Vigilância e transparência dentro dos pet shops, enquanto há sigilo absoluto nas escolas
Enquanto querem monitorar banho de cachorro ao vivo, a educação das crianças não pode ser vista pelos pais
Melhor Não Ler|Do R7

É o Brasil avançando rumo à transparência! Ao menos quando o assunto é banho e tosa. Bora pra pérola do dia...
O Projeto de Lei 8442/17, da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, estabelece que pet shops deverão instalar câmeras em todos os ambientes, arquivar as imagens por seis meses, além de transmitir os atendimentos ao vivo pela internet.
Nada mais justo, né? Afinal, o tutor tem o direito inalienável de acompanhar, em tempo real, cada movimento da tesoura ao redor de seu lulu da pomerânia.
Enquanto isso, nas escolas, temos o exato oposto: filmar aulas é proibido, alunos não podem portar celulares em sala e qualquer tentativa de registro audiovisual do ambiente escolar é tratada como ameaça à ordem pedagógica, à autoridade docente e, se possível, à democracia.
O que acontece na sala de aula deve permanecer envolto em um manto de opacidade pedagógica. É o que se chama de “transparência fluida”.
O contraste é pedagógico por si só. O yorkshire deve ser observado, gravado, arquivado e revisitado em alta definição por seis meses, caso haja dúvida sobre o uso excessivo do secador em seu sedoso pelo. Já um aluno não pode registrar o que vê, ouve ou aprende.
Para o cão, auditoria permanente. Para a criança, sigilo litúrgico. Afinal, ninguém quer que a educação seja submetida a olhares externos que possam gerar perguntas incômodas.
A mensagem implícita da legislação é nítida e cristalina: o serviço prestado ao animal deve ser plenamente rastreável, já o serviço prestado ao cidadão em formação deve ser irremediavelmente insondável.
Se algo der errado no pet shop, as imagens estarão lá. Se algo der errado na escola, contente-se com a versão oficial, aquela que é cuidadosamente mediada por circulares e reuniões a portas fechadas.
Mas não se preocupe, pois o problema nunca é estrutural, e sim, sempre um “caso isolado”.
Assim, seguimos aperfeiçoando nossas prioridades civilizatórias: nenhum poodle pode ser ensaboado fora do protocolo, mas o que acontece com as crianças e adolescentes na sala de aula não merece todo esse zelo técnico e legislativo.
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