Animação de Marcelo de Moura é indicada ao Emmy Kids Internacional: "Foi uma novidade muito boa"
Animador levou dois anos e meio para dirigir SOS Fada Manu
Pop|Aurora, Aguiar, do R7

A SOS Fada Manu, série de desenho animado brasileira produzida pela Boutique Filmes e Lightstar Studios, e exibida pelo canal Gloob, foi indicada ao Emmy Kids Internacional 2016. Os concorrentes da premiação foram anunciados nesta segunda-feira (17) pela Academia Internacional de Artes & Ciências da Televisão.
Com quase 30 anos de experiência na indústria de animação, Marcelo De Moura, diretor e produtor do filme, levou dois anos e meio para dirigir a série. Ele falou sobre como recebeu a notícia.
— Eu achava que fosse ter uma segunda-feira “normal”, e não! Foi uma novidade muito boa. Acho que a pegada mais forte do SOS está exatamente na alta dose de comédia e nos mais diferentes tipos de personalidades de cada personagem, que acabam roubando a cena de cada episódio.

Para a concepção do projeto, Marcelo contou com uma equipe formada por 70 pessoas, que incluiu artistas do Brasil, Espanha e Canadá, além de técnicos e atores que dublaram as vozes dos personagens. O orçamento foi de R$ 3 milhões.
A irlandesa Jean Demoura, diretora da Lighstar e parceira de Marcelo, acredita que a série só foi indicada porque foi feita com uma temática universal.
— Como mãe de duas crianças, procurei levar para o público a responsabilidade de ser consciente, isto é, de que as pessoas podem e devem se divertir, mas não às custas dos outros. Isso não quer dizer que você não pode dar risada e rir de você mesmo.
Inspirada na convivência que Jean teve com sua avó, na Irlanda, quando criança, SOS Fada Manu conta a história de uma menina de 10 anos, que, sob orientação da avó, uma experiente fada madrinha aposentada, passa a resolver os problemas de moradores do reino encantado.
A cerimônia de entrega do prêmio acontece em Cannes, na França, em 4 de abril de 2017.
Trajetória
Moura começou um tanto precoce. Aos 13 anos, quando já sabia que queria trabalhar com desenhos animados, decidiu enviar um portfólio, uma pasta cheia de desenhos do Mickey Mouse, para a Disney. Eles responderam mandando tudo de volta e dizendo que desenhar o ratinho mais famoso do mundo ele aprenderia lá e que deveria se concentrar mais nos estudos naquele momento.
Anos depois, Marcelo fez faculdade de Publicidade e Propaganda na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo, cidade onde começou também a trabalhar na área, mas sabia que a carreira que desejava, de animador, teria que ser feita no exterior.
Ele foi para a Irlanda, bateu na porta do diretor Don Bluth (que fez filmes como Anastácia e Fivel – Um Conto Americano) e conseguiu trabalho em seu estúdio em Dublin. Foi esse trabalho que deu a Moura a possibilidade de realizar um antigo sonho: entrar na equipe de animação da Disney, onde participou da criação de clássicos como Mulan e Pocahontas. O animador conta que teve a sorte de ter bons mentores, que lhe ensinaram muita coisa.
— Uma das pessoas que foi mais importante na minha vida profissional foi o diretor Brad Bird. Fui um dos supervisores de animação da equipe dele e participei do filme como O Gigantede Ferro.

