Baby Do Brasil avalia impacto dos Novos Baianos: "À frente do tempo"
Banda se apresenta em São Paulo no dia 1º de setembro
Pop|Helder Maldonado, Do R7

Embora fosse bastante aguardado, muitos fãs não apostavam mais em um retorno dos Novos Baianos. A banda decidiu retomar as atividades após ser convidada para se apresentar na reinauguração da Concha Acústica de Salvador, em 2016.
Desde então, a demanda de novos shows cresceu e eles decidiram atender os pedidos dos fãs e contratantes, saindo em uma turnê que já dura um ano e não tem data para acabar.
Essa tem sido a oportunidade para uma nova geração de fãs ver, pela primeira vez em 17 anos, a formação original da banda (Moraes Moreira, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão). A última reunião ocorreu entre 1997 e 1999, para divulgação do disco Infinito Circular.
Em entrevista ao R7, Baby, que se apresenta com o grupo em 1º de setembro no Espaço das Américas, explica o que motivou essa continuidade, comenta as fusões de gêneros realizadas pelo grupo, avalia o impacto da banda mesma quatro décadas após o surgimento.
R7 — Os Novos Baianos viraram um mito, inclusive para uma nova geração. Por que acham que o som que vocês fizeram atravessa gerações?
Baby — O nosso som representa uma verdade, uma maneira de pensar e de viver. Esse som surgiu em um tempo onde não se podia fazer nada, era o tempo da ditadura. Mas nós conseguimos ser livres, morando como irmãos, num Sítio em Jacarepaguá, e não olhamos para o presente, mas sim para o futuro, e acreditamos que a nossa união e a nossa dedicação faria toda a diferença na nossa música e na nossa história. Com Galvão na poesia absorvendo tudo e colocando nas letras, Pepeu e Moraes, Paulinho e eu num entrosamento musical maravilhoso. Isso tudo sem colocar o dinheiro como prioridade, mas sim a arte, a força desse som se tornou uma referenciaque está varando as gerações.
R7 — Vocês acham que teriam feito e experimentado em música como fizeram se o grupo não fosse integrado por tanta gente subversiva?
Baby — Na verdade, isso é o nosso resultado de agirmos como uma família, uma tribo e cheios de respeito uns pelos outros . Tivemos filhos com casamentos baseados no amor, não tínhamos nenhuma transgressão. Apenas estávamos muito à frente daquele tempo. Nos unimos para somar e acabamos multiplicando em melodias, musicas e experiência de vida!
R7 — O retorno, pelo que sei, não foi planejado. Mas por que resolveram voltar e seguir em turnê?
Baby — Nunca planejamos a volta , mas sabíamos que poderia acontecer a qualquer momento. Fomos convidados para a reinauguração da Concha Acústica de Salvador e aceitamos por ter sido ali um dos lugares que fizemos mais shows no início do grupo. E após esse show, recebemos muitos convites e percebemos que chegara a hora de iniciarmos a turnê.
R7 — E o que fez vocês ficarem tanto tempo sem se reunir?
Baby — Paramos porque os filhos começaram a nascer e não dava mais para morarmos juntos sem a grana necessária para criá-los, pois teríamos que ter uma mega estrutura. Então decidimos começar as carreiras individuais para somar e poder criar nossos filhos como eles mereciam. Naquele tempo não havia estrutura no show business para um super grupo.
R7 — Vocês acham que era mais fácil quebrar paradigmas em relação a hoje?
Baby — Na verdade acho que naquela época era mais difícil porque a repressão era muito grande, mas em compensação o desejo de mudar as coisas e transformá-las era muito forte, e creio que isso é a mola mestra para uma mudança. Todos do grupo naquele tempo estavam prontos para fazer isso naturalmente. Era uma consequência da filosofia de vida. O legado que está sendo deixado para as novas gerações trará a possibilidade de enxergar que quebrar paradigmas faz parte da evolução .
R7 — O que exatamente significava juntar rock com samba no Brasil dos anos 1970?
Baby — Significava a ousadia musical absoluta! E só daria certo se fosse feito com muita musicalidade, ritmo, criatividade e muito bom gosto. Também significava que estávamos reencontrando e assumindo a nossa brasilidade sem preconceito, e destruindo a barreira que separavam esses dois estilos. O Rock e o samba não são somente dois estilos musicais, mas também dois estilos de vida, e é nesse momento que eles se encontram e nós sempre tivemos os dois na veia, assim como o chorinho e a bossa nova e o baião.
SERVIÇO
Espaço das Américas - Rua Tagipuru, 795, Barra Funda, São Paulo
Sexta (1), 23h30. Abertura da casa: 21h.

