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Cães sabem se estamos felizes, tristes ou assustados apenas por nossas expressões, sugere estudo

Rostos felizes aumentam a atividade cerebral em áreas associadas ao processamento cognitivo e recompensa nos animais

RPet|Lianne Kolirin, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo revela que cães conseguem perceber emoções humanas como felicidade, tristeza, raiva e medo através de expressões faciais.
  • Pesquisadores escanearam cérebros de cães e descobriram que rostos humanos felizes aumentam a atividade em áreas cerebrais associadas a recompensas.
  • O estudo envolveu cães de raças específicas, como border collies, labrador e golden retriever, e destacou a importância da domesticação nas habilidades sociais dos cães.
  • Os cientistas planejam aprofundar a pesquisa para entender como os cães utilizam sinais emocionais para compreender os humanos e explorar diferenças entre raças.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Cães de diferentes raças podem ter variações na interpretação de expressões faciais Laura V. Cuaya via CNN Newsource

É algo que todo tutor de cachorro sabe — mas agora temos a ciência para comprovar: os cães realmente conseguem perceber quando estamos felizes ou tristes.

Cientistas escanearam o cérebro de cães para revelar como eles processam várias expressões humanas, incluindo felicidade, tristeza, raiva e medo, de acordo com um estudo publicado na segunda-feira (7) no periódico iScience.


Os exames, realizados por uma equipe da Universidade de Viena, mostram como o cérebro dos animais responde de maneira diferente dependendo da expressão que os humanos demonstram.

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A autora sênior do estudo, Laura Cuaya, explicou suas descobertas em um comunicado à imprensa publicado no site da universidade. “Quando comparamos humanos com primatas, estamos olhando para habilidades que podem ter vindo de um ancestral comum”, disse ela.


“Com os cães, a história é totalmente diferente. Eles seguiram um caminho evolutivo muito diferente, mas, por meio da domesticação, desenvolveram as habilidades sociais necessárias para nos compreender e cooperar conosco.”

Os pesquisadores escanearam o cérebro de oito cães — seis border collies, um labrador e um golden retriever — enquanto mostravam a eles imagens de estranhos com uma expressão feliz ou neutra.


As fotos de rostos felizes aumentaram a atividade nas partes do cérebro associadas ao processamento cognitivo superior e de recompensa: o córtex temporal e o núcleo caudado.

“Isso sugere que rostos humanos felizes podem ter um significado emocional para os cães”, disse Cuaya, que começou a pesquisa na UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México) e mais tarde a expandiu por meio de uma colaboração na Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, antes de se mudar para a capital austríaca.


Em seguida, os pesquisadores queriam saber se as mesmas áreas do cérebro dos cães responderiam a outras emoções. Eles mostraram a 12 cães fotos de pessoas sentindo felicidade, raiva, medo ou tristeza e usaram aprendizado de máquina para analisar a atividade cerebral deles.

Mas o cérebro dos cães não respondeu da mesma forma às expressões de raiva, medo ou tristeza como respondeu à felicidade. No entanto, uma análise de todo o cérebro mostrou padrões distintos de atividade quando os cães viram rostos exibindo emoções negativas.

“Os humanos são muito bons em captar pequenos detalhes no rosto, e os cães também”, disse o primeiro autor Raúl Hernández-Pérez, também da Universidade de Viena. “Isso torna os cães muito interessantes. Ao estudar o cérebro deles, podemos entender quais adaptações se desenvolveram para apoiar essa notável compreensão social e emocional dos humanos.”

Cuaya e Hernández-Pérez são parceiros tanto na vida pessoal quanto na profissional e têm dois cães, Odin e Kun-kun, que fizeram parte deste estudo.

Hernández-Pérez disse à CNN Internacional que “descobrir que o núcleo caudado estava envolvido no processamento de rostos felizes foi uma boa surpresa”, acrescentando: “Em várias espécies, essa região tem sido associada ao processamento de recompensas. Especificamente em cães, a atividade do caudado foi ligada a recompensas alimentares, mas também a recompensas sociais, como ouvir palavras de elogio e perceber o odor de uma pessoa familiar.”

“Embora não possamos acessar diretamente a experiência subjetiva dos cães, nossos resultados sugerem que ver rostos felizes, mesmo os de estranhos, envolve um processamento afetivo positivo.”

A equipe enfatizou que a forma como os cães processam as emoções vai além de olhar para uma imagem de uma expressão facial estática, pois eles levam em consideração outros fatores, como a linguagem corporal do humano, a voz e o cheiro. Eles disseram que também é importante notar que os cães envolvidos na pesquisa eram todos de lares amorosos. Aqueles que vivem na rua podem ter uma maneira completamente diferente de processar os sinais humanos.

Hernández-Pérez disse à CNN Internacional que os cães tiveram que ser especialmente selecionados e treinados para participar. “Os cães precisavam ser de porte médio, principalmente por causa das dimensões do equipamento de ressonância magnética, saudáveis e sem problemas comportamentais, como um medo excessivo de sons altos”, disse ele.

“Primeiro ensinamos aos cães que a tarefa é simplesmente permanecer imóveis, começando com apenas um ou dois segundos e aumentando lentamente a duração. Na verdade, uma das partes mais desafiadoras é comunicar ao cão que ‘não fazer nada’ é realmente a tarefa. Depois, introduzimos gradualmente os diferentes elementos do ambiente de RM, incluindo a posição, o equipamento e os sons do scanner. Os cães sempre participam voluntariamente e podem sair a qualquer momento.”

A pesquisa teve várias limitações, segundo os autores. O número de cães envolvidos no estudo foi pequeno e a maioria dos cães eram border collies, uma raça inteligente e conhecida por sua capacidade de seguir sinais sociais.

“É possível que os border collies tenham uma capacidade maior de interpretar expressões faciais humanas, e estudos futuros são necessários para determinar se existem diferenças comportamentais e cerebrais na percepção de expressões faciais humanas entre diferentes raças”, afirmou o estudo.

Os cientistas agora esperam adotar uma abordagem “mais focada no cão” em suas pesquisas, a fim de entender como os cães usam esses sinais para compreender os humanos.

Hernández-Pérez disse à CNN Internacional: “Ao refletir sobre como os cães são notavelmente atentos às nossas emoções, também podemos tentar melhorar no reconhecimento de como eles expressam as suas próprias. As emoções são uma forma poderosa de comunicação que pode nos conectar através das espécies.”

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