Logo R7.com
RecordPlus
R7 Música

Irmãs de Pau enfrentam transfobia em show e se pronunciam oficialmente

Vita Pereira e Isma Almeida confrontaram grupo que debochava de sua presença e esclareceram falas polêmicas nas redes sociais.

TMJ Brazil

TMJ Brazil|Do R7

  • Google News
Irmãs de Pau enfrentam transfobia em show e se pronunciam oficialmente TMJ Brazil

Na última segunda-feira (22), o duo Irmãs de Pau, formado pelas cantoras Vita Pereira e Isma Almeida, se manifestou em suas redes sociais após sofrerem episódios de transfobia enquanto se apresentavam nos palcos do Super Tenda, em São Paulo, no último final de semana. As artistas já haviam se pronunciado sobre a situação durante a apresentação, mas reforçaram sua posição por meio de uma nota oficial, após a repercussão das falas.

Durante o show, as integrantes perceberam que um grupo de pessoas próximas à grade do palco as debochava e virava as costas, mostrando desrespeito à presença delas. Elas decidiram confrontar o comportamento diretamente, lembrando que estavam ali justamente para ocupar aquele espaço, igual a qualquer outra artista:


“Vocês acham que a gente não vê aqui de cima? A gente vê tudo […] respeita o corre das travestis, a gente veio do mesmo lugar que vocês, e vocês aqui, pagando para ver travesti.”

Em comunicado oficial, as Irmãs de Pau explicaram que situações de desrespeito e violência simbólica não são novidades, mas que naquele dia resolveram reagir e não se calar diante do público que zombava de sua presença:


“Durante o show, infelizmente, vivenciamos situações de desrespeito e violência simbólica. Alguns homens, que estavam próximos à grade do palco, passaram boa parte da nossa apresentação rindo, de costas e zombando da nossa presença. Isso não é novidade em espaços dominados por um público hétero cisnormativo, mas nesse dia decidimos reagir ali mesmo, em cima do palco.”

As artistas reforçaram que a reação se apoiou no conhecimento de suas origens e na importância do posicionamento político, ferramenta fundamental que as trouxe até ali:


“Não ficamos caladas, pois, além de artistas, sabemos de onde viemos e reconhecemos a principal ferramenta que nos trouxe até aqui: o posicionamento político. A transfobia estrutural também nos atinge há muito tempo. Não é de hoje que denunciamos essas situações e exigimos respeito em espaços que também são nossos.”

Durante o momento de repúdio em cima do palco, Isma proferiu uma fala que acabou sendo interpretada como ofensiva nas redes sociais. Ao se referir ao grupo que zombava, ela fez referência ao salário dos trabalhadores, destacando que parte do dinheiro deles estava sendo destinado àqueles que a apoiavam como artista:


“Seu salário do CLT tá vindo para o meu bolso. Não adianta ficar de costas, eu já tô acostumada com vocês pedindo no sigilo.”

No comunicado oficial, as integrantes esclareceram que a intenção jamais foi atacar a classe trabalhadora. Elas explicaram que a crítica era direcionada apenas àqueles que desrespeitaram o trabalho artístico delas, e reforçaram seu vínculo com suas origens e comunidade:

“No calor do momento, Isma se expressou de maneira atravessada ao rebater os ataques, e pedimos desculpas se algumas palavras soaram ofensivas para trabalhadores CLT. Valorizamos imensamente o trabalho digno de quem acorda cedo e batalha o mês inteiro, muitas vezes para pagar ingresso e apoiar artistas como nós. A crítica foi direcionada àqueles que nos desrespeitaram, não à classe trabalhadora – da qual viemos, fazemos parte e seguimos profundamente conectadas.”

As Irmãs de Pau também aproveitaram a oportunidade para reafirmar seu compromisso com as comunidades marginalizadas e reforçar que sua luta ultrapassa a própria arte, abrangendo questões sociais que impactam diretamente os territórios de onde vieram:

“Àqueles que nos atacam: viemos dos mesmos territórios, mas escolhemos caminhos de resistência e de afirmação. Enquanto não nos reconhecemos como comunidade, como classe, eles seguirão nos separando e nos oprimindo. Nossa luta segue contra a PEC da Bandidagem, contra a miséria, contra a criminalização do funk, contra qualquer tipo de violência e mobilizando os nossos para pautas que realmente nos afetam enquanto sujeitos e artistas.”

Após os acontecimentos, o duo segue com sua agenda de shows, com datas já confirmadas em Belém e Florianópolis ainda neste ano.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.