Estante da Vivi Virginia Woolf autoajuda? Quem posta frases da autora não tem ideia de como ela se matou

Virginia Woolf autoajuda? Quem posta frases da autora não tem ideia de como ela se matou

Escritora britânica nascida no século 19 sofreu abuso, lutou contra depressão e passou a vida se equilibrando no limite da loucura

  • Estante da Vivi | Vivian Masutti, do R7

A escritora britânica Virginia Woolf (1882-1941)

A escritora britânica Virginia Woolf (1882-1941)

Domínio público

"A liberdade é ter tempo para viver.”

“A felicidade é estar sempre em concordância consigo mesma.”

"Eu não acredito em envelhecimento. Eu acredito em alterar para sempre o aspecto de alguém para a luz."

Entra ano, sai ano e as pessoas ficam tentando encontrar uma frase para se identificar e mostrar para os outros nas redes sociais.

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Depois de algumas primaveras bombando entre os pseudocults, as declarações atribuídas à coitada da Clarice Lispector deram lugar a trechos supostamente ditos pela escritora maníaco-depressiva Virginia Woolf — como esses citados aí acima.

Nicole Kidman como Virginia Woolf no filme 'As Horas'

Nicole Kidman como Virginia Woolf no filme 'As Horas'

Divulgação

Só que, no afã de se apropriar do pensamento existencial alheio, internautas se esquecem de dar um Google e descobrir que a autora de Orlando (1928) e Mrs. Dalloway (1925) era maníaco-depressiva e tinha uma vida pessoal lastimável, que começou com orfandade, passou pelo abuso dos irmãos na infância, evoluiu para internações em clínicas psiquiátricas e culminou no seu suicídio, aos 59 anos, em 28 de março de 1941.

Suas principais obras retratavam justamente isso: uma intensidade poética inebriante, captada de acontecimentos em princípio banais, a partir da técnica do fluxo de consciência — com a qual ela se tornou a maior romancista lírica de língua inglesa.

Mas esse mergulho de cabeça nas profundezas da alma humana teve um preço alto e levou a escritora a ultrapassar com frequência os limites da loucura.

Em uma das crises, Virginia encheu os bolsos dos casacos de pedras, caminhou para o fundo rio Ouse e se afogou. Seu corpo foi achado boiando, por um grupo de crianças, três semanas depois.

No último bilhete para o marido, Leonard Woolf, ela começou assim:

"Querido, Tenho certeza de que enlouquecerei novamente. E, desta vez, não vou me recuperar."

Assim, caros internautas, talvez a frase que mais represente Virginia para ser postada em seus perfis seja:

"A vida é um sonho. É o despertar que nos mata."

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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