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Em ‘Meu Remédio’, Mouhamed Harfouch mostra que aceitar quem somos pode ser cura

Peça autobiográfica mistura humor, memórias familiares e cultura árabe para refletir sobre identidade e pertencimento

R7 Teatro|Maria Cunha

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O espetáculo "Meu Remédio" de Mouhamed Harfouch explora temas de identidade e pertencimento através de memórias pessoais e humor.
  • A peça, que encerra sua temporada no Teatro Santos Augusta, já conquistou prêmios importantes como o Prêmio FITA e o Prêmio Arcanjo de Cultura.
  • Harfouch utiliza música e elementos cenográficos para enriquecer sua narrativa, abordando suas origens árabes e portuguesas com leveza e emoção.
  • A interpretação dinâmica do ator, que dá vida a diferentes personagens, garante momentos de comédia e reflexão, encerrando o espetáculo com um impacto emocional forte.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mouhamed Harfouch em 'Meu Remédio' Divulgação/Claudia Ribeiro

A busca por identidade muitas vezes começa pelo nome, pela família e pelas histórias que carregamos sem perceber. É desse ponto que parte Meu Remédio, solo em que Mouhamed Harfouch transforma memórias pessoais e heranças familiares em matéria-prima para o teatro.

Depois de passar por Juiz de Fora, cumprir uma longa temporada no Rio de Janeiro e conquistar o público em São Paulo, o espetáculo chegou ao seu último fim de semana no Teatro Santos Augusta, encerrando mais um ciclo de apresentações.


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Com direção de João Fonseca, a montagem também acumula reconhecimento da crítica: venceu o Prêmio FITA na categoria Melhor Dramaturgia, além de receber indicações para Melhor Direção e Melhor Ator, e conquistou ainda o Prêmio Arcanjo de Cultura na categoria Teatro Solo.

Escrita, produzida e estrelada por Harfouch, a peça leva ao palco uma história profundamente pessoal. No monólogo, o ator revisita suas origens familiares, a herança síria do lado paterno e a ascendência portuguesa da família materna, além dos caminhos que o levaram à aceitação de sua própria identidade. O resultado é um espetáculo que equilibra humor, memória e emoção sem perder a leveza.


Desde os primeiros minutos, Harfouch demonstra um domínio impressionante do palco. Sua presença cênica contagia a plateia, que rapidamente se vê envolvida pela narrativa e curiosa para acompanhar cada novo episódio de sua história. A condução do monólogo é marcada por um ritmo ágil e por uma naturalidade que faz parecer que o público está ouvindo confidências de um velho amigo.

Em um primeiro momento, o uso do violão pode causar estranhamento, como se o recurso musical surgisse de forma inesperada. No entanto, à medida que o espetáculo avança, as canções encontram seu lugar dentro da dramaturgia e passam a funcionar como extensões do humor e da narrativa. As músicas ampliam o tom afetivo do relato e ajudam a pontuar situações cômicas.


O riso, aliás, é constante. Harfouch constrói momentos de comédia a partir de lembranças familiares, encontros e situações do cotidiano, mas o espetáculo nunca se limita à piada. Aos poucos, a montagem revela uma camada mais sensível ao abordar algo aparentemente simples, mas cada vez mais necessário: a importância de aceitar aquilo que nos torna diferentes.

Nesse sentido, os elementos cenográficos cumprem um papel fundamental. Fotografias, objetos e até alimentos surgem em cena como extensões da memória, ajudando a materializar histórias que poderiam permanecer apenas no campo da palavra.


Há momentos em que o próprio Harfouch se emociona ao revisitar determinadas passagens de sua trajetória, e essa vulnerabilidade reforça o caráter íntimo da peça. Ao mesmo tempo, o espetáculo funciona quase como uma pequena aula sobre cultura árabe apresentada de forma acessível e bem-humorada, ainda que em alguns trechos a repetição de certas ideias torne o ritmo ligeiramente irregular.

O grande trunfo da montagem, porém, está no trabalho de interpretação. Assumindo sozinho a responsabilidade de conduzir a história, Harfouch encara o desafio do monólogo com segurança. Ao longo da peça, ele dá vida a diferentes personagens de sua família e de seu círculo de convivência, alternando vozes, gestos e posturas corporais com precisão. O resultado é um jogo cênico dinâmico, em que o ator se destaca especialmente pelo uso da comédia física.

O desfecho surge como um verdadeiro espetáculo à parte. Há uma sensação de que toda a estrutura da montagem caminha para esse momento final, talvez até de maneira um pouco calculada demais. Ainda assim, o impacto emocional funciona e encerra a experiência com intensidade.

Entre risos e memórias, Meu Remédio transforma a trajetória pessoal de Mouhamed Harfouch em um encontro afetuoso com o público. Mais do que narrar a própria história, o ator utiliza suas experiências para provocar uma reflexão sobre pertencimento, identidade e aceitação, temas que, tratados com humor e honestidade, encontram eco imediato na plateia.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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