Relembre a luta de Lito Sousa contra doença rara
Processo se deu de maneira muito rápida e, pouco depois do diagnóstico, influenciador foi perdendo capacidade física e cognitiva
Famosos e TV|Do R7
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O influenciador Lito Sousa, conhecido pelo canal “Aviões e Música”, morreu nesta quinta-feira (1).
Em 21/8, ele foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade rara, neurodegenerativa e fatal que provoca uma deterioração rápida do sistema nervoso.
De acordo com sua mulher, Mila Seidl, tudo começou com uma leve dormência no braço esquerdo que, em seguida, evoluiu para perda de movimentos.
De acordo com Mila, logo depois do diagnóstico, Lito já tinha perdido parte significativa dos movimentos.
Ainda lúcido, Lito fez um apelo para ser submetido a tratamentos experimentais no dia 23/08.
A doença, incurável e degenerativa, costuma avançar de maneira implacável — e foi assim com Lito.
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Torcedor fanático do Palmeiras, Lito ainda foi homenageado na data de aniversário do clube, antes da partida contra o Santos pela Copa do Brasil.
No dia 11 de setembro, Lito recebeu permissão da Anvisa para usar um medicamento experimental contra a doença, que, até então, só havia sido testado em animais.
Nesta quinta (1/10), Mila Seidl, mulher de Lito, publicou um vídeo em homenagem ao marido. “Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre”, escreveu ela.
Logo em seguida, o comunicado oficial sobre a morte de Lito foi publicado em suas redes sociais.
“É com profunda tristeza que comunicamos o falecimento de Lito Sousa. Lito dedicou grande parte de sua vida à aviação e à missão de compartilhar conhecimento. Com seu jeito único de ensinar, sua curiosidade e sua paixão, aproximou milhões de pessoas desse universo e inspirou muitos a seguirem seus próprios sonhos”, diz o texto.
O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob?
Segundo o Ministério da Saúde, o DCJ é uma doença neurodegenerativa, ou seja, provoca a perda progressiva das funções das células nervosas. Ela faz parte de um grupo de doenças conhecidas como encefalopatias espongiformes transmissíveis.
O nome está relacionado à aparência que o tecido cerebral pode apresentar durante a análise: com a destruição progressiva de células, o cérebro adquire um aspecto semelhante ao de uma esponja.
A doença é causada por uma proteína anormal chamada príon. Essas partículas são diferentes de vírus e bactérias: são formadas apenas por proteínas e apresentam grande resistência a processos físicos e químicos.
Quais são os sintomas?
Os primeiros sinais podem variar, mas a doença costuma provocar alterações neurológicas e cognitivas. Entre os sintomas descritos pelo Ministério da Saúde estão:
- perda de memória e demência;
- tremores;
- falta de coordenação motora;
- dificuldade para falar ou compreender a linguagem;
- alterações na visão;
- espasmos musculares;
- mudanças de comportamento;
- dificuldade para realizar movimentos.
Também podem surgir dor de cabeça, cansaço, sonolência e perda de apetite.
Um dos aspectos mais característicos da DCJ é a velocidade de progressão. As funções neurológicas podem se deteriorar em um período muito mais curto do que em doenças degenerativas mais conhecidas, como o Alzheimer.
Como a doença surge?
A forma mais comum é a esporádica, responsável por aproximadamente 85% dos casos. Nessa situação, não é possível identificar uma causa ou fonte de infecção específica.
Entre 5% e 15% dos casos são classificados como hereditários. Eles estão relacionados a alterações no gene PRNP, que participa da produção da proteína priônica. Um teste genético pode identificar essas mutações.
Existe ainda a forma iatrogênica, que representa menos de 1% dos casos conhecidos. Ela está associada a situações médicas muito específicas, como determinados procedimentos realizados com instrumentos contaminados ou alguns tipos de transplantes.
A DCJ é contagiosa?
Essa é uma das principais dúvidas em torno da doença. Segundo o Ministério da Saúde, não há evidências de transmissão pelo contato cotidiano.
Uma pessoa não contrai a DCJ por abraçar, beijar ou manter contato íntimo com alguém diagnosticado. Também não há evidências de transmissão pelo ar ou pelo compartilhamento de objetos comuns, como copos e talheres.
Os cuidados de prevenção estão principalmente relacionados a procedimentos médicos que possam envolver exposição a tecidos contaminados, com adoção de protocolos rigorosos de biossegurança.
Como os médicos identificam a doença?
O diagnóstico pode ser difícil porque os sintomas iniciais também aparecem em outras doenças neurológicas. Por isso, é necessário realizar uma investigação para descartar outras causas.
Entre os exames utilizados estão ressonância magnética, tomografia, eletroencefalograma e análise do líquido cefalorraquidiano. Testes genéticos também podem ser feitos quando existe suspeita da forma hereditária.
A confirmação definitiva depende da análise do tecido cerebral para identificar alterações características da doença e a presença da proteína priônica anormal.
Existe tratamento?
Atualmente, não há tratamento capaz de curar a DCJ ou impedir sua progressão. O atendimento é direcionado ao controle dos sintomas e às complicações provocadas pela doença. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 90% dos pacientes diagnosticados morrem em até um ano após o início dos sintomas.
Isso pode envolver acompanhamento médico, cuidados nutricionais, suporte psicológico e assistência para as atividades do dia a dia. O apoio à família também faz parte do cuidado, já que a evolução da doença pode ser rápida.
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