Justiça libera exibição de filme sobre Dom Quixote no Festival de Cannes
Demorou mais de 20 anos para que o impasse sobre a obra de Terry Gilliam, O Homem que Matou Dom Quixote, chegasse a um ponto final
Cinema|Do R7

Um tribunal de Paris decidiu nesta quarta-feira que Terry Gilliam pode exibir The Man Who Killed Don Quixote (O Homem que Matou Dom Quixote, em tradução livre) no Festival de Cannes, removendo o obstáculo final de sua batalha de 20 anos para levar a história às telas.
Fãs elogiaram a notícia como um sinal de que a "desgraça de Dom Quixote” foi finalmente quebrada, após Gilliam ter que abandonar uma versão inicial estrelada por Johnny Depp em 2000 por conta de uma série de calamidades, incluindo alagamentos e problemas de saúde e orçamentários.
Finalmente refeito com Jonathan Pryce e Adam Driver, Cannes selecionou o filme para encerrar o festival em 19 de maio, mas uma disputa judicial de última hora de um ex-produtor que diz ter os direitos significava que incertezas permaneciam até a decisão desta quarta-feira.
Aumentando a ideia de uma "desgraça", o jornal The Guardian relatou mais cedo nesta quarta-feira (10) que Gilliam, de 77 anos, teve um pequeno acidente vascular cerebral no final de semana, mas ele tuitou que agora está bem: “Após dias de descanso e orações aos deuses estou novamente recuperado e bem”.
“Nós somos legalmente vitoriosos! Nós iremos ao baile, vestidos como o filme de encerramento no Festival de Cannes! 19 de maio. Obrigado a todos pelo apoio. #QuixoteVive”, tuitou Gilliam, cujos filmes incluem Brazil e Os Bandido do Tempo.
O tribunal parisiense rejeitou um pedido do ex-produtor Paulo Branco para impedir a exibição em Cannes, embora Branco tenha dito a repórteres que o tribunal havia confirmado sua posição de que possui os direitos.
O advogado de Gilliam disse que o tribunal não respondeu à questão de quem possui os direitos, mas havia ordenado que a exibição do filme inclua um comunicado de que Branco reivindica propriedade.
“O juiz disse que a moção para um embargo é manifestadamente desproporcional e é prejudicial à liberdade de expressão”, disse Benjamin Sarfati à Reuters, acrescentando ter falado com Gilliam, que ficou satisfeito.
“Ele disse: ‘A maldição está quebrada. O filme pode ser visto pelo público’”.














