O “custo invisível” do supermercado: erros tributários silenciosos encarecem operações e afetam o bolso do consumidor
“Não é apenas uma questão técnica. É uma questão de maturidade de gestão.
Vanity Brasil|Do R7

Eduardo Bitello explica como falhas na apuração de créditos de PIS e Cofins impactam diretamente o varejo e, na prática, o preço final nas prateleiras
Ir ao supermercado faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Mas por trás das gôndolas organizadas, das promoções e da disputa por preço, existe uma engrenagem complexa que, quando falha, pode impactar diretamente o custo das operações e, indiretamente, o bolso de quem consome.
No centro dessa dinâmica está um problema pouco visível, mas cada vez mais relevante: erros na apuração de créditos de PIS e Cofins. Embora o tema pareça distante do cotidiano, seus efeitos são concretos e se refletem na forma como os supermercados operam, precificam e competem.
Mesmo com avanços na jurisprudência e maior clareza sobre o regime não cumulativo, o setor supermercadista ainda convive com falhas recorrentes muitas vezes silenciosas que comprometem margens já apertadas e limitam o potencial financeiro das empresas.
“Existe hoje um custo invisível dentro das empresas, que é o crédito não aproveitado. E ele impacta diretamente o resultado, ainda que não apareça de forma evidente no curto prazo”, explica o advogado tributarista Eduardo Bitello.
Na prática, isso significa que recursos que poderiam ser reinvestidos em melhorias como experiência do consumidor, tecnologia, logística ou até preços mais competitivos acabam sendo simplesmente deixados para trás por interpretações equivocadas ou excessivamente conservadoras da legislação.
O problema não está apenas na complexidade das regras, mas na forma como elas são aplicadas no dia a dia. Um dos principais pontos críticos é a definição do que pode ser considerado “insumo” para fins de crédito. Apesar de decisões relevantes ampliarem esse conceito, muitas empresas ainda adotam uma leitura restritiva, limitando o aproveitamento de créditos a itens diretamente ligados ao produto final.
Com isso, custos essenciais da operação como transporte, armazenagem e toda a cadeia de abastecimento acabam ficando de fora da conta.
“Não é apenas uma questão técnica. É uma questão de maturidade de gestão. Empresas que não revisitam seus critérios acabam operando com distorções que afetam competitividade e tomada de decisão”, afirma Bitello.
Em um setor altamente competitivo, onde cada centavo faz diferença, essas distorções se acumulam ao longo do tempo. E quanto maior a operação, maior o impacto.
Por outro lado, quando bem estruturada, a revisão desses créditos pode representar um respiro financeiro importante. Mais do que corrigir erros, ela abre espaço para recuperar valores pagos a maior, otimizar processos e fortalecer a sustentabilidade do negócio.
Esse movimento ganha ainda mais relevância diante das transformações trazidas pela reforma tributária. Com a transição para um novo modelo, empresas precisarão de ainda mais organização, integração de dados e histórico confiável.
“A reforma não corrige ineficiências. Ela expõe. Quem já não tem controle hoje, tende a sofrer mais na transição”, alerta o especialista.
No fim das contas, o tema deixa de ser apenas técnico e passa a fazer parte de algo maior: a forma como as empresas operam, crescem e entregam valor para o consumidor.
Porque, mesmo que o cliente não veja, toda decisão nos bastidores influencia diretamente aquilo que chega até ele, seja no preço, na experiência ou na qualidade do serviço.
E, nesse cenário, ignorar esses ajustes pode sair mais caro do que parece.
















