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Rapper Emicida prepara livro sobre sucesso empresarial na cena independente

Obra vai contar história do selo e loja virtual criada com o irmão

Pop|Juca Guimarães, do R7

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O rapper Emicida cresceu na zona Norte de São Paulo
O rapper Emicida cresceu na zona Norte de São Paulo

Emicida é um criador inquieto. A música é o seu ganha-pão principal, porém, o interesse por outras expressões artísticas está crescendo. Na lista de projetos futuros está um livro contando a história do Laboratório Fantasma, empresa criada junto com o irmão e empresário Evandro Fióti e que hoje é um exemplo de sucesso na música independente.

"O Evandro me intimou a escrever essa história. Contar como começamos e como chegamos até aqui. Será uma narrativa das nossas experiências, baseada nas minhas memórias", disse.


Em 2009, a empresa surgiu com o lançamento da primeira mixtape (compilação de singles) "Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida, Até Que Cheguei Longe", que era vendida nos shows e pela internet. Em pouco tempo se transformou em marca de roupa e loja virtual. Além de vender os shows do rapper, a Laboratório Fantasma também agenciou outros artistas, criando uma referência importante na música independente. Eles começaram vendendo cópias do single "Triunfo", de mão em mão, por R$ 2. Com disposição e faro para os negócios, os irmãos vendiam até duas mil cópias por mês. O dinheiro era usado para manter a carreira do rapper, que naquela época era uma lenda nas batalhas de rimas (freestyle) e fazer mais CDs para vender. 

Mais do que uma empresa, a Laboratório Fantasma virou uma família onde todos compartilham o amor pela música e por mudanças de paradigmas. Graças a criatividade e desempenho dos colaboradores, a Lab, como é carinhosamente chamada, consegui abrir muitas portas para o hip-hip brasileiro.


Um dos artista da casa, o multi-instrumentista Rael vai lançar um álbum financiado pelo projeto Natural Musical. Em abril, sai o disco de estreia do Fióti, com composições próprias e releituras de clássicos do jazz. Outro integrante do time é o rapper Kamau, uma das figuras mais importantes do rap. 

A independência gerada pela empresa garantiu ao Emicida a liberdade criativa necessária para álbuns inovadores. "Tento ser um artista diferente a cada projeto. Quero explorar outras possibilidades sem ficar preso a nada", disse. 


Os estudos de técnica vocal estão ajudando a ampliar as possibilidade de composição. "Tenho estudado muito. Quero me ver mais como instrumentista dentro do que faço. Tenho aprendido outras coisas com a técnica vocal e, por isso, me dedicado a outros tipos de composição, usando outras partes do corpo, usar o improviso, usar onomatopeia, a voz que vem do peito e vai para a cabeça de um jeito novo. Até então, eu só sabia fazer o que faço de um jeito. Isso é uma limitação. Me vejo muito como um jazzista".

História em quadrinhos


E por falar em jazz, Emicida está empolgado com a versão em quadrinhos da biografia do saxofonista John Coltrane, feita pelo italiano Paolo Parisi e lançada no Brasil pela editora Veneta. As histórias em quadrinhos estão no foco do músico que tem interesse em publicar uma graphic novel no ano que vem. 

"Quero voltar a desenhar e escrever uma história em quadrinhos. A música surgiu para mim como um plano B. Minha primeira vocação mesmo foi o desenho. Queria ir para os EUA e criar personagens para Marvel. Vi o filme do Deadpool esta semana e morri de inveja dos meus colegas desenhistas", afirmou o rapper que desenha desde criança.

Indiretamente, os quadrinhos influenciam as composições do músico desde o início da carreira e a opção pelo hip-hop. "Os quadrinhos me mostraram o prazer de contar uma história. É muito louco, porque que me deu a importância da representatividade foi Will Eisner, que é um desenhista judeu. Era de se esperar que o despertar da representatividade tivesse vindo do Martin Luther King, do Malcom X, mas não. Eu achei tão bonito a forma como o Eisner descrevia o cotidiano do povo judeu construindo Nova Iorque, que eu senti falta de ter alguém contando a nossa história desse jeito, então eu me interessei em saber mais sobre mim", afirmou.

África

O álbum "Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, lançado no ano passado faz parte de um projeto que inclui o documentário "Sobre Noiz", gravado em Cabo Verde e Angola.

"Visitar a África foi como montar uma peça de um quebra-cabeça. Para nós, afrodescendentes, há uma importância, há uma relevância muito grande nessa viagem. É a mesma coisa, por exemplo, que um descente de espanhol deve sentir quando vai para a Espanha. É um passo importante na construção humana dele. Para mim, visitar a África foi um história de autoconhecimento, não foi só ir lá para gravar um disco. Foi uma experiência humana incrível".

Caetano Veloso

Emicida contou com a participação do Caetano no último CD
Emicida contou com a participação do Caetano no último CD

A música "Baiana", um dos sucessos do álbum, não estava nos planos de entrar no disco. O Emicida compôs a canção como um estudo para testar outras linguagens. Quando mostrou para o irmão, a resposta foi instantânea. A música teria que entrar no disco e com a participação especial do Caetano. 

A princípio, Emicida ficou com um pé atrás para convidar o Caetano. Na mixtape de 2009, o rapper gravou uma música chamada "Outras Palavras" que tinha samples da canção "Outras Palavras", do Caetanos. "Picotamos a música dele sem pedir autorização. Eu sempre achei que ele fosse ficar bravo. Mas foi uma surpresa, porque ele gostou. A nossa versão fez ele se lembrar do dia a gravação da versão original, das meninas cantando o refrão. Me senti abençoado", disse. O caso ficou resolvido e a música tem então duas versões excelentes.

Resolvido o mal-estar sobre "Outras Palavras", chegou o momento de mostrar a música "Baiana" e o convite para a participação."Quando o Caetano ouviu a música, ele abriu um sorriso, que mesmo que ele disse que não ia participar eu já ia ter ficado feliz porque ele gostou e ficou feliz. Ele sacou as referências. Ele disse que viu na música a Bahia com profundidade", relembra.

Racismo

O combate ao racismo e ao preconceito, em todas as suas formas, é um tema sempre presente na pauta de interesses do rapper. Quando o goleiro Aranha foi chamado de macaco por torcedores do Grêmio, em 2014, o rapper que é torcedor do Santos deu uma das respostas mais contundentes sobre o caso. Ele declarou que chamar um negro de macaco é inadmissível porque é uma forma de tirar a humanidade da pessoa. 

Em músicas, videoclipes e entrevistas, o rapper sempre põe a discussão sobre o preconceito em destaque. "A gente vai precisar de muita gente expondo o seu desconforto para mudar alguma coisa. Acho que estamos criando um hábito bacana de falar sobre o que é desconfortável, o que até então não era comum. A gente levava para casa e reclamava só para os nosso. Hoje, principalmente por causa das redes sociais, as pessoas tem gritado para o mundo. forçando respostas imediatas. Esse tipo de desconforto pode gerar uma pressão que vai conduzir a gente para um futuro positivo", disse.

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