Nobel de Literatura: relembre os brasileiros que já foram indicados
Registros da Academia Sueca, que só são divulgados 50 anos depois, permitem conhecer parte dessas candidaturas
Famosos e TV|Do R7
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A escritora canadense Anne Carson foi anunciada, na quinta-feira (8), como a ganhadora do Nobel de Literatura de 2026. Aos 76 anos, ela foi reconhecida pela Academia Sueca por uma obra que combina poesia, prosa, tradução e referências à literatura clássica.
A escolha de Carson também volta a levantar uma pergunta sobre a literatura brasileira: algum escritor do país já ganhou o Nobel? A resposta é não. O Brasil ainda não tem um vencedor na categoria, mas alguns de seus principais autores foram indicados ao prêmio ao longo da história.
Os registros da Academia Sueca, que só são divulgados 50 anos depois, permitem conhecer parte dessas candidaturas. Entre os nomes que aparecem no arquivo estão Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade.
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Relembre:
Jorge Amado
Jorge Amado é o brasileiro que mais aparece nos registros de indicações ao Nobel de Literatura. O escritor baiano recebeu 19 indicações entre 1967 e 1973.
Nascido em 1912 e morto em 2001, Amado ficou conhecido por romances que retrataram personagens, costumes e desigualdades sociais, principalmente na Bahia e no Nordeste.
Entre seus livros mais conhecidos estão Capitães da Areia, Gabriela, Cravo e Canela, Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tieta do Agreste.
Apesar do número elevado de indicações, o escritor nunca recebeu o Nobel.
Carlos Drummond de Andrade
Um dos principais nomes da poesia brasileira, Carlos Drummond de Andrade também aparece nos arquivos da Academia Sueca.
Nascido em Minas Gerais, em 1902, e morto no Rio de Janeiro, em 1987, Drummond foi poeta, contista e cronista. É considerado um dos principais representantes do modernismo brasileiro.
Seu primeiro livro, Alguma Poesia, foi publicado em 1930. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão ainda Sentimento do Mundo e A Rosa do Povo.
Drummond foi indicado ao Nobel duas vezes, em 1967 e 1969.
Érico Veríssimo
Érico Veríssimo foi outro escritor brasileiro indicado ao Nobel. Nascido no Rio Grande do Sul, em 1905, e morto em 1975, ele ficou conhecido por uma produção que abordou aspectos sociais e políticos da região.
Sua obra mais famosa é a trilogia O Tempo e o Vento, que acompanha diferentes gerações e períodos da história do Rio Grande do Sul.
Veríssimo recebeu duas indicações ao Nobel, em 1963 e 1968.
Alceu Amoroso Lima
O crítico literário Alceu Amoroso Lima também aparece entre os brasileiros indicados. Nascido no Rio de Janeiro, em 1893, e morto em 1983, ele utilizava o pseudônimo Tristão de Ataíde.
Além da crítica literária, atuou como jornalista e professor e publicou diversas obras sobre literatura.
Amoroso Lima foi indicado uma vez, em 1965.
Coelho Neto
Henrique Maximiano Coelho Neto foi romancista, crítico e teatrólogo. Nascido no Maranhão, em 1864, morreu no Rio de Janeiro, em 1934.
Além da carreira política, publicou textos em jornais e revistas e escreveu em diferentes gêneros literários. Fez parte do grupo de escritores que incluía nomes como Olavo Bilac, Luís Murat, Guimarães Passos e Paula Ney.
A experiência dessa geração também foi retratada por Coelho Neto no romance A Conquista, publicado em 1899.
O escritor recebeu três indicações ao Nobel em 1933.
Flávio de Carvalho
Flávio de Carvalho teve uma trajetória que passou por diferentes áreas. Nascido no Rio de Janeiro, em 1899, e morto em São Paulo, em 1973, foi pintor, desenhista, arquiteto, cenógrafo, decorador, escritor, teatrólogo e engenheiro.
Embora tenha ficado mais conhecido pelas artes visuais, também produziu para o teatro e publicou textos sobre temas como arte, moda, arquitetura e urbanismo.
Carvalho recebeu uma indicação ao Nobel, em 1939.
Manoel Wanderley
Manoel Segundo Wanderley nasceu e morreu no Rio Grande do Norte e viveu entre 1860 e 1909. Formado em medicina, também escreveu poemas e peças teatrais.
Ele foi considerado um dos principais representantes da poesia condoreira no Rio Grande do Norte em seu período.
Wanderley recebeu uma indicação ao Nobel, em 1941.
Thomas Mann tinha mãe brasileira
A relação entre o Brasil e o Nobel de Literatura também passa por um vencedor do prêmio. O escritor alemão Thomas Mann, que recebeu o Nobel em 1929, era filho de Júlia da Silva Bruhns, brasileira nascida em Paraty, no Rio de Janeiro.
Júlia, filha de um alemão e de uma brasileira de origem portuguesa, se mudou ainda jovem para a Alemanha, onde se casou com Thomas Johann Heinrich Mann, pai do escritor.
Thomas Mann, por sua vez, nasceu em Lübeck, na Alemanha, em 1875, e se tornou um dos principais escritores de língua alemã do século 20. Entre suas obras estão Os Buddenbrook, A Montanha Mágica e Morte em Veneza.
Em 1929, recebeu o Nobel de Literatura. A Academia Sueca destacou especialmente sua produção como romancista, com ênfase em Os Buddenbrook.
Apesar da ascendência brasileira de Mann, o prêmio foi concedido a ele como escritor alemão e não representa um Nobel para o Brasil.
Por que não é possível conhecer todas as indicações?
Os registros do Nobel não permitem saber, atualmente, todos os escritores brasileiros que já foram indicados. A Academia Sueca mantém os arquivos fechados durante 50 anos, incluindo os nomes dos candidatos e das pessoas que fizeram as indicações.
Por isso, candidaturas mais recentes ainda não podem ser consultadas oficialmente.
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