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Simca Chambord, Fuscão Preto, Opala e Brasília: os carros que ganharam lugar na música brasileira

Na semana do rock, relembre os automóveis que deixaram as ruas para se tornar personagens do cancioneiro nacional

Música|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Simca Chambord, Calhambeque de Roberto Carlos, Fuscão Preto e Brasília em destaque Simca/Acervo Pessoal Roberto Carlos/Filme Mamonas/Almir Rogério/Reprodução

Os carros sempre fizeram parte da música brasileira. Em diferentes estilos, do rock ao sertanejo, passando pela Jovem Guarda e pelo humor, alguns modelos deixaram de ser apenas meios de transporte para virar personagens das letras. Em muitos casos, a música ajudou a eternizar automóveis que já saíram de linha há décadas.

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Rock, vale lembrar que essa relação entre música e automóveis também ajudou a preservar parte da história da indústria brasileira.


Simca Chambord, Fusca, Opala, Corcel e Brasília são alguns dos modelos que continuam sendo lembrados não apenas pelos colecionadores, mas também pelas canções que atravessaram gerações.

O R7-Autos Carros relembra alguns destes sucessos de mercado e também da música.


Simca Chambord: símbolo de luxo no começo dos anos 1960 Simca/Divulgação

Simca Chambord: o sedã de luxo que virou rock

Entre os modelos mais exclusivos está o Simca Chambord, produzido no Brasil entre 1959 e 1967. Foi o primeiro automóvel de luxo fabricado em série no país e utilizava um motor V8 de 2,4 litros.


Nas primeiras versões, desenvolvia cerca de 84 cv, chegando a 100 cv após receber o motor Tufão em 1964. O sedã também ficou conhecido por participar da série O Vigilante Rodoviário e foi referência no começo dos anos 1960 como veículo com design moderno e luxo.

Simca Chambord: símbolo de luxo no começo dos anos 1960 Simca/Divulgação

Décadas depois do fim da produção, o carro voltou aos holofotes graças à banda Camisa de Vênus, que lançou a música Simca Chambord. A letra utiliza o automóvel como símbolo dos anos 1960 e faz referência ao período da ditadura militar ao citar: “Acabaram com o Simca Chambord”.


A música transformou o sedã em um dos carros clássicos mais lembrados do rock brasileiro, ainda que efetivamente o carro não tenha sido exatamente um sucesso de vendas.

Fuscão Preto: o carro mais famoso da música sertaneja

Se existe um automóvel que ultrapassou o universo dos apaixonados por carros, esse modelo é o Volkswagen Fuscão 1500.

Equipado com motor boxer de quatro cilindros refrigerado a ar de 1.493 cm³ e cerca de 52 cv líquidos, o Fuscão representava uma evolução do Fusca tradicional ao oferecer desempenho superior, bancos de encosto alto e acabamento diferenciado.

Importado a partir de 1950, montado a partir de 1953 e nacionalizado em 1959, o Fusca foi o popular mais famoso por décadas.

Almir Rogério é o Fusca Preto - disco de 1981 Almir Rogério/Reprodução

A fama nacional não veio com Fuscão Preto, sucesso gravado por Trio Parada Dura, Almir Rogério e diversos outros artistas. O refrão com “Fuscão Preto...você é feito de aço” transformou o carro em protagonista de uma história de amor e ciúme e fez tanto sucesso que originou até um filme lançado em 1983, quando efetivamente o Fusca já estava começando sua despedida do mercado, o que ocorreria em 1986, voltando depois entre 1993 e 1996.

Fusca produzido entre 1959 e 1986 e depois de 1993 a 1993 Garagem Volkswagen/Divulgação

Opala: potência lembrada pelo rock

O Chevrolet Opala também ganhou espaço na música brasileira. Lançado em 1968 como o primeiro automóvel de passeio da General Motors desenvolvido para o mercado nacional, o modelo foi produzido até 1992 e utilizou motores de quatro e seis cilindros.

Chevrolet Opala estacionado em uma estrada no Brasil Chevrolet/Divulgação

As versões equipadas com o conhecido seis-em-linha de 4,1 litros se tornaram referência entre os esportivos nacionais e consolidaram a fama do Opala como um dos carros mais desejados da indústria brasileira.

