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Rapper Luiz Fernando Prod fala sobre singles e o grupo Primeiro Ato

Prod começou a escrever rap com 13 anos de idade

Música|Do R7

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O rapper Luiz Fernando Prod segue a linha do "mão pra toda obra" no hip-hop acumulando as funções de produtor, beatmaker, MC e letrista. Ele tem 29 anos de idade e terminou neste ano a faculdade de Administração, mirando também fazer a gestão da própria carreira musical.

"Para administrar é necessário algumas teorias, você não pode pôr algo em prática sem ter a teoria como conhecimento, encaro a música, o meu trabalho, como uma empresa", disse.


Integrante do grupo Primeiro Ato, Prod também está produzindo seus primeiros single que devem ser reunidos num possível EP solo. No mês passado, ele lançou a música Pega a Visão. Confira a entrevista exclusiva com o rapper do Jardim Edu Chaves, na zona Norte de São Paulo.

R7: Quando você começou a ouvir rap?


Prod: Comecei a ouvir rap no começo dos anos 90. Era Run Dmc, Public Enemy, Beastie Boys, claro que não ouço apenas rap, gosto de jazz, blues, funk, soul e rock. Porém, pelo rap eu tenho um carinho imenso e foi por causa desses três grupos que eu comecei a ouvir rap.

R7: Quando começou a escrever rap?


Prod: Comecei a escrever com 13 anos de idade. Na época, eu escrevia as letras e gravava com um gravador numa fita k-7. Eu ficava batucando num violão quebrado que tinha, porque na época eu nem sabia fazer batidas. Era um improviso digamos assim e a partir daí não parei mais de escrever rap.

R7: Você é membro fundador do Primeiro Ato ou grupo já existia? 


Prod: Na verdade, o Primeiro Ato era de um integrante que não faz mais parte, porém a amizade continua firme e forte até hoje. Eu entrei no grupo em 2008 e participei de um festival juntamente com o integrante que saiu. Naquela época, o Primeiro Ato era só ele. Eu fortaleci com ele no palco e no mesmo dia os demais integrantes entraram no grupo. Nós éramos amigos bem antes de firmar uma formação para o grupo.

R7: Quando e como começou a produzir? Como você desenvolve as suas batidas?

Prod: Quando eu comecei a gravar em um estúdio, com o Primeiro Ato, o produtor tinha o programa Fruity Loops e eu comecei a aprender algumas coisas. Era amador na época, mas sempre tive vontade de criar as minhas próprias batidas, ser totalmente independente, queria chegar no estúdio com tudo pronto e somente colocar a voz e mais nada. Instalei ele no meu PC e trabalho com ele até hoje. Os beats que faço saem do Fruity Loops e estou aprendendo cada vez mais. A maioria dos discos do Primeiro Ato tiveram Beats assinados por mim.

R7: Quais os trabalhos já lançados pelo Primeiro Ato?

Prod:Licença Pra Chegar, Original Favela, Xeque Mate, Rap Rua Verdadeiro foram os discos lançados, ao todo, foram oito clipes.

R7: Quem está na formação atual do Primeiro Ato? 

Prod: Dj Cleber, Gordinho e Eu

R7: O Primeiro Ato tem projeto para lançar algo no futuro?

Prod: Tem alguns projetos novos para serem lançados, estamos agora na gravadora Bagua Records e muitos lançamentos estão por vir, no momento não posso adiantar, por enquanto.

R7: Em “Conforme a música Dancei” tem um sample de Roberto Carlos. Como surgiu a ideia de incluir um símbolo tão representativo da música brasileira. Tem uma crítica implícita ou é uma homenagem?

Prod: Não sou muito fã do Roberto Carlos curto algumas músicas antigas dele, principalmente dessa que usei o sample da música “ Eu sou Terrível “, as partes que foram usadas encaixaram exatamente com a ideia da música, porque as pessoas costumam opinar sobre você, sendo que elas nem te conhecem, não sabem da onde você veio, o que você pensa. A música fala de superação, faço uma breve crítica a indústria que esquece que existem muitos talentos na periferia que eles fingem não ver, não dão oportunidade eu e finalizo a música assim “ conforme a música dancei, minha parte, vários são surdos mas ta viva a minha arte “. Quem fez os scratches foi o Mestre Dj RM.

R7: Qual a sua posição sobre os temas que estão ganhando força no rap? O que você acha do empoderamento feminino na sociedade e no rap?

Prod: O rap esta numa fase muito boa na minha visão, surgindo muitas ideias interessantes, todo tipo de tema abordado no Rap é válido, cada grupo tem sua responsabilidade quando esta com o microfone na mão, hoje o rap possui mais temas diversificados. Alguns grupos focam mais em protestos, outros focam mais no lado bom da vida, cada um, cada um, respeito todo tipo de tema. Sobre o empoderamento feminino, eu respeito muito, sou a favor da mulher ganhar muito mais espaço não só na sociedade mas no rap com certeza. A voz feminina sempre foi e sempre será fundamental para todos, as mulheres merecem muito respeito e muito mais espaço.

Prod também é integrante do grupo Primeiro Ato
Prod também é integrante do grupo Primeiro Ato

R7: Quais são as rappers que você ouve?

Prod: Posso citar uma que sou fã e que tive a oportunidade de conhecer que é a Dina Di a nossa rainha, Lauryn Hill, Queen Latifah, Negra Li, Dona Kelly são as que mais gosto e recomendo.

R7: Você também aborda a questão racial e o racismo nas suas letras? 

Prod: Toda forma de racismo tem que ser punida, todos tem que saber a história, olha eu escrevi uma letra e até gravei recitando que se chama “ Somos Iguais “, eu estudei muito os fatos que ocorreram com os negros, com os índios, foram anos de covardia e injustiça o que fizeram com os negros, com os índios, nessa letra eu tento passar uma mensagem de que devemos nos ver mais como seres humanos, eu sei claramente que o racismo existe e na minha opinião é uma doença, isso tem que ser combatido sim, tem que ser discutido sim. Independente de eu ser branco a minha missão é sempre passar uma mensagem para a massa, diga não ao racismo vamos nos ver mais como seres humanos e como dizia Bob Marley “ Enquanto a cor da pele dos homens for mais importante do que o brilho dos olhos, haverá guerra “. 

R7: Como se organizam os coletivos de cultura no Edu Chaves? Tem uma cena rolando por lá?

Prod: Eu participava e ajudava a organizar um Sarau que tinha alguns anos atrás, fazíamos com uma banda e quem quisesse cantar uma música, ler algum trecho de algum livro, recitar poesias seria muito bem vindo, porém por motivos pessoais dos que organizavam demos uma pausa com este projeto, mas pretendo num futuro breve organizar um novo sarau.

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