Cantor que virou baixista por acaso, Bira foi o xodó do programa do Jô

Músico baiano teve uma carreira de altos e baixos, mas encontrou rumo para a profissão quanto optou pelo baixo e foi para a TV

Bira: de cantor de bossa a baixista do Sexteto do Jô

Bira: de cantor de bossa a baixista do Sexteto do Jô

Reprodução TV Globo

Ubirajara Penacho dos Reis, o Bira, ficou marcado por participar do Sexteto do Jô durante 25 anos.

Mas a trajetória do músico baiano que morreu na manhã deste domingo (22), aos 85 anos, vai além do sucesso atingido pelo programa de TV.

Nascido em Salvador no ano de 1934, Bira nem sequer tinha a intenção de ser artista nos primeiros anos de vida.

Segundo a biografia que o músico disponibiliza no perfil da Bass Total, a ideia da família era torná-lo médico. No entanto, ele diz que mudou de ideia ao ver uma autopsia e nunca mais quis pensar naquilo.

A partir de então, Bira investiu inicialmente na carreira de cantor. Fã de jazz e bossa nova, ele passou anos como vocalista de bandas em Salvador, onde foi bastante requisitado para se apresentar na noite durante as décadas de 1950 e 1960.

A carreira começou com o grupo Quinteto Melódico Itapuã. Em seguida, ele foi convidado para cantar no quarteto da boate Montecarlo e depois no Hotel da Bahia, com o trio do pianista Jessildo Caribé, da família do pintor argentino/baiano. 

Por lá, se apresentavam Elizeth Cardoso, Zimbo Trio e Wilson Simonal, entre outros grandes nomes da música brasileira. Foi lá que Bira viu o Luiz Chaves, do Zimbo Trio, e resolveu aprender melhor como tocar o contrabaixo.

Bira também participou de um dos mais emblemáticos eventos daquele período: o I Festival de Bossa Nova da Bahia, em que ainda se apresentaram os então desconhecidos Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Bira tinha projetos paralelos à TV

Bira tinha projetos paralelos à TV

Reprodução/Facebook

No fim da década de 1960, ele fez o que muitos músicos do Nordeste fizeram naquela época: ir para São Paulo ou para o Rio. No caso de Bira, a cidade escolhida foi São Paulo.

E logo depois de chegar, ele conseguiu passar em um teste do programa do Chacrinha para integrar a banda do apresentador. No entanto, como as gravações da atração passaram a ser no Rio, ele abandonou o posto e foi fazer outras coisas. 

Em 1970, Bira recebeu convite para trabalhar no programa Silvio Santos, o que mudaria a vida dele.

Além de ter emprego fixo pela primeira vez na vida, o trabalho na emissora garantiria a ele o sucesso, já que foi participando da banda do Jô Soares que ele virou famoso, principalmente por sua risada, que sempre acompanhava as piadas contadas pelo apresentador.

Foi por lá também que ele conheceu o pianista Osmar Barutti, que se tornou parceiro, amigo e vizinho de Bira. Os dois montaram o Bira Bossa Jazz, banda que rodou o Brasil na última década.

Apesar dos projetos paralelos, Bira assumiu que o fim do programa, em 2016, pegou ele de surpresa. Em entrevista a Danilo Gentili em 2018, o músico comentou que sentia falta da ocupação. 

"Sinto muita falta. Minha mulher fala que eu não estava preparado para o término do programa, e não estava mesmo. Tomei um soco no queixo que ainda não levantei. Eternamente vou sentir falta", afirmou na entrevista ao The Noite.

"O Jô foi um dos maiores amigos que eu fiz na minha vida.  Tinha muito orgulho de trabalhar naquele programa. Ajudou a mudar minha vida. Fiz muitos amigos", acrescentou.