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Corpo de sambista Wilson das Neves será velado no Rio de Janeiro

Lendário e influente sambista morreu neste sábado (26)

Música|Da Agência Brasil, com Agência Estado

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Corpo de Wilson das Neves é velado na quadra da Escola de Samba Império Serrano, da qual era padrinho da bateria, em Madureira
Corpo de Wilson das Neves é velado na quadra da Escola de Samba Império Serrano, da qual era padrinho da bateria, em Madureira

O baterista e sambista Wilson Das Neves morreu na noite desse sábado (26) no Rio de Janeiro. O instrumentista, famoso pelo bordão Ô Sorte!, lutava contra um câncer. A família publicou a notícia na página do artista no Facebook.

"É com grande pesar que comunicamos a todos a partida do nosso grande mestre que foi tocar suas baquetas do outro lado. Ficaremos com as boas lembranças. Salve nosso Mestre! Salve Wilson Das Neves!", diz o post.


A Escola de Samba Império Serrano, onde o sambista era padrinho de bateria, também publicou post de pesar na sua página no Facebook e declarou luto de três dias. "O Império e a sinfônica do samba lamentam o falecimento de seu baluarte. O Império declara luto oficial de três dias."

O corpo de Wilson das Neves será velado a partir das 16h de hoje (27), na quadra da Escola de Samba Império Serrano, da qual era padrinho da bateria, em Madureira, bairro da zona norte da cidade.


O sepultamento será amanhã (28) às 10h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, também na zona norte.

Trajetória


Wilson das Neves nasceu em 4 de julho de 1936, no Rio de Janeiro, e foi músico de estúdio na extinta Copacabana Disco, onde chegou a integrar conjuntos como o de Steve Bernard e Ed Lincoln.

Gravou com músicos e cantores e compositores importantes da música brasileira, como Elza Soares, Wilson Simonal, Roberto Carlos, Taiguara, Elizeth Cardoso e Chico Buarque. Com sua própria banda, em 1969, pela antiga Polydor, gravou seu segundo disco Som Quente É o das Neves e, no ano seguinte, o LP Samba Tropi - Até aí morreu Neves, desta vez pelo selo Elenco/Philips.


Wilson das Neves, em 1975, participou da gravação dos discos Lugar Comum, do músico João Donato; e Meu Primeiro Amor, da cantora Nara Leão. Tempos depois fez o terceiro disco com o seu conjunto, o LP O Som Quente É o das Neves, em que estreou como cantor e compositor.

Foi ritmista na escola de samba Império Serrano, onde tocava tamborim. Ao longo da vasta carreira teve também como parceria, como compositor, nomes como Nei Lopez, Paulo Cesar Pinheiro e Aldir Blanc.

Wilson era há anos integrante do grupo de Chico Buarque, que dizia que era "o cantor do baterista"
Wilson era há anos integrante do grupo de Chico Buarque, que dizia que era "o cantor do baterista"

Amigo de Chico Buarque

Coautor do clássico "O samba é meu dom", parceria com Paulo César Pinheiro — ele também compôs com Moacyr Luz, Aldir Blanc, Martinho da Vila —, Das Neves tinha mais de 60 anos de carreira. Era conhecido no meio musical pelo bom humor, a paixão por sua escola de samba, o Império Serrano, que nasceu depois dele, além da expressão de contentamento "ô sorte!".

Consagrado como um dos bateristas mais elegantes da música brasileira, Wilson era também amigo de Chico Buarque, e há anos integrante de seu grupo. "Ele não era baterista da minha banda. Eu é quem era o cantor do baterista", costumava dizer Chico.

No último disco de Chico, chamado Caravanas, Das Neves cedeu lugar a Jurim Moreira. Com uma das mais longas fichas corridas da música brasileira, Wilson das Neves prestou mais de 50 anos de trabalhos aos mais importantes músicos do Pais e participou de mais de 600 gravações.

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