"Mensageiros do povo": poetas satíricos de Mianmar miram censura
Pop|Do R7
Por Thu Thu Aung
YANGON (Reuters) - Em uma sala de aula no subúrbio da maior cidade de Mianmar, um magro estudante universitário usando óculos liderou uma dúzia de colegas com cantos entusiasmados de "Censura é uma vergonha!" e "Não acreditamos em censura!".
Foi o ensaio final de um grupo apresentando "thangyat", uma tradição centenária que permite a sátira de governantes e da sociedade durante as celebrações de Ano Novo que começou neste sábado.
A tradição, que traz uma mistura de comédia e poesia de slam com tambores, gerou controvérsias neste ano, com trupes de Yangon, a capital comercial, afirmando que o primeiro governo democrata em 50 anos os forçou a submeter letras a um painel de censura.
"Fundamos o thangyat para servir como mensageiros do povo ao governo", disse o estudante Thant Zin, de 20 anos.
"Por que eles não se atrevem a ouvir o povo, estudantes do país?", acrescentou Aung Min Thu, de 23 anos, que ajudou a organizar a trupe.
A questão levantou debates nas redes sociais e ressalta os limites impostos por Mianmar à liberdade de expressão sob o governo da ganhadora do Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, um ano antes das eleições previstas para 2020.
Um porta-voz do partido de Suu Kyi, a Liga Nacional pela Democracia, disse que os limites ao thangyat eram "temporários" à medida que Mianmar caminha em direção à democracia.
(Por Thu Thu Aung; Reportagem adicional de Zaw Naing Oo)

