de casa, astronautas, empresárias, se assim desejarem.
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Como isso surge e de onde vem?
São pequenos detalhes nas dinâmicas do dia a dia: meninos dizendo que “meninas não sabem jogar bola”, meninas sendo desencorajadas a liderar ou se expressar, brinquedos e atividades rigidamente separados por gênero ou comentários sobre aparência sendo sempre mais cobrados nelas.
As crianças são espelhos dos seus núcleos familiares. Esses pensamentos vêm de influências dos pais, da interação na própria escola, de desenhos, redes sociais e da cultura em que ela está inserida.
Por que é importante olhar para isso agora?
Pode parecer uma besteira, mas esses comportamentos moldam a autoestima das crianças (especialmente das meninas). Eles também influenciam as relações futuras entre homens e mulheres, pais e filhas, maridos e esposas.
Esse enfraquecimento da figura feminina pode evoluir para uma desigualdade ainda mais forte na adolescência e violências reais na vida adulta.
Alô, mãe de meninos...
Como mãe de um menino, eu me sinto duplamente desafiada todos os dias. O que posso fazer agora para que ele respeite e admire mulheres em diversos contextos?
Por isso, te convido a refletir também e garantir um espaço mais livre e seguro para todos. Aqui deixo cinco passos que me guiam. Vamos nessa?
- Incentive igualdade nas brincadeiras e oportunidades;
- Questione frases como “isso é coisa de menina/menino”;
- Valorize meninas por habilidades, não só aparência;
- Ensine os meninos a respeitar e ouvir as meninas;
- Apresente referências diversas (mulheres na ciência, em liderança, no esporte).
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