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Eduardo Araújo lança autobiografia em São Paulo e fala sobre Roberto Carlos: "Sempre foi meio problemático"

Músico ainda comentou a morte de Jerry Adriani

Pop|Talyta Vespa, do R7

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"Você canta bem, Eduardo, só falta um pouco de picaretagem". Foi com esse toque que Wilson Simonal oficialmente se tornou o professor de malandragem de Eduardo Araújo, um dos maiores nomes da jovem guarda. Simonal passou a dividir apartamento com o músico, e pagava o aluguel com aulas de como se tornar um típico cara-de pau. Essa é uma das histórias contidas no livro Pelos Caminhos do Rock, escrito pelo próprio Eduardo e lançado nesta terça-feira (25), na Livraria da Vila, na zona oeste de São Paulo.

Ao R7, o músico contou que não quis que a obra se tornasse uma autobiografia comum, mas que contivesse as melhores histórias que ele tem pra contar — todas relacionadas à cena do rock'n'roll dos anos 1960.


— Esse livro é um compilado de histórias, não só sobre mim mas também sobre todas as pessoas com quem convivi. Ele fala de música e do backstage. Fala o que você não encontra nas revistas. É como um percurso de volta à época da jovem guarda.

Eduardo contou que, quando começou a tocar, não tinha ideia que em algum momento chegaria ao topo das paradas se sucesso:


— A gente era moleque, queria curtir. Queria tocar por prazer, pela diversão que é a vida boêmia de um músico. [Wilson] Simonal, Erasmo [Carlos] e eu não estávamos nem aí para nada... Já o Roberto [Carlos] era diferente: ele queria o sucesso e fazia tudo para chegar a algum lugar. Se preocupava com os mínimos detalhes — que iam desde qualidade de som até a aparência dele. Roberto chegou aonde queria, mas a gente também (risos).

Falando em Roberto, o R7 quis saber:


— O Roberto Carlos sempre foi chatão assim?

(Risos). Não, ele nunca foi chato. O Roberto só é meio problemático quanto às crenças que tem sobre as críticas. Sempre foi assim. Quando você é um artista, está sempre exposto. Algumas coisas não são relevantes a ponto de brigar o tempo todo. Tipo o lance da biografia. Se um cara escrevesse uma biografia não-autorizada sobre mim, eu só me oporia se ele estivesse contando alguma mentira. Caso contrário, deixa o cara...


Parceria com Jerry Adriani

Os olhos castanhos de Eduardo encheram de lágrimas quando o nome de Jerry Adriani foi pronunciado pela primeira vez. Segundo o músico, eles eram como irmãos. O artista morreu no último domingo (23).

— Jerry era meu irmão. Desde a adolescência, era um homem com muita noção de responsabilidade, e ainda assim muito carinhoso com todo mundo.

De repente, o músico abriu um sorriso nostálgico:

— Ele tinha o abraço mais apertado do backstage. Era o típico abraço do Tamanduá. Sempre muito carinhoso, um homem querido entre todos. Que saudade do meu amigo.

Uma vez rock...

Durante o lançamento do livro, Eduardo se dividiu em muitos: falou com a imprensa, com amigos e ainda arrumou detalhes para o pocket show. No meio disso tudo, o artista contou sobre a dificuldade que era levar o rock'n'roll ao mainstream nos anos 1960 no Brasil.

— Viver de música era um desafio. A gente tinha que correr atrás das rádios e tentar convencê-las de que nosso som era bom, vendável. O rock no Brasil não tinha muito espaço.

E aproveitou para dar uma cutucada nos artistas independentes dos dias de hoje:

— Hoje é mais fácil, há diversas formas de se divulgar. O rock só não tem cena hoje no Brasil porque as bandas são egoístas demais. Falta união. Você não vê por aí festivais com várias bandas, como tinha na nossa época. Se isso existisse, com certeza um ajudaria o outro a crescer.

Durante o show, que reuniu alguns dos seus maiores sucessos, Eduardo até esqueceu parte da letra de uma das músicas. Mas o bom humor, ah, esse ele não esquece nunca.

— A gente se acostuma com aqueles painéis em que são projetadas as letras das músicas; quando não tem, olha só no que dá (risos). Aí eu olho pro meu colega do backing vocal para ver se ele me dá um norte, e o cara tá cantando "uhhhh". Assim não dá! (risos).

A banda que acompanhou o cantor durante o evento era a perfeita definição do que é eclético: violino, violão, guitarra, guitarra slide, piano e Eduardo. Do jeito que ele gosta e faz bem: do rock'n'roll à música caipira. Dá jovem guarda aos anos 2010.

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