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Melhor Não Ler

Rato escapa da ratoeira e afirma não ser mais rato

Se um rato ladrão de queijo escapar da ratoeira, ele deixa de ser rato ou deixa de ser ladrão?

Melhor Não Ler|Do R7

Era uma vez um rato. Não um rato qualquer, mas sim, um rato muito esperto que se instalou em uma casa enorme e começou a agir como se fosse o dono. Apossou-se de tudo o que havia nela e convidou seus amigos para administrar os produtos do furto, por serem muitos.

Para que ele e sua corja se mantivessem vivos e atuantes, assaltando a casa a cada dia mais, o roedor distribuía parte do roubo aos gatos e cachorros que lá habitavam. Dessa forma, ele não só conseguiu continuar roubando, mas também obteve a anuência dos habitantes, que se tornaram seus comparsas, defensores e acobertadores de tudo o que ele fazia.

Os donos da casa começaram a sentir falta das coisas que lhes eram subtraídas, mas acreditavam em seus cachorros e gatos quanto estes afirmavam que estava tudo bem, que as coisas estavam por ali mesmo, guardadas em algum lugar, ou que haviam sido emprestadas para algum vizinho necessitado, mas logo estariam de volta.

Depois de alguns anos vendo a casa ser destruída, os donos resolveram investigar o rato e sua quadrilha. Espalharam ratoeiras pela casa, trouxeram outros gatos e cachorros e, nesta operação, conseguiram expulsar uma das ratazanas e alguns camundongos. Mas isso não foi suficiente, pois o rato continuava roubando. Ele havia angariado tantos comparsas, escondidos em cada fresta da casa, que os donos perceberam que sem uma dedetização profissional não dariam conta de limpar a casa de vez.


Ratoeiras não foram suficientes contra o rato ladrão
Ratoeiras não foram suficientes contra o rato ladrão

Profissionais contratados, novas ratoeiras espalhadas e, depois de muito trabalho, uma delas, enfim, o pegou. Preso pelo pescoço, o rato dos ratos fingia inocência e, mesmo capturado, ainda convencia a muitos de que tudo aquilo não passava de uma grande injustiça.

Ocorre que, de tanto desgastar a ratoeira, a mola da engenhoca começou a afrouxar e, passado algum tempo, ele conseguiu se livrar dela. Uma vez livre, ele e seus comparsas passaram a falar mal da ratoeira, de quem a armou e de toda a operação. Com sua lábia sem igual, o rato convenceu muita gente de que, além de não ser ladrão, ele nem sequer era um rato. Encantadas com seu discursos, as pessoas viam um rato, viam as provas de que roubou muito, e até sentiam na pele as consequências do roubo, mas preferiam crer na história que ele repetia sem parar. Sim, as pessoas amam histórias e muitas se deixam levar por qualquer um que saiba contar uma das boas.


Mas um movimento crescente tem atrapalhado a linda fábula do rato, pois estão querendo trazer realidade à fantasia. Uns estraga-prazeres, claro. O movimento declara que o fato de a ratoeira ter falhado não faz com que o rato deixe de ser rato nem o exime de ser um ladrão. Enquanto isso, a casa está dividida: uns não acreditam que foram enganados por tanto tempo, outros até acreditam, mas têm vergonha de confessar que apoiaram um rato tão sujo e vil e, por último, vêm aqueles que já não querem mais se enganar nem permitir que o rato ladrão retorne à casa.

Dentro de alguns meses, todos os habitantes da casa terão oportunidade de escolher se querem o retorno do rato ladrão ou se vão expulsá-lo de vez. Logo mais saberemos se os moradores se renderão aos devaneios do roedor ou se a realidade de que ratos nunca deixam de ser ratos vencerá a fantasia.

Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser…

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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