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Documentário reúne histórias de pessoas afetadas pelo HIV na África

Filme brasileiro feito pela designer Nathalie Siqueira e o produtor Emanuel Mendes é 'uma aula de empatia', defende idealizadora

Cinema|Helder Maldonado, do R7

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Nathalie e Saidy em visita à uma instituição
Nathalie e Saidy em visita à uma instituição

Quando participou do Hackathon Abeme de 2016 — espécie de maratona de criatividade digital— a designer Nathalie Siqueira tinha como meta viabilizar o aplicativo Becum, uma rede social voltada para a educação sexual.

O projeto se tornou o vencedor do evento e o prêmio possibilitou transformar a iniciativa em um documentário, A Tecnologia Social. Segundo Nathalie, a ideia era não apenas mostrar a participação na conferência de uma maneira jornalística ou com a abordagem tradicional deste formato cinematográfico. Ela e a equipe queriam ir além e dar um olhar mais humanizado à proposta. “Era importante para nós, como realizadores e idealizadores do projeto, tornar a história e a narrativa o mais próximo possível do fazer cinema — sem as amarras da estética vinculada à reportagem de TV ou ao documentário tradicional, estilo ‘entrevistas-sem-fim’. Desta forma, tentamos ao máximo trabalhar de uma maneira fluída, sem muita preparação ou rigidez, e procurando deixar as pessoas retratadas conduzirem a ação”, resume o produtor Emanuel Mendes.


Capa do DVD do documentário
Capa do DVD do documentário

Foi então que surgiu a ideia de viajar à África do Sul e registrar ideias e histórias de militantes envolvidas em movimentos de prevenção às DSTs. “Foi uma aula de empatia. Conhecer pessoas que vivem em realidades tão diferentes da minha foi um choque e me fez perceber como cada vida é única, cada história é uma lição e como uma pessoa pode impactar a vida de tantos outros”, explica Nathalie.

No filme, ela divide o protagonismo principalmente com Saidy Brown, uma garota sul-africana que ficou conhecida mundialmente ao publicar seu status de HIV positivo no Twitter. Juntas, elas visitam a ONG de Mandisa Dlamini, órgão que cuida da preservação da memória da mãe da jovem — assassinada nos anos 1990 por revelar ser HIV-positiva — e de outras crianças e adolescentes em situação de risco. “Muito do problema está em conseguir trazer a conversa de prevenção para as pessoas. O documentário procura trazer essa conversa, mostrando como um lugar tão distante da gente está trabalhando este mesmo problema, como iniciativas podem fazer uma grande diferença e como a tecnologia está trazendo mudanças importantes para a solução deste problema”, analisa a designer.


Emanuel Mendes deu abordagem diferente para o filme
Emanuel Mendes deu abordagem diferente para o filme

Além de ser um documentário intercontinental, o filme que está disponível na TV a cabo e acaba de sair em DVD, é também o encontro entre mulheres que possuem muito mais em comum do que imaginavam e que enfrentam os desafios da vida adulta. “Educação sexual é um debate muito grande. Acredito que primeiro precisamos tratar este problema e lidar com sexualidade de forma mais aberta e natural”, comenta Nathalie.

Segundo ela, ao analisar o assunto do ponto de vista comportamental e tecnológico, um caminho é aberto até mesmo para o Brasil ampliar as políticas nesse sentido. “O Brasil é referência mundial na prevenção e tratamento de HIV e DSTs. Hoje as instituições públicas sentem uma grande dificuldade em conversar com os jovens sobre o assunto, já que sexo ainda é um tabu e prevenção um assunto a ser evitado. Não acredito que a tecnologia seja a única solucionadora deste problema, mas sim a aproximação da linguagem. Precisamos estar onde as pessoas estão, falar como as pessoas falam, para conseguir participar de suas vidas”, resume.

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