Artistas circenses repudiam comparação com CPI

Classificar CPI da Pandemia como “circo” e as atuações dos senadores como “palhaçada” tem incomodado artistas

Circo não é CPI

Circo não é CPI

Claudio Kirner/Pixabay

“Não admitimos que nosso trabalho árduo seja comparado a essa bandalheira”, afirmou o presidente do Sindicato do Circo, Gerardo Florentino, em uma coletiva de imprensa. O segmento circense entrou em crise desde o início da pandemia, quando os espetáculos foram suspensos em todo o país. Numa tentativa de recuperação, as companhias têm buscado se apresentar em municípios onde as restrições estão mais brandas, mas o retorno não está sendo nada fácil.

Segundo Florentino, as comparações que têm sido feitas entre a CPI da Pandemia e o circo estão atrapalhando os negócios de três formas. A primeira se refere à desmoralização dos artistas que, ao contrário dos membros da CPI, são muito bem treinados e se esmeram em suas apresentações. “Todo artista circense leva uma vida de muitos sacrifícios. Trabalhamos duro e ganhamos pouco. É o nosso objetivo de fazer o público feliz que nos faz continuar”, pondera Florentino e questiona: “o que nossa carreira tem em comum com o que vemos todos os dias nessa CPI?”

O segundo ponto negativo é a apropriação de conteúdo. Florentino alega que os membros da comissão têm se apossado de números tipicamente circenses e, por não estarem aplicando adequadamente, fizeram com que perdessem totalmente a graça. “O número do palhaço surdo sabichão, por exemplo, foi criado por nossos antepassados e está sendo roubado de nós”, acusa Florentino. A esquete é bem simples e, de fato, existe há centenas de anos. Porém, até hoje, as crianças adoram. Nela, o palhaço escolhe uma pessoa da plateia e faz uma pergunta simples, que qualquer um poderia responder. Assim que a pessoa responde, o palhaço finge que não ouviu, caçoa de quem respondeu e, em seguida, dá a mesma resposta. “O ápice do número é quando o palhaço tenta fazer o público de bobo quando, na verdade, o bobo é ele”, revela Florentino.

E o terceiro ponto prejudicial aos negócios do setor é a concorrência desleal. Sobre isso, Florentino faz uma grave denúncia: “Antes do início da CPI, a dupla de palhaços mais famosa do Brasil, Atchim & Espirro, foi acusada injustamente de causar a disseminação da Covid-19 no país. Os artistas, com mais de 35 anos de carreira, foram amplamente perseguidos. Enquanto isso, sem que ninguém percebesse, surgiu outra dupla tentando tomar o seu lugar: Azia & Encalhado, contando com cobertura diária da mídia, coisa que nossa dupla mais representativa nunca teve! É uma injustiça que não pode ficar impune!” Antes de deixar a coletiva, Florentino desabafou: “Nós somos os verdadeiros palhaços e, diferentemente desses impostores, jamais faremos nosso público de palhaço!”

Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser...

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