Gabriel Diniz se vai no auge de uma carreira curta e de um sucesso só
A morte de artistas com mais tempo de fama e meia dúzia de grandes sucessos não causaria a mesma repercussão que estamos vendo com Diniz
Música|Marco Antonio Araujo, do R7

Chico Buarque ganhou o Prêmio Camões de Literatura. O filme Bacurau foi consagrado pelo júri do Festival de Cannes. Mas o Brasil perdeu Gabriel Diniz — o da simpática Jenifer. Não se pode ter tudo.
Muito menos entender como se constrói o sucesso, o reconhecimento e o sentimento de perda nestes tempos de internet e redes sociais.
Fenômenos de públicos e celebridades instantâneas agora nascem a todo instante. A maioria viraliza e depois cai no esquecimento. Jamais saberemos se o jovem cantor emplacaria mais um sucesso. O fato é que, conhecido por apenas uma música, Diniz leva a nação ao luto, monopoliza o noticiário e passa a ser tratado como o grande artista que um dia poderia ter sido. Mas não foi.
Claro que deve haver alguma particularidade, um brilho próprio, um carisma que desperta comoção em milhares de pessoas. Também devemos nos lembrar de como morte e juventude não combinam, além das circunstâncias trágicas de um desastre de avião.
Não vou citar nomes, porém é fácil imaginar um artista com mais tempo de fama e com meia dúzia de grandes sucessos vindo a falecer sem causar o mesmo interesse que estamos vendo no caso de Diniz.
Ficamos sem o talento despojado e simples que se revelou no último e tão recente Carnaval — e novamente somos obrigados a constatar como a vida é frágil e sujeita a acidentes, evitáveis ou não.
Aos familiares, amigos e fãs de Gabriel Diniz, nossos sentimentos. Muito triste alguém partir assim, no auge da carreira.















