‘O Filho de Mil Homens’ traduz de forma doce e delicada a obra-prima de Valter Hugo Mãe
Filme leva para as telas um dos livros mais famosos do escritor português

O diretor Daniel Rezende conseguiu uma proeza: transportar para a tela todo o lirismo de O Filho de Mil Homens, obra-prima do escritor português Valter Hugo Mãe. O resultado é um filme delicado, doce e potente, que merecia ter passado uma temporada no cinema antes de sua estreia no streaming na última quarta-feira (19).
O longa conta a história de Crisóstomo (Rodrigo Santoro), um pescador solitário que, aos 40 anos, quer ter um filho. O sonho se concretiza quando aparece Camilo (Miguel Martines), um menino que acaba de ficar órfão.
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A situação fica mais complexa quando a dupla conhece o casal Isaura (Rebeca Jamir) e Antonino (Johnny Massaro). São quatro almas atormentadas, repletas de traumas, que enfim podem ter encontrado um caminho para felicidade em uma família pouco convencional.
Rezende trabalha a solidão dos personagens com imensa sensibilidade. É uma relação de carinho como a que eles buscam na tela, apesar de toda a violência que sofreram. E o diretor tem a ajuda fundamental do elenco para conseguir isso.
O quarteto principal do filme está afiadíssimo. Santoro navega muito bem entre a ingenuidade e a esperança, sem nunca ser caricato. Massaro é uma força da natureza ao exalar fragilidade. Rebeca é o porto seguro da história. E o garoto Miguel esbanja carisma em seu primeiro papel no cinema.
O filme mostra que, aos 50 anos, Rezende é um diretor cada vez mais maduro após os sucessos de Bingo: O Rei das Manhãs, Turma da Mônica: Laços e Turma da Mônica: Lições.
Em O Filho de Mil Homens, ele aproveita muito bem o dinheiro que a Netflix, produtora do filme, investiu na obra. O longa visualmente é belíssimo, o que tornaria a experiência na sala de cinema ainda mais arrebatadora.
Falta, entretanto, um pouquinho mais de consistência no ritmo, já que Crisóstomo e Camilo ficam fora da tela por um bom tempo. E a inclusão de elementos mágicos não parece ser bem encaixada na história.
Mas nada que derrube a qualidade do filme. O Filho de Mil Homens ganha o jogo com sutileza, com a sinceridade estampada em cada olhar e em cada cena. É um daqueles trabalhos que deixam você com um quentinho no coração por muito tempo.
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