Novo festival traz dinossauro da Cogumelo e a nova geração do metal mineiro
Witchhammer toca neste domingo no Red Fest, festival organizado banda Tantum, em BH
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A Witchhammer, um dos primeiros nomes gravados pelo selo Cogumelo Records, chega como headliner da primeira edição do Red Fest, festival organizado pela banda Tantum e marcado para este domingo, 30 de novembro, no Caverna Rock Pub. O evento conta com seis atrações da cena underground mineira, entrada solidária e a arrecadação destinada à Casa Tina Martins, instituição que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica.
O Red Fest é um festival independente criado pela própria Tantum, com o objetivo de conectar diferentes gerações do metal mineiro, além de promover a causa social. A programação começa às 15h.
O Headliner fica com a banda Witchhammer. Formada em 1986, ela integra o núcleo inicial do thrash mineiro ao lado de Sepultura, Sarcófago, Chakal, Mutilator e Holocausto, tendo participado da coletânea Warfare Noise II (1987) e lançado o álbum The First And The Last (1988) pelo selo que se tornaria referência no metal extremo*.
A importância da Witchhammer no metal mineiro reside no fato de ter sido uma das primeiras formações locais a registrar profissionalmente o thrash metal, influenciando diretamente a linguagem sonora que caracterizaria Belo Horizonte como a capital brasileira do black metal nos anos 1980 e 1990. Sua presença ativa até hoje, mesmo com o hiato, com participações recentes em compilações da Cogumelo, mantém viva a memória prática daquele período.
A banda de heavy metal e hard rock Tantum é a responsável pela organização. Formada em novembro de 2019, ela lançou seu primeiro trabalho Turning Tables (2022). Mais recentemente, lançaram o EP Red Flag (2024), com a divulgação da canção On The Road em performance no YouTube.
As outras bandas do line-up são todas formadas mais recentemente: Old Audrey’s Funeral (2017), The Harpia (2021), Cadaveric Remains (2025) e Morto (2020). O Red Fest oferece uma oportunidade transgeracional dentro do metal mineiro: em um mesmo palco, o público assiste a uma banda que gravou no auge da Cogumelo nos anos 1980 e, logo em seguida, formações que nasceram já na era do streaming e das redes sociais. Esse encontro direto reforça a transmissão prática de técnicas, contatos e espaços que mantém a cena ativa há quase quatro décadas.

“Esse é o primeiro festival que estamos fazendo. Primeiro tem o lance da causa, da Casa Tina Martins, onde todas as bandas têm a causa em comum. Segundo, são bandas diversificadas entre públicos, gostos e faixas etárias. Na hora de escolhê-las, pensamos nesta diversidade. Mesmo porque, no fim, entre os nossos subgêneros, a ideia é mesmo a união dos diversos públicos do metal de Belo Horizonte”, conta a organizadora do evento, a vocalista Chervona.
Enquanto gêneros como hard rock clássico, punk melódico e rock alternativo dos anos 1990 e 2000 perderam força de renovação no Brasil, o metal segue funcionando como o principal motor que mantém o rock vivo. Ele se divide em múltiplos afluentes — thrash, death, doom, heavy tradicional — que continuam atraindo novos músicos, gerando novas bandas e ocupando casas de show regularmente, algo que poucos outros estilos do rock conseguem sustentar com a mesma intensidade.
Witchhammer
A Witchhammer surge no contexto da efervescência do thrash metal em Belo Horizonte nos anos 1980, período em que o selo Cogumelo, fundado em 1980 por João Eduardo Faria Filho e Creusa Pereira de Faria, registrava as primeiras expressões do metal brasileiro. A banda, composta inicialmente por Casito no vocal e baixo, Paulo Caetano na guitarra e vocal, Rogério Sena na guitarra solo e Alfredo Malagoli na bateria, contribuiu para a coletânea Warfare Noise II em 1987, com faixas como “Weekend In Auschwitz” e “Degradation Process”. Seu álbum de estreia, The First And The Last, saiu em 1988. Prato cheio pra quem curte Slayer e Exodus.
Após hiato entre 1995 e 2001, a Witchhammer retomou atividades com álbuns como Ode To Death em 2006, mantendo a formação clássica. Recentemente incluída na compilação Halloween da Cogumelo Records de 2025, com a faixa “Dartherium”, a banda demonstra continuidade em um circuito que valoriza gravações analógicas e produções independentes.
No Red Fest, sua posição permite uma transição entre o metal histórico e contemporâneo, onde o som cru dos anos 1980 dialoga com formações mais recentes, evidenciando como Belo Horizonte sustenta uma linhagem sonora que evolui sem romper com raízes e novas bandas de heavy / glam metal que surgem na cena.
Serviço: Red Fest #1
Data: 30 de novembro de 2025 (domingo)
Local: Caverna Rock Pub – Rua dos Tupis, 1666 – Barro Preto, Belo Horizonte
Abertura: 14h |
Primeiro show: 15h
Ingresso: R$ 25 (meia solidária) + 1kg de alimento não perecível
Arrecadação destinada à Casa Tina Martins
*Metal extremo é um jeito preguiçoso para englobar o death metal, black metal, tharash metal. Minha vó chamaria de barra pesada. Mas ela nunca escutou minha banda. Ela poderia achar glam rock “meio demais”. Extremo não seria de extremista, mas sim de extremamente pesado, como um brutal goregrind. Ainda assim, tento evitar usar esse termo “metal extremo”.
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