Serviço hospeda torneios amadores e se torna líder em e-Sports
R7 entrevistou o CEO da game.tv, serviço que atingiu 11 milhões de assinantes e hospeda um novo torneio por minuto
Games|Filipe Siqueira, do R7

O mundo dos torneios de e-Sports se fragmentou. Há alguns anos, o envolvimento de gigantes como Valve e Riot! era indispensável para a criação de um torneio competitivo que chamasse atenção. Hoje, plataformas e apps são capazes de dar aos jogadores o poder de criar torneios próprios, mais rápidos, acelerados e nivelados.
A maior delas é a game.tv, que em seis meses já somou mais 11 milhões de registros de torneios amadores — segundo a empresa, a cada minuto uma competição é hospedada por lá.
A ideia da plataforma é dar aos jogadores mais envolvimento a cada torneio: além de hospedar as competições, a game.tv também adiciona comunidades, dá suporte para os criadores, incentiva o aparecimento de influenciadores e até distribui prêmios.
A empresa também aposta na criação de torneios exclusivamente femininos como um diferencial diante dos concorrentes.
Jogos como Free Fire, Clash Royale e Call of Duty Mobile são suportados, além de funções do tipo guildas para jogadores iniciantes e chats de voz e texto.
Mudanças no mercado
O sucesso rápido da game.tv é também explicado pelo nosso atual contexto de pandemia, que diminui o impacto de grandes torneios e exige competições e grupos cada vez mais regionais.
Além do fato de incentivar eventos mobile, uma plataforma muito mais popular que computadores e consoles.

Para entender essa nova realidade, conversamos com o CEO da game.tv, Rosen Sharma, que comentou sobre um novo cenário do mercado de eSports, covid-19 e a posição do Brasil nessa realidade.
R7: Em uma era dominada por torneios gigantes, game.tv representa um novo passo nos e-Sports, com eventos menores e mais "amadores"?
Rosen Sharma: Quando se trata de esportes eletrônicos, a maior parte da receita é gerada por patrocínios centrados em um grande evento físico. Esses torneios são restritos a 0,01% dos melhores jogadores. A maioria dos amadores não consegue chegar a esse estágio.
Há uma necessidade de substituir esses grandes eventos por dezenas de milhares de torneios menores, amadores, que não possuam restrições logísticas e são mais inclusivos para jogadores em todas as plataformas.
As plataformas móveis têm vantagens neste cenário mais descentralizado?
De uma perspectiva puramente matemática, os esportes eletrônicos para PC/console são um nicho, enquanto os dispositivos móveis são a tendência. O acesso e a penetração de jogos de todos os gêneros para celular é significativamente maior do que em outras plataformas, onde o custo por si só cria uma barreira enorme para muitos jogadores.
O mobile estar no topo é um subproduto de várias forças de mercado que agora estão se acelerando com o advento do 5G, além da proliferação em massa de smartphones. Além disso, com a proliferação de esportes eletrônicos móveis, esse modelo pode se sustentar com microtransação estabelecidas através do modelo freemium — aperfeiçoado no celular e ainda muito nascente em PCs e consoles, e é por isso que vemos os principais fluxos de receita para os e-Sports ainda vindos de patrocínios.
Resumindo: como resultado das forças do mercado que impulsionam a adoção dos esportes móveis (5G, custo de entrada, facilidade de monetização e amplitude de penetração), há descentralização e democratização dos esportes eletrônicos móveis onde há menos necessidade de eventos singulares e espetaculares.
Leia também
A pandemia global de covid-19 poderia ter ajudado o rápido crescimento de usuários da plataforma? Como você enxerga isso?
As restrições relacionadas ao covid-19 do ano passado geraram um aumento do interesse em jogos online, mas o crescimento era considerável mesmo antes dos bloqueios. Devido às restrições de bloqueio, a maioria dos torneios de eSports offline foram cancelados. Isso teve um sério impacto na receita da indústria esportiva, uma vez que, como dito anteriormente, a maior parte das receitas foi gerada por patrocínio.
Com a ascensão dos jogos para celular e plataformas de streaming online, esperamos
mais eventos virtuais, focados em jogos amadores.
O serviço utiliza inteligência artificial para auxiliar na criação de torneios. Como esse sistema funciona?
Tourney é o assistente de IA que gerencia a automação de torneios na game.tv. É usado em
toda a experiência do usuário dentro da plataforma: desde a organização de uma partida, até o momento da competição, além de ajudar na execução de partidas sem problemas e para determinar vencedores e perdedores.
Do lado da organização, por exemplo, Tourney automaticamente convida os participantes para uma sala, avisa os concorrentes sobre os horários de início da partida e cria rankings de pontuações para que os jogadores possam competir contra pessoas do mesmo nível.
Uma vez que uma partida é concluída, a IA valida quem ganhou, transfere competidores para novas salas conforme necessário e envia prêmios para o vencedor final.
Vemos o torneio como um facilitador de jogadores amadores para praticar e treinar com agilidade para alcançar as ligas principais. No futuro, nosso plano ajudará esses jogadores amadores a encontrar um caminho para se tornar profissional.
Além da criação de torneios exclusivamente femininos, a game.tv possui alguma outra iniciativa para diversificar o público dos eSports?
Além de encorajar mais participação feminina em eventos de jogos e esportes eletrônicos, por meio de exclusividade torneios, também pretendemos oferecer suporte financeiro por meio de prêmios semanais, e dar oportunidades a ambos, homens e mulheres, se tornarem narradores.
O Brasil é um dos 17 países em que a game.tv está presente. Qual a importância do nosso país hoje para os eSports?
O Brasil está entre os países que mais crescem na indústria de esportes eletrônicos. Para a game.tv, o Brasil já está entre os principais países em termos de participação de usuários. Esperamos conseguir números muito mais altos.
LEIA ABAIXO: Fortnite na liderança: confira games mais jogados no mundo
Criado há menos de dez anos, Fortnite está no topo dos games mais jogados do mundo, desde 2017, segundo pesquisa da rede britânica, Game, que mostra quais os games mais jogados do mundo. Além de mostrar o ranking, saiba quanto tempo de jogo teriam os ...
Criado há menos de dez anos, Fortnite está no topo dos games mais jogados do mundo, desde 2017, segundo pesquisa da rede britânica, Game, que mostra quais os games mais jogados do mundo. Além de mostrar o ranking, saiba quanto tempo de jogo teriam os games, somando todos o tempo de todos jogadores


























