Ana Hickmann "adota" cachorrinho em prol de deficientes visuais
Apresentadora do Hoje em Dia fará a socialização de Kyra, filhote de golden retriever que passará por treinamento para ser efetivado como cão-guia
RPet|Isadora Tega, do R7

Ana Hickmann "aumentou" a família em prol de uma causa nobre. A apresentadora do programa Hoje em Dia, da Record TV, conviverá por um ano com Kyra, um filhote de Golden Retriever, para a chamada "socialização", a primeira fase de formação de um cão-guia.
Por meio do Instuto Magnus, uma iniciativa sem fins lucrativos que promove treinamento de cães-guia, Ana e sua família realizarão atividades cotidianas com Kyra, como explica George Harrison, especialista do instituto.
"Esse filhote viverá por um ano na casa da família, que apresentará o cachorro a todos os ambientes sociais, brincará com ele, o fará interagir com outras pessoas e animais e o educará, ensinando o que é pode e não pode, como um cachorro comum".
Após o período de socialização, a apresentadora devolverá o cachorro, que passará pela segunda fase de treinamento para se tornar um cão-guia e, então, ser doado a um cego.
"Eu sempre gostei muito de cães. Saber que eu posso ajudar uma causa tão importante apenas realizando atividades cotidianas com ele me deixa muito feliz. Mais famílias deveriam fazer isso", comemora ela.
Iniciativas como a de Ana Hickmann são de grande importância, pois, atualmente, o Brasil é carente de cães-guia: para cerca de sete milhões de pessoas com deficiência visual, há apenas 160 animais com essa função.
"É muito pouco, por isso estamos trabalhando para reverter esse cenário no País, e toda visibilidade é extremamente positiva", diz George Harrison.
O profissional conversou com o R7 e deu mais detalhes sobre o processo de formação desses animais. Confira a seguir:
R7: Qualquer cachorro, de qualquer raça, pode ser um cão-guia?
George Harrison: Não há uma raça específica, são mais de 30 raças que podem ser usadas. O cachorro deve ter temperamento e tamanho adequados para o trabalho, então não dá para ser um Pinscher, por exeplo, que é um animal de pequeno porte, porque ele guiará uma pessoa. Há cães-guia das raças Labrador, Golden, Pastor Alemão, é preciso que sejam cachorros de médio a grande porte. Mas há exceções: vamos supor que eu consiga, por exemplo, um Rottweiller. Por mais que ele seja manso, o visual dele assusta. Porque as pessoas têm aquela visão de cão de guarda. De acordo com o senso coletivo, do que as pessoas têm como ideia um cão bravo, a gente fica meio preocupado.
R7: Quais são as etapas de treinamento de um cão-guia? Quanto tempo leva a preparação?
George Harrison: Começamos escolhendo o filhote. Primeiro analisamos o pai e a mãe dele, o temperamento deles, a parte física. Depois, vemos o filhote em si, fazemos testes para ver a aptidão do cão para a função. É aí que vem a parte da socialização. Depois da socialização, vem o treinamento especifico, que é como usar o aparelho de guiar etc. E aí então vem a fase de adaptação com o deficiente visual. Todo o processo dura cerca de dois anos.
R7: Quais os critérios para uma pessoa ou família fazer a socialização?
George Harrison: Primeiro, a pessoa tem que querer ajudar e fazer o bem. Segundo, ela precisa ter disponibilidade de tempo. Precisa ter tempo, porque o cachorro não pode ficar o dia todo sozinho. Aí, as pessoas se inscrevem, mandam uma ficha, e nós fazemos uma pré-filtragem. Nós ligamos para os que têm o perfil e depois marcamos uma entrevista presencial para explicar tudo e tirar as duvidas. Muita gente tem medo da questão do apego... têm medo de se apegar ao animal e não querer devolvê-lo. Mas essas pessoas têm que pensar que ser um meio de mudar a vida de um deficiente visual não tem preço. Quando você ve alguém com um cachorro que foi você que socializou, isso não tem preço.
R7: Como as pessoas com deficiência visual têm acesso a um cão-guia?
George Harrison: Se inscrevendo nas instituições, que, em épocas de entrega, doam os cachorros a eles. Mas, assim como há a entrevista com as famílias socializadoras, há também com os deficientes visuais. Se aprovados, eles recebem os cães.
R7:Muitos deficientes visuais não possuem cão-guia. Por que esse animal é necessário?
George Harrison: O cão-guia é mais uma forma de mobilidade, ele te dá mais velocidade, se comparado à bengala. Mas acredito que o maior ganho está além disso: é um ganho social. As pessoas acabam se aproximando do deficiente visual e perguntam do cachorro, sem contar o lado emocional. É o que a gente ouve de quem tem o cão. São ganhos que não são mensurados em termos técnicos.















