John Wick 3: Parabellum: Ação visceral com doses de sadismo
Terceiro longa trás expansão interessante no universo, mas mantém cerne da franquia intacto, com cenas de luta bem filmadas e violência gráfica
Cinema|Caio Sandin, do R7

Quando o primeiro John Wick (chamado ‘De Volta Ao Jogo’ aqui no Brasil) chegou aos cinemas, em 2014, as cenas de ação bem coreografadas e viscerais chamaram a atenção e renderam elogios da crítica especializada e um bom faturamento para a relativamente pequena produção. Priorizando a estética a uma história profunda e requintada, os traços de uma sociedade secreta de assassinos, com suas próprias regras, normas e até mesmo moeda ali presentes já serviam para deixar um gosto de quero mais na audiência.
Desde então, outros filmes chegaram trazendo a mesma assinatura, com músicas em volume baixo — ou mesmo sem elas —durante as viscerais cenas de luta, para que se possa ter ainda mais impacto a cada soco, arremesso, tiro ou finalização no melhor estilo Jiu-Jitsu.

Para se manter no topo, John Wick fez uma escalada interessante em todos os aspectos em seu segundo ato — ‘Um novo dia para matar’, por aqui — elevando as apostas e as consequências para as cada ação tomada. Para isso, ele se aprofunda no submundo dos assassinos, apresentando novas e mais complexas regras, ampliando o leque de opções, mas mantendo a ação frenética característica.
No fim, é dada a John uma hora de trégua para tentar escapar antes que todos os assassinos de Nova York comecem a prossegui-lo, já que há uma recompensa de 14 milhões por sua cabeça. E é deste ponto que Parabellum se inicia.

Com tensão máxima desde o primeiro minuto de projeção, já é possível perceber que este é o filme mais brutal da franquia antes de o ponteiro dar a décima volta no relógio. Tudo vira arma na mão do “bixo papão” (como Wick é chamado pela máfia russa) e num mundo onde todos são inimigos é fácil entender a dinâmica. Novas gangues e caçadores de recompensas aparecem no percalço do protagonista, que luta contra cada um deles de uma maneira diferente. Espadas, armas antigas, facas, livros, lápis e até mesmo cavalos são usados para abater um a um.

Se a coreografia e a direção mantêm a estética tão ou mais bela do que nos predecessores, o grau de sadismo e aflição chegam ao teto neste terceiro longa. Cada assassinato cometido por um inspirado Keanu Reeves em tela é mostrado com um close que demonstra uma veracidade impiedosa.
Se no precursor desta — por enquanto — trilogia, a história era despretensiosa e movida apenas pela vingança, neste terceiro filme há tanto desenvolvimento que as motivações iniciais viram piada recorrente, sabendo rir daquilo que parecia imperativo no início de tudo e que cai a reles bobagem com a urgência aqui exposta.

A megalomania é tão grande que chega a levar nosso protagonista a países nunca vistos na série e apresentar personagens também jamais mencionados. O que poderia soar como uma grande falha de roteiro ou apenas um “Deus ex machina” que só aparece para salvar o herói de seu momento mais difícil, em John Wick é intrigante e verossímil, graças ao universo sempre em expansão desvendado aos poucos durante toda a trajetória vista em tela.
Enquanto muitos filmes de ação tentam copiar a fórmula bem-sucedida da nova franquia de Keanu Reeves, John Wick vem galopando à frente, sempre parecendo fresco e revigorado. As lindas cenas de combate, cada vez em maior número, ajudam a manter a adrenalina tão alta quanto a do próprio protagonista. O sempre competente elenco de apoio é novamente invejável, contando com atuações memoráveis de todos, que compram a ideia do universo, dos assassinos e da violência. E também um pouco do sadismo.

Ficha Técnica:
Ano: 2019
Classificação: 18 anos
Duração: 2h10 min
Direção: Chad Stahelski
Roteiro: Writing Credits, Derek Kolstad, Shay Hatten, Chris Collins e Marc Abrams
Elenco: Keanu Reeves, Halle Berry, Ian McShane, Laurence Fishburne e Lance Reddick
Fotografia: Dan Laustsen
Produtores: Joby Harold, Basil Iwanyk, Erica Lee e David Leitch
Música: Tyler Bates e Joel J. Richard









