Mãe fala após pai tirar vida do filho por não dar 'bom dia'
A mãe do menino que partiu após ser agredido pelo pai por não lhe dar "bom dia" se pronunciou.
Bebê Mamãe|Do R7

A mãe do menino que foi agredido pelo próprio pai por não dar “bom dia” e que não resistiu quatro dias depois se pronunciou pela primeira vez. O pequeno Oliver Golden Grayson partiu na madrugada desta quinta-feira (09). Ele tinha apenas três anos de idade.
O menino estava internado na UTI pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre desde domingo (05). O pequeno teve sua morte cerebral confirmada na madrugada de quinta-feira (09). A Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre confirmou que os órgãos do menino foram doados com a autorização da família.
Agora, a delegada responsável pelo caso, Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), impressionou ao revelar o que a mãe do menino Oliver disse. E também o que ela fez com o pequeno Oliver e seus outros quatro filhos.
Mãe das crianças era conivente com as agressões do pai
A mãe de Oliver se chama Mayanna Angelina Rodgers, ela foi detida na última quinta-feira (09). O pai do menino, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson de 33 anos está detido desde domingo (05), quando cometeu as agressões contra seu filho.
O pai agrediu muito o filho por não ter lhe dado bom dia e depois o levou para o hospital juntamente com a mãe da criança. “Não fui eu que fiz a oitiva porque ele foi preso em flagrante. Ele admite que fez de fato o crime e tão logo viu que o menino desfaleceu, já sabia que seria preso e ficou aguardando as autoridades policiais no hospital”, disse a delegada Luana Medeiros em conversa com a Rádi0 Gaúcha.
No total o casal tem cinco filhos. Além do pequeno Oliver que partiu, eles também são pais de crianças com idades entre nove anos e um ano. As crianças já estão sendo ouvidas pelos investigadores. “Estas crianças foram acolhidas e encaminhadas pelo próprio conselho para a perícia psíquica, que é um depoimento com psicólogo. E também para perícia clínica”, contou Luana.
A delegada Luana então impressionou ao detalhar a participação da mãe no que as crianças enfrentavam. “É muito complexo, uma investigação muito sensível. A gente começou investigando o pai por homicídio e ouvimos a mãe na condição de testemunha, nisso ela relatou a questão da violência doméstica e passamos a acolhê-la como vítima, pedimos inclusive medida protetiva de urgência”, disse.
“Só que nós verificamos ao longo da investigação que essa mãe era conivente com tudo que acontecia naquela casa. Que me parece uma violência doméstica bem intensa no âmbito psicológico e físico. Essas agressões nós temos conhecimento que ocorrem há pelo menos oito anos. A criança mais velha da família tem nove anos, ou seja, ela tinha apenas um ano quando foi agredida”, contou a delegada.
A mãe também teria agredido as crianças. “A mãe nega que agredisse também, apesar de termos outros relatos de que ela agredia também, isso tudo tá sendo apurado. De qualquer forma, essa mãe foi omissa o tempo inteiro. As crianças viam as agressões do pai, elas choravam, tentavam ajudar também”.
Mãe fazia os filhos esconderem os machucados causados pelo pai
A delegada Luana Medeiros também revelou que a mãe encaminhava os filhos para o hospital após serem agredidos pelo pai, mas os fazia mentir sobre o que havia ocorrido. “As crianças eram agredidas também e a mãe encaminhava essas crianças para o hospital, mas fazia que essas crianças mentissem sobre o motivo das lesões”.
Ela ainda colocava roupas compridas nos filhos para esconder as lesões causadas pelo pai. “As crianças viviam com roupas compridas para cobrir as marcas das agressões. Eles diziam para as crianças não mostrarem o corpo para ninguém, nem para médico, nem para ninguém, inclusive tivemos uma dificuldade com o médico do IML porque as crianças não queriam mostrar o corpo”.
Apesar da mãe ter dito que não ouviu as agressões contra o filho Oliver, a delegada explicou que isto não seria possível. “Então, além dessa omissão em relação a tortura, a gente verifica também uma omissão em relação ao homicídio. Ontem cumprimos mandato de busca e apreensão na residência e não tinha nem porta, eram quartos separados por cortinas”.
“Então, a mãe ela às 6:30 da manhã de um domingo diz que não ouviu o filho gritar pedindo por ajuda, só que logo quando a gente iniciou a investigação, ouvimos uma médica que fez o atendimento dessa criança no hospital e ela informou que as agressões não são compatíveis com apenas 3 socos e essa batida na cabeça (versão do pai sobre o que fez). O coração do menino chegou a mudar de lugar de tão forte que foram agressões. O fêmur dele foi completamente fraturado. Nunca trabalhei em um caso assim”.


















