Cientista desenvolve cães geneticamente modificados que não afetam sua alergia
Dois cachorros