Após professora agredir bebê e ser achada sem vida, mãe fala
A mãe da bebê que foi agredida pela professora na creche desabafou e comoveu.
Bebê Mamãe|Do R7

A mãe da bebê que foi agredida pela própria professora na creche em Cerquilho, interior de São Paulo, desabafou e trouxe revelações. O caso ocorreu no final do mês passado e a professora que cometeu as agressões, Margarete de Arruda Morás, de 51 anos, foi achada sem vida na madrugada do dia 1º de julho em um sítio de sua família.
A polícia civil investiga o caso, mas acredita que foi Margarete quem fez isso contra si. As agressões que a professora cometeu contra seus alunos foram descobertas depois da prefeitura ter instalado câmeras no local. As imagens que foram divulgadas ao público revelaram a Margarete agredindo uma bebê de seis meses nos dias 22 e 23 de junho. A pequena estava em uma turma para bebês de 4 meses a 10 meses.
Diante das descobertas das agressões, a professora foi afastada do trabalho na creche. Também foi feito um boletim de ocorrência e o Conselho Tutelar foi informado. O caso das agressões estava sendo investigado quando Margarete foi achada sem vida.
Mãe da bebê agredida pela professora faz novas revelações
Na última quinta-feira (23), Samantha Freitas, a mãe da bebê que aparece sendo agredida pela professora Margarete nas imagens decidiu se pronunciar. Ela impressionou com novas revelações do caso.
Samantha começou dizendo: “No dia 29 de junho, eu mandei a Helena, minha filha, 7:30 da manhã para a creche, acreditando estar tudo bem. Na semana anterior ela tinha ido no dia 22 e 23, segunda e terça, e depois o resto da semana ela não foi, a Helena é um bebê que tava em adaptação na creche, eu não mandava ela todos os dias e não mandava ela o período inteiro, ela ia umas duas/ três vezes na semana”.
A mãe continuou: “E sempre que ela ia, eles ligavam falando para buscar mais cedo, diziam que ela estava com diarreias, que não queria mamar e a gente sempre ia buscar assim que ligavam. No dia 29, eu mandei ela 7:30 e por volta de 10:00 da manhã eu estava na minha casa, tranquila, recebi uma ligação da delegacia, logo em seguida vieram na minha casa de viatura, e me contaram que a creche havia feito um BO de agressão, que uma funcionária da creche havia agredido a Helena”.
“E a Helena estava na creche essa hora, nós fomos, fui inclusive de viatura buscar minha filha na creche. Quando eu cheguei lá, a diretora queria que eu entrasse na escola para conversar, até então a diretora não tinha conversado nada comigo! Eu fui informada dessa forma que tô falando, na delegacia! E o moço que trabalha na delegacia, que foi comigo, falou a seguinte frase para ela: ‘você teve a semana inteira para conversar, agora a gente não vai conversar’. E eu sem entender absolutamente nada, eu já estava muito nervosa e quando ele falou isso, eu fiquei extremamente mais nervosa!”.
A mãe também disse: “Fui a delegacia, lá o delegado, me mostrou vídeos da minha filha sendo agredida de todas as formas possíveis por uma funcionária da creche, eu fiquei em choque com o que eu vi. Nunca imaginei que minha filha iria passar por essa situação, em um lugar que era para ela estar protegida, segura, sendo acolhida”.
Mãe afirma que a creche escondeu as agressões da professora por dias
A mãe revelou que viu as imagens das agressões da professora contra sua filha de apenas seis meses. “Depois de sair da delegacia, eu fui até o Conselho Tutelar, onde me mostraram mais imagens da minha filha sendo agredida, são imagens de vários dias, não são foi uma perda de paciência, uma perda de cabeça por um momento, não foi! Foram vários dias, várias agressões e de várias formas possíveis!”.
A mãe afirma que as agressões são bem mais graves do que foi divulgado. “Os vídeos que apareceram são da Helena sendo agredida. E aqueles vídeos, eu vou falar para vocês, não são NADA perto do que aconteceu com a minha filha. Aqueles vídeos dela sendo empurrada com força, sendo sentada, enfim aquilo não é nada perto do que aconteceu, eu vi imagens muito fortes da minha filha! Coisas que eu nunca vou esquecer!”.
“E que eu falo porque tenho prova de tudo que eu estou falando, a minha filha poderia ter morrido devido as agressões que ela sofreu. A minha filha hoje tem sete meses, quando as agressões aconteceram, tinha seis meses. Um bebê completamente frágil. Além das agressões que ela sofreu, o nosso maior problema está sendo a omissão dos órgãos públicos, que estão tratando como se nada tivesse acontecido”.
A mãe afirmou que a escola escondeu o ocorrido por dias. “Na sexta-feira, quando foi feito o BO, eles já sabiam desde o início daquela semana! Sabiam desde o início daquela semana e só foram fazer o BO na sexta-feira! Minha filha não foi a única criança agredida, ela foi uma das mais agredidas. Mas houve outras crianças agredidas”.
Mãe afirma que não está recebendo apoio da gestão pública
A mãe da bebê agredida pela professora ainda disse que não está recebendo apoio da gestão pública diante do ocorrido. “Até agora a gente não teve nenhum tipo de suporte da gestão pública! Nenhum! Nós mães, estamos nos apoiando apenas umas nas outras, a gente não teve nenhum tipo de suporte do município, da prefeitura, nenhum tipo de suporte! Eu quero deixar claro que o que aconteceu com minha filha foi muito sério, foi muito grave e poderia ter acontecido uma coisa muito pior”.
Ela falou sobre a partida da professora. “Eu quero deixar claro que eu não comemoro nenhum tipo de tragédia, eu não desejo o mal para nenhuma família, a única coisa que eu quero é justiça pelo que aconteceu. Isso que aconteceu é extremamente sério e estão tratando como se nada tivesse acontecido, estão deixando tudo por debaixo dos panos!”.
A mãe ressalta que há outras pessoas envolvidas no caso. “Ainda existem pessoas que foram responsáveis, pessoas que foram omissas e a gente não pode deixar essas pessoas onde elas estão porque amanhã ou depois pode acontecer com o seu filho e pode acontecer pior do que foi com a minha filha!”.
Ela concluiu dizendo: “Eu nunca desejei mal a ninguém, eu sempre desejei justiça! Porque minha filha é uma criança inocente que não sabe falar, não sabe se defender e que não faz mal a ninguém e que não merecia passar pelo que passou. Eu não merecia passar por essa dor que estou passando”.
“E é bom a gente lembrar que todos nós adultos fazemos escolhas, agredir foi uma escolha, omitir foi uma escolha, apanhar não foi uma escolha, minha filha não escolheu isso! Eu não vou ficar calada pelo que aconteceu com minha filha! Eu quero justiça e essas pessoas que foram omissas, elas têm que pagar! E o que eu desejo em dobro é a proteção para nossas crianças e é isso!”.



















