Simples e simplesmente fantástico: ‘John, Yoko e Eu’ é um lamento alcoólico dos Velhas Virgens
Single da banda paulista foi lançado 8 dezembro, 45 anos depois do assassinato do cantor John Lennon

8 de dezembro de 1980. Ele queria ser importante, justificou, o homem que entrou para a história, principalmente da música. Não por uma canção, ou por um solo impactante. Mas, também tão estrondoso, pelo assassinato com uma arma calibre .38 em frente ao prédio Dakota. Assim morreu John Lennon.
45 anos depois, a banda Velhas Virgens lançou o single John, Yoko e Eu, uma homenagem escrita pelo vocalista Paulo de Carvalho ao ex-integrante dos Beatles.
Neste ano de 2025 a banda independente de São Paulo já lançou três trabalhos: Geração Fofa, Eu sou o Bar e Merda do Caralho. Todos fazem parte do seu 20º álbum de estúdio, quando celebram 40 anos de carreira, e planejam divulgar 40 músicas inéditas entre 2025 e 2026.
As três seguem a identidade, mesmo que em uma perspectiva mais envelhecida, da mesma banda que compôs Abre essas Pernas, Beijos de Corpos e a Última Partida do Bilhar.
Em um passado recente, a banda já flertou com a sua interpretação com o carnaval (projeto paralelo consistindo em um bloco de carnaval de rock que mistura marchinhas clássicas com a sonoridade e as letras irreverentes do grupo).
Em contraste com suas letras, o Velhas Virgens já demonstrou sua sensibilidade em sua carreira , ao interpretar obras clássicas, como Retalhos de Cetim (de Benito de Paula) e Deslizes (de Fagner).
Mas aqui, em John, Yoko e Eu, a banda chega em outro patamar.
Simples e Simplesmente Fantástico
Um lamento alcoólico. Um momento sóbrio de um bêbado chato. Sim. Porque quando bebemos, somos chatos. Agimos como um velho virgem, como um personagem de Abre essas Pernas, Toda Puta Mora Longe ou outros clássicos da banda.
Não é uma corrida contra o tempo pela virilidade eterna de um homem envelhecido que teme esconder seus cabelos brancos ou a calvice. Aqui, se dá a outra face.
O rock é um bom whisky. Envelhecido, mas nada sofisticado. Para um músico junker (que bebe da garrafa sem copo), envelhecer não é um rabisco que se faz ressoar MPB após quarenta anos de carreira. E essa simplicidade de John, Yoko e Eu é simplesmente fantástica.
Ali é um nevoar natalino que transporta Nova York com uma leveza como se lá fosse logo aqui, uma megalópole brasileira como São Paulo.
Um sonho registro em carta. Um sonho que vira pesadelo. Transformando músicas do Beatles como forma melódica de chorar a tragédia. Assim, homenageando a maior das invasões britânicas da humanidade (a maior das revoluções industriais!).
Muitos já tentaram emular Elvis, Beatles e Ramones. Alguns de forma genuinamente criativa e fantástica. Outros não.
Mas aqui não é isso. Não é um pastiche. Não sinto um tributo ou homenagem. Não sinto essa intenção. Sinto um sonho sinestésico, que vira um pesadelo sinfônico melancólico e, simples e genial, beatlemaníaco.
Fantástico. Ainda assim, apesar de toda as manias, ainda acho uma pedra rolando melhor do que um besouro.
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