Memórias e humor mudam a forma de registrar o gosto dos alimentos
Em palestra realizada no 1º Fórum Mundial sobre Umami, cientistas discutiram os componentes essenciais da formação do gosto
R7 Receitas|Deborah Bresser, do R7, em Nova York*

Os alimentos carregam lembranças e, muitas vezes, basta uma experiência ruim para que não se chegue nunca mais perto daquele prato, fruta ou doce. Em palestra realizada nesta sexta-feira (21), no 1º Forum Mundial sobre Umami, em Nova York, nos Estados Unidos, o chef e cientista Ali Bouzari apresentou o que considera os oito elementos fundamentais na formação do sabor: água, açúcar, carboidratos, lipídios, proteínas, minerais, gases e calor.
O sabor, segundo o cientista de gastronomia, passa pelo cheiro, gosto, toque, humor, memória, visão e audição. Todos os sentidos se colocam a serviço de criar um registro de cada alimento.
Esse acervo sensorial ganha reforço com o umami. Para Bouzari, não se trata de um gosto exclusivamente japonês. "O Japão foi o cenário onde ele foi encenado, onde apareceu. Umami não é nada fora do normal, apenas mais gosto que se soma ao doce, salgado, azedo e amargo".
De acordo com o professor, o umami também se submete a memórias e humor de quem o consome. Já a gordura, diz ele, não pode ser sentida, não tem gosto.
A apresentação de Bouzari foi um dos encontros realizados no evento, que contou com o chef e apresentador de TV Andrew Zimmern, que conduziu os palestrantes, interagiu com o público e fechou o dia assinando um menu ao lado do chef estrela Michelin Marc Forgione.
Ainda que Bouzari tenha dito que o umami não é so japonês, o professor de história e cultura japonesa da Universidade de Georgetown Jordan Sand levou a plateia a uma viagem pela origem e expansão do umami. Depois de sua descoberta, no início do século 20, pelo cientista japonês Kikunae Ikeda, o gosto se expandiu principalmente para a China, chegando ao Ocidente só por volta dos anos 30.
O caminho do umami esbarrou, mais de uma vez, na má aceitação e compreensão do MSG — que nada mais é o acido glutâmico em forma de cristais. O MSG é produzido por todos os seres vivos e já se sabe que os humanos são capazes de processar a substância. Mas, em 1968, uma publicação científica que ligou o MSG à chamada "síndrome do restaurante chinês", que causaria dores de cabeça e mal estar, colaborou para se criar um pânico no público.
Sarah Lohman, autora de livros sobre a história da gastronomia americana, levantou a questão em sua palestra. Por que os americanos temem o MSG, mas amam o umami? Segundo ela, por que há um desconhecimento de que se trata da mesma coisa. O que induz ao gosto umami é a presenca do MSG, seja nos alimentos in natura ou na forma de cristais de sal.
Lisa Watson, representante da Associação dos produtores de glutamato, reforçou a ideia de que é preciso deixar claro que se trata de um grupo de aminoácidos que é natural para o corpo humano. E os estudos já comprovaram que não há malefício ao consumo. Este ano, o MSG foi tirado da lista de produtos que causam enxaqueca, o que, para os responsáveis, já é uma vitória.
O Fórum Mundial sobre Umami segue nesta sexta-feira (21) com debates sobre os mitos do MSG e degustacões para aprender a identificar o gosto umami.
*A jornalista viajou a convite de Ajinomoto





