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Marília Mendonça: por que a cantora ainda é considerada a rainha da sofrência

Brasil se despediu da Rainha do Sertanejo há cinco anos em um acidente aéreo

Música|Carol Malheiro, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Marília Mendonça, uma das maiores cantoras do Brasil, faleceu em um acidente aéreo em 2021, deixando um legado significativo na música sertaneja.
  • Iniciou sua carreira como compositora aos 13 anos e lançou seu primeiro show profissional aos 20, tornando-se a artista mais escutada do país na última década.
  • Foi pioneira na representatividade feminina no sertanejo, destacando o empoderamento feminino e rejeitando o termo "feminejo" para promover igualdade de gênero.
  • Marília conquistou reconhecimento internacional, vencendo dois Grammys Latinos por Melhor Álbum de Música Sertaneja, incluindo um álbum póstumo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Marília Mendonça deixou um grande legado para a música sertaneja Reprodução/Instagram/@mariliamendoncacantora

O Brasil se despediu de uma das maiores compositoras e cantoras da história do país há cinco anos. No dia 5 de novembro de 2021, uma sexta-feira, o avião bimotor que levava Marília Mendonça, o tio Abicieli Silveira Dias Filho, o produtor Henrique Bahia, o piloto Geraldo e o copiloto Tarciso, caiu em Piedade de Caratinga, Minas Gerais. Nenhum sobrevivente.

As músicas da cantora associadas à sofrência foram substituídas pelo doloroso silêncio que tomou conta do Brasil naquela tarde. Quando se despediu dos palcos, Marília tinha mais de dez anos de carreira.

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Trajetória

Aos 13 anos, ela procurou Wander Oliveira, fundador do escritório de gerenciamento de carreiras artísticas Work Show, com uma coleção de músicas escritas. Ele se tornou seu empresário e, a princípio, apostou nela como compositora. Escreveu letras que se tornariam populares nas vozes de duplas famosas, como Minha Herança, de João Neto & Frederico, e Até Você Voltar, de Henrique & Juliano.

Em agosto de 2015, aos 20 anos, ela fez o primeiro show profissional da carreira na cidade de Itaituba, no Pará. No ano anterior, havia lançado o primeiro EP, chamado intitulado com seu próprio nome. Entre as principais faixas estavam Alô Porteiro, O Que Falta em Você Sou Eu e Sentimento Louco.

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Ao todo, Marília lançou sete álbuns e 11 EPs. Segundo o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), a cantora tem 345 obras musicais e 482 gravações cadastradas no banco de dados da instituição. Na última década, ela foi a artista mais escutada do país e seguiu liderando as plataformas digitais, mesmo após a sua morte.

No Spotify, ela foi a primeira artista nacional a passar a marca de 10 bilhões de streams e é dona da música mais escutada da década, Leão, que possui mais de 545 milhões de reproduções na plataforma. Foi com essa trajetória que ela ganhou o título de Rainha da Sofrência ou também Rainha do Sertanejo e foi eternizada na memória da música brasileira.

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Legado

O principal legado deixado por Marília foi a representatividade feminina no cenário sertanejo. O gênero tradicionalmente associado a artistas masculinos tinha mulheres nos palcos desde 1938 com as Irmãs Castro, mas foi a partir da década de 2010 que de fato elas começaram a assumir o protagonismo.

Ao lado de duplas como Maiara & Maraísa e Simone & Simaria, Marília revolucionou o mercado com letras que destacavam o empoderamento feminino. Ela rejeitava o termo “feminejo”, defendia que esse rótulo apenas aumentava a segregação e competitividade de gênero e que as mulheres deveriam ocupar um espaço de igualdade.

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Escrevia músicas que diziam que as mulheres também podiam beber, sofrer por um relacionamento, cometer erros com os amados, ir atrás dos seus objetivos e vencer. As letras geravam um forte impacto com o público, o que se tornou outro grande diferencial da carreira de Marília: a identificação com os fãs.

“Antes da Marília, a gente não tinha um cantor que impactasse o público em geral. Existem muitos nichos, mas ela conseguia atender a todos os públicos. Ela cantava uma música muito real, que gerava muita identificação”, diz Daniel da Silva Alves, um dos últimos fãs da cantora a conversar com ela, ao R7.

No dia de sua morte, pela manhã, Marília sorteou fãs para fazer uma ligação especial. Ela lançava o videoclipe da música Fã Clube, parceria com Maiara & Maraísa, e queria fazer uma surpresa especial. Daniel contou que foi uma ligação rápida, mas muito importante. Marília o chamava de “gatinho” e encerrou a chamada com “Eu amo você”.

“Parece que foi realmente uma despedida. Ela fazia direto essas coisas de ligar direto para fãs. Mas, depois do que aconteceu, eu fiquei muito pensativo, demorei muito para assimilar tudo que aconteceu. Demorei muito para me recuperar psicologicamente. Porque foi algo que me abalou muito. Foi uma ligação com muito carinho”, conta.

Espalhados pela internet, são mais de 500 fã-clubes dedicados a prestar homenagens à cantora até os dias atuais. Horas antes do acidente fatal, a música dedicada às pessoas que acompanhavam a cantora de perto foi lançada e, no horário da divulgação da morte de Marília, o clipe já acumulava mais de 2 milhões de visualizações.

Marília também é reconhecida internacionalmente; ela venceu o Grammy Latino duas vezes por Melhor Álbum de Música Sertaneja. Em 2019, por Todos os Cantos, e em 2023, pelo álbum póstumo Decretos Reais.

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