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Homenagem a Joãosinho Trinta leva bastidores do Carnaval ao cinema

Com Matheus Nachtergaele no papel principal, filme mostra ascensão do carnavalesco

Pop|Nathalia Ilovatte, do R7

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Matheus no cartaz de Trinta, que estreia nesta quinta (13)
Matheus no cartaz de Trinta, que estreia nesta quinta (13)

Da chegada de João Jorge ao Rio de Janeiro até a abertura dos portões do barracão, para colocar seu primeiro desfile pela Salgueiro na avenida, a história do carnavalesco Joãosinho Trinta é contada pela primeira vez nos cinemas. Protagonizado por Matheus Nachtergaele, Trinta chega nesta quinta-feira (13) aos cinemas e promete emocionar.

O longa é uma homenagem, que acabou se tornando póstuma, ao artista que revolucionou o Carnaval brasileiro. A intenção do diretor Paulo Machline foi contar ao público quem era Joãosinho Trinta fora dos holofotes e, para isso, foi preciso conhecê-lo a fundo. 


Em 2003, Machline se mudou para o barracão da Grande Rio para acompanhar o trabalho dele de perto e documentar suas conversas com o carnavalesco. 

— Eu só não dormia lá, mas na maioria das noites ninguém dormia.


O material virou um documentário, e também ajudou o protagonista Matheus Nachtergaele a entender a identidade e a personalidade de Joãosinho, já que o ator só pode ter um encontro com ele.

— Fiquei muito feliz quando fui convidado a assistir o documentário e já conheci Joana e Matias [Mariani, da Primo Filmes]. Todo mundo estava ali, e vi que o filme estava começando. Joãosinho estava lá e estava feliz, conhecia o projeto, sabia que eu ia interpretá-lo e me deu esse aval de coração. Foi assim que eu fui recebido. Sabendo que meu diretor era um conhecedor profundo do retratado, que aquele filme seria uma homenagem, e depois uma homenagem póstuma. A primeira homenagem do cinema brasileiro.


Trinta mostra o momento em que Joãosinho se torna um carnavalesco, e a oportunidade de comandar o desfile da Salgueiro cai em seu colo. A chance só lhe é dada porque Fernando Pamplona, que até então ocupa o cargo, briga com a diretoria da escola e pede demissão.

No início, Joãosinho hesita, temendo que o amigo Pamplona considere seu novo trabalho uma traição. Foi Pamplona quem viu João no balé do teatro municipal, o ensinou a construir cenários e figurinos e o tornou alegorista da Salgueiro. Mas, diante da insistência da esposa de Pamplona, Zeni, interpretada por Paolla Oliveira, João aceita o cargo.


Quem conheceu o artista no auge da carreira e só o viu explosivo e duro vai descobrir uma outra faceta de Joãosinho. O filme mostra um personagem no início muito contido, aguentando calado todas as humilhações sofridas por ser um bailarino, ou por uma suposta homossexualidade. Só no auge da história Joãosinho explode, farto de toda a pressão e ataques, e começa a gritar palavrões pelo barracão. Tem início aí, e só perto do fim do filme, o Joãosinho que se tornou conhecido nos bastidores do Carnaval do Rio de Janeiro. 

— Tive a oportunidade de trabalhar um Joãosinho que não é aquele que a gente se lembra como uma pessoa muito forte. Meu Joãosinho ainda está se encontrando. 

Ao longo de Trinta, o desfile da Salgueiro vai se construindo, e o público tem a oportunidade de conhecer os bastidores do Carnaval: a apresentação do enredo, a escolha do samba, a montagem dos carros e das fantasias e as batalhas dos egos, resumidas nas sabotagens do personagem Tião, chefe de barracão vivido por Milhem Cortaz.

— Durante 14 anos da minha vida fui Vai Vai em São Paulo, passei por vários cargos, até a parte financeira, então o Carnaval é muito presente na minha vida. O meu grande obstáculo era me transformar numa pessoa carioca, num cara que mora numa comunidade. 

Cortaz faz um antagonista preconceituoso e por vezes covarde, mas fácil de compreender e nutrir simpatia. Quando recebe a notícia da briga de Pamplona com a diretoria, decide que vai assumir o posto de carnavalesco da escola a que dedica sua vida. Por isso, a notícia de Joãosinho no cargo faz com que se sinta traído.

— Ele faz parte daquela comunidade, doa a vida inteira, o valor da vida dele é o Carnaval, e no momento em que pode ser ele trazem uma pessoa de fora. Ele se sente traído, mas também não vai embora. Ele permanece naquele lugar porque acredita no Carnaval, tanto que no final ele ajuda a reconstruir o carro e isso faz o olho dele brilhar.

Milhem se refere ao momento em que um incêndio destrói um dos carros alegóricos, a menos de uma semana do desfile. É nesse momento que toda a escola deixa as diferenças para trás e se reúne para reconstruir o que o fogo estragou e fazer do desfile um dos mais importantes na história da Salgueiro.

Trinta mistura realidade e ficção, já que Joãosinho passou por alguns incêndios em barracões mas nenhum deles aconteceu a três dias do primeiro desfile. Mas a intenção do filme não é, em momento algum, ser documental. O longa de Paulo Machline quer - e consegue - homenagear Joãosinho Trinta com uma obra comovente e encantadora, que mostra a dimensão do trabalho do carnavalesco e reafirma por que o Carnaval brasileiro é o maior espetáculo a céu aberto do mundo.

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