Dianteira do Chevrolet Opala Chevrolet/Divulgação

Essa imagem aparece no rock dos Raimundos. Na música Eu Quero Ver o Oco, a banda cita o modelo ao cantar “carro que eu gosto é Opala” e também no trecho “depois que eu tranquei os dedos na porta do Opalão”.

A música em si não é uma referência direta ao Opala, mas sim a algum carro de luxo que a banda denomina como “Opalão”. A referência reforça a ligação do sedã com desempenho e cultura automotiva, características que fizeram dele um dos clássicos mais valorizados pelos colecionadores.

Corcel: o cupê da Ford também entrou nas letras

Outro modelo lembrado pelos Raimundos é o Ford Corcel. Lançado em 1968, o carro nasceu de um projeto desenvolvido originalmente pela Willys em parceria com a Renault antes de ser incorporado pela Ford.

Ao longo de sua trajetória, recebeu motores 1.3, 1.4 e, posteriormente, 1.6 litro, ficando conhecido pelo conforto, economia e robustez. Foi produzido até 1987, já convivendo com o Del Rey, seu derivado até os anos 1990, e na Pampa, variante da picape, até 1996.

Ford Corcel II: produzido de 1978 a 1987 com motor 1.4 e 1.6 Ford/Divulgação

Na música Carrão de Dois, a banda faz referência ao modelo ao mencionar “meu Corcel”. Embora apareça de forma breve na letra, a citação mostra como o carro fazia parte do cotidiano de uma geração que cresceu nas décadas de 1970 e 1980.

Calhambeque de Roberto Carlos Acervo pessoal/reprodução

O Calhambeque colocou o automóvel no centro da Jovem Guarda

Muito antes dessas músicas, Roberto Carlos já havia transformado um carro em personagem principal. Gravada em 1964, O Calhambeque conta a história de um motorista apaixonado por um automóvel antigo.

A música é uma adaptação da norte-americana Road Hog, mas ganhou identidade própria ao trocar o Cadillac da versão original por um velho calhambeque, aproximando a história do público brasileiro.

Curiosamente, um calhambeque era uma referência aos veículos dos anos 1920 e 1930, que eram então clássicos na década de 1950 e 1960 no Brasil. O Ford Model A é a referência correta do veículo da música.

Dianteira do Calhambeque de Roberto Carlos Acervo pessoal/reprodução

Roberto Carlos sempre usou muitos automóveis em seus clipes de época. No filme Roberto Carlos a 300km por Hora,o destaque era o Dodge Charger R/T 1972, ano de lançamento do veículo, que, embora não fosse citado na música, aparece em diversos trechos do vídeo acelerando no autódromo de Interlagos.

Dodge Charger dos anos 1970 em “Roberto Carlos a 300/h” Acervo pessoal/reprodução

Brasília amarela virou símbolo dos anos 1990

Entre os carros nacionais, poucos ficaram tão associados à música quanto a Volkswagen Brasília. Produzida entre 1973 e 1982, utilizava a conhecida mecânica do Fusca, com motores boxer refrigerados a ar de 1,3 e 1,6 litro. Ao longo da carreira, ultrapassou um milhão de unidades produzidas e foi um dos automóveis mais vendidos do Brasil durante a década de 1970.

Brasília Amarela da banda Mamonas Assassinas Filme Mamonas Assassinas/Reprodução

Sua popularidade aumentou ainda mais graças aos Mamonas Assassinas. Em Pelados em Santos, a frase “Minha Brasília amarela está de portas abertas para ‘mode’ a gente se amar” tornou o hatch um dos carros mais conhecidos da música brasileira.

O veículo utilizado no clipe acabou se transformando em um dos maiores símbolos da banda e permanece até hoje como uma referência da cultura pop nacional.

Quando a música preserva a história dos carros

Enquanto muitos modelos desapareceram das ruas, eles continuam vivos na memória por causa da música. O Simca Chambord representa o luxo dos anos 1960. O Fuscão Preto tornou-se um dos maiores sucessos da música sertaneja. O Opala segue como símbolo de desempenho entre os clássicos nacionais.

O Corcel lembra a expansão da indústria automobilística brasileira. O Calhambeque marcou a Jovem Guarda e a Brasília Amarela se transformou em um ícone da década de 1990.

Até mesmo referências como a do esportivo Charger R/T dos anos 1970, que não foi citado na música, mas virou destaque em filmes e clipes como os de Roberto Carlos, ajudam a tornar o automóvel um objeto de desejo através das gerações.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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