Relembre como a música foi afetada com ataques às Torres Gêmeas
Há 18 anos, atos terroristas promovidos por Osama Bin Laden em Nova York também mudavam os rumos da indústria fonográfica
Pop|Helder Maldonado, do R7

Impossível esquecer: na manhã de 11 de setembro de 2001, dois aviões comerciais colidiram contra o World Trade Center, em Nova York, um terceiro tentou atingir a sede do Pentágono, em Arlington (Virgínia), e um quarto caiu em uma plantação de Shanksville, na Pensilvânia.
O ataque simultâneo arquitetado pela organização fundamentalista islâmica al-Qaeda, liderada então por Osama Bin Laden, vitimou quase 3 mil pessoas de 70 nacionalidades diferentes e chocou o mundo.
Mas além dos óbitos, destruição e trauma que gerou para a sociedade norte-americana, a ofensiva também criou problemas colaterais e afetou inclusive a produção musical da época.
Muitos artistas foram afetados instantaneamente e precisaram mudar capas, letras, cancelar divulgações de singles e lançamento de discos para não serem mal interpretados.

O caso mais marcante fica por conta do duo de rap The Coup, que coincidentemente havia divulgado em junho a capa do CD Party Music, que mostrava as Torres Gêmeas em chamas. Como o álbum só sairia em novembro, houve tempo para mudar a arte da capa, que saiu com a foto de uma taça de martini em chamas.
Apesar disso, a banda foi criticada pela imprensa, principalmente por não excluir a música 5 Million Ways to Kill a CEO (5 Milhões de Maneiras de Matar um CEO) do repertório e melindrar a classe empresarial, que foi uma das principais vítimas do incidente que fez as duas torres do World Trade Center caírem.
O Dream Theater também alterou a capa de Live Scenes From New York, cuja arte original mostrava a cidade em chamas.

Na época, o Hollywood Reporter observou que mais de 150 músicas foram consideradas "liricamente questionáveis" pela gerência da central de rádio Clear Channel. A lista, abrangente, abordava tudo, de Knockin 'on Heaven's Door (Batendo na Porta do Céu) de Dylan a Crash Into Me (Colisão Dentro de Mim), ambas de Bob Dylan.
Apesar do momento delicado, a lista foi considerada exagerada. Posteriormente, a empresa esclareceu que tratava-se apenas de um "memorando bem-intencionado". Algumas músicas foram mesmo vetadas das programações de emissoras naquele momento, mas não todas as indicadas.

11 de setembro de 2001 também foi o dia escolhido para o lançamento de três dos discos mais importantes a sair naquele mês: The Blueprint, de Jay-Z, Glitter, de Mariah Carey, e Love and Theft, de Bob Dylan. Isso não afetou o bom desempenho que viriam a ter nas paradas.
Já o Strokes precisou fazer uma mudança na lista de músicas do primeiro disco, o aclamado Is This It. A música New York City Cops, que criticava as autoridades da cidade, foi removida, pois naquele momento bombeiros e policiais se transformaram em figuras inquestionáveis. No lugar, a banda inseriu When It Started na versão americana do álbum.
Jimmy Eat World, que tinha lançado o disco Bleed American (Americano Sangra), usou só o nome da banda para nomear o trabalho.
O single When The World Ends (Quando o Mundo Termina), da Dave Matthews Band, sofreu boicote do próprio grupo, que pediu que as rádios deixassem de tocar a música.
Posteriormente, várias composições em homenagem à cidade e às vítimas foram gravadas. Apesar de ter sido gravada antes dos ataques, Song For The Lonely, de Cher, foi lançada só depois e dedicada ao acontecimento.
Nunca lançada oficialmente, a música What More Can I Give, de Michael Jackson, foi interpretada pelo cantor em outubro daquele ano em um evento beneficente em homenagem ao 11 de setembro.
Em novembro, foi a vez de Paul McCartney lançar Freedom, com o mesmo propósito. Já Wu Tang Clan lançou Rules, no fim de 2001.
No ano seguinte, Bruce Springsteen colocou no mercado o disco The Rising, que discute o caso em todas as faixas. Em 2003, o Eagles lançou Hole In The World. Em 2008, foi a vez de Sheryl Crow gravar Out of Our Head, que fala da coragem dos americanos na época, mas ao mesmo tempo critica a abordagem sensacionalista do então presidente George Bush sobre a tragédia.
Uma das mais marcantes e famosas, contudo, é Empire State of Mind, de Alicia Keys e Jay-Z, que saiu em 2009. Embora não seja apenas sobre o caso, cita os ataques, é um grande sucesso comercial. Já a mais recente fica por conta de Real Life, do Imagine Dragons, que saiu no ano passado.

