Estudo do IBGE aponta que TV é o maior bem cultural do Brasil

Segundo estudo, crise econômica e redução de investimentos do Governo no setor são um dos motivos que justificam a máxima

97,2% dos lares dos brasileiros têm TV

97,2% dos lares dos brasileiros têm TV

Pixabay

Um levamento divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que a televisão ainda é o grande bem cultural do Brasil. Isso porque, apenas 10% dos municípios têm salas de cinemas, 25,9% contam com museus e 20% têm acesso a teatros. Enquanto isso, a televisão faz parte do acervo de quase todos os lares, sem distinção de classe social, gênero ou raça.

Segundo o Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) 2007-2018 — análise que reúne informações de diversas pesquisas do IBGE sobre indicadores voltados para a esfera cultural — dois motivos que justificam a máxima são a crise econômica e a redução de investimentos do Governo no setor.

"Os investimentos em cultura vêm caindo devido à crise fiscal, rotatividade de quadros e descontinuidade de políticas no governo federal. O orçamento fica limitado às despesas de custeio. Além disso, fatores conjunturais como oscilações nas taxas de desemprego e renda média também podem contribuir para mudanças de padrões de consumo para bens e serviços culturais", afirma Leonardo Athias, pesquisador do IBGE.

O estudo ressalta que a posse de televisão de qualquer modelo já era acessível a 97,2% dos brasileiros em 2018. Sem contar as TVs de tela fina, que somavam um índice menor (um total de 74,2%), porém maior se comparado ao ano de 2016, quando era acessível a 65,5% da população. A pesquisa reforça os dados e mostra que "são 20,3 milhões de pessoas a mais com acesso a este bem".

Outro fator que contribuiu para que o televisor fosse o principal canal de acesso à cultura foi a internet que disponibiliza os serviços de streaming. Em 2017, dos 180,4 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade, 125,9 milhões (69,8 %) acessaram a Internet pelo menos uma vez nos três meses anteriores ao estudo. Se comparado a 2016, o crescimento foi de 5,1 %.