"Eu vi meu pai morrer", diz filha de músico do Virgulóides
Fernanda Cassettari ainda comentou que, se hospital tivesse internado Marcello, ele poderia ter lutado pela vida
Música|Helder Maldonado, do R7

Marcello Cassettari, músico de apoio da banda Virgulóides e líder do grupo Matilha BR, morreu na última segunda-feira (20) na Praia Grande, litoral de São Paulo.
O caso que resultou na tragédia pode ter sido resultado de negligência médica, segundo a filha do artista, Fernanda Cassettari.
Após escorregar no banheiro de casa na manhã de domingo (19) e bater as costelas no vaso sanitário, Marcello buscou atendimento primeiramente na Unidade de Pronto Atendimento Quietude, onde foi erroneamente submetido a um raio-x da bacia. Por falta de estrutura para continuar o atendimento, a equipe recomendou que ele fosse até o Hospital Municipal Irmã Dulce, na mesma cidade.
Segundo Fernanda, foi a partir daí que a falta de cuidados necessários para a gravidade do caso começou.
— Para esse traslado não ofereceram nenhum transporte adequado. Eu o levei de carro. Chegando ao Irmã Dulce, ele precisou aguardar duas horas para ser atendido pelo ortopedista, que estava em horário de almoço. Após fazer uma radiografia, ficou constatado que ele havia quebrado uma costela. Para um diagnóstico completo, um exame de sangue foi solicitado. Como ainda era a parte da tarde e o resultado estava previsto para às 21h, fomos liberados para voltar pra casa e retornar apenas no horário noturno.
Durante o atendimento, Fernanda ressalta que o pai não recebeu assistência adequada e precisou aguardar de pé, mesmo pesando 140 quilos e avisando que sentia dores agudas próximo às costelas. Além disso, Marcello sofria de cirrose hepática, condição clínica que foi mencionada pela filha em todas as etapas do atendimento.
— As pessoas simplesmente ignoraram esse problema de saúde do meu pai durante o processo. Era ao menos para ter sido levado em conta. Mas não. Ao voltarmos à noite, o outro ortopedista reavaliou a radiografia e encontrou mais uma costela quebrada. Receitou Tramal sem especificar a quantidade e pediu para ele colocar gelo no local.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Hospital Municipal Irmã Dulce informou que a diretoria clínica da instituição ainda não conseguiu finalizar a análise do histórico do paciente.
Fernanda também relata que a perfuração de órgãos sequer foi cogitada nas etapas de atendimento.
— Ele voltou pra casa, dormiu e às 11h de segunda-feira a minha madrasta me ligou avisado que o meu pai estava com muitas dores. Assim que pude, fui até lá. Cheguei junto com o SAMU, que o atendeu em casa, mas ele não resistiu e morreu antes de poder ir para o hospital. O corpo ficou das 14h30 até às 18h aguardando o IML. Eu vi meu pai morrer. Isso me abateu demais.
Segundo Fernanda, a constatação de que pode ter havido negligência veio com o atestado de óbito, que apontou perfuração do baço como uma das causas da morte do músico.
— Agora terei que procurar um advogado para ir atrás dos meus direitos nesse caso. Eu só quero que a Justiça seja feita. Se o hospital tivesse internado o Marcello ou transferido para o Hospital das Clínicas desde o começo, ele poderia ter lutado pela vida. Seria menos doloroso do que saber que ele morreu mesmo com chances de tentar.















