Edvaldo Santana aposta e acerta em timbres diversos em Só Vou Chegar Mais Tarde, seu oitavo disco
Disco tem pop, acento nordestino e letras espertas sobre rotina, amores e futebol
Pop|Celso Fonseca, do R7

"A arte depura meu esforço”, diz uma das faixas de Só Vou Chegar Mais Tarde, oitavo álbum do cantor e compositor Edvaldo Santana.
Paulistano de São Miguel Paulista, na zona lesta da capital, Edvaldo já foi identificado como uma espécie de bluesman ou soulman dos arredores da paulicéia, pela voz rouca, composições afiadas e uma certa melancolia no violão de aço e na guitarra.
No oitavo álbum ele depura suas intenções e acrescenta timbres jazzísticos – com uma banda recheada de craques capitaneada por Luiz Waack – onde desponta até um washboard - instrumento emblema do jazz tradicional de New Orleans, numa costura que emenda ritmos nordestinos com direito a sanfona arretada, pop deslavado, country, bolero, reggae e samba rock coroados por naipes de metais e muita energia.
Em suma, sonzeira de responsa emoldurando letras espertas de Edvaldo que, sutilmente, tratam do cotidiano abafado pela rotina dos celulares e computadores, de um certo descaso com a afetividade, da necessidade do amor e principalmente do anseio de liberdade.
Ainda faz uma homenagem a altura do talento de Sócrates (o jogador), Quem Joga Fácil Tem o Dom da Rebeldia e aos veteranos alquebrados das peladas na canção Gelo no Joelho.
É assim, a arte cada vez mais depurada e livre de Edvaldo Santana e amigos. Escute e se divirta é música boa para adultos de bom coração e sonhadores.

