De Bad Banny a Secos & Molhados: a atitude em forma de arte
Grupo setecentista de rock exaltou a latinidade e afrontou os costumes

O assunto mais falado no mundo inteiro nesta semana é Bad Bunny, o artista porto-riquenho que fez história ao se apresentar no Super Bowl no último domingo, o evento de maior audiência nos Estados Unidos.
O convite para tocar lá por si só já é um reconhecimento de que o artista está no topo da preferência musical – confirmada pelos números nos streamings. Mas ele foi além, transformando o palco em um discurso exaltando o “ser latino americano” em tempos que as terras da América do Norte insistem em afirmar que estão acima de tudo e de todos (e não só geograficamente falando), que o ultranacionalismo está na moda, os imigrantes são “raças inferiores” e o conservadorismo é a bola da vez.
“A América não é um país, é um continente inteiro”, disse o cantor em sua língua nativa, sem se curvar à língua inglesa e ao que pensa aquele país.
Brasil, anos 70. O regime militar entrava em uma década cada vez mais dura, caçando quem não concordassem com as suas ideias, aquelas que em algum grau poderiam bater de frente do que chamavam de bons costumes e que poderiam, de alguma forma, discutir o seu poder.
Em um tempo em que as músicas com louvor ao orgulho de ser brasileiro eram “necessárias”, um grupo de rock ganhou o público com atitudes não recomendadas. Era a banda Secos & Molhados, estampa em todas as vitrines de lojas de discos com seus rostos pintados em uma bandeja servidos em uma mesa. Homem com rosto pintado? A afronta era tanta que até mesmo dentro da banda essa atitude fez com que um dos integrantes caísse fora antes do disco chegar às lojas.
Tinha mais: o vocalista não escondia sua androgenia. Ele enchia o rosto e o corpo de purpurina, ornamentava-se com pena de pavão e saia rodada. Tinha voz aguda e rebolava em cima do palco como ninguém. Diferente de tudo que um “pai de família” sonhava para seu filho.
E mais: as letras não falavam de um sujeito que queria ser o bom, ter um calhambeque e mil garotas ou lutar no Vietnã, carregado de armas e com amor aos Beatles e aos Rolling Stones. Esse sujeito exaltava a sua latinidade, assim como Bad Bunner.
“Os ventos do norte não movem moinhos. O que me resta é só um gemido. Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos. Meu sangue latino. Minh’alma cativa. Rompi tratados, traí os ritos. Quebrei a lança, lancei no espaço. Um grito, um desabafo. E o que me importa é não estar vencido”, ecoa até hoje a voz de Ney Matogrosso na canção Sangue Latino, composta por João Ricardo e Paulinho Mendonça.
Não é de hoje que os latinos buscam defender suas raízes. Não é pecado nascer ao sul do Equador. Não é desumano ser apenas um rapaz latino americano. A arte vem para nos mostrar que não somos vira-latas de ninguém. Afinal: somos loucos por ti, América (continente)!
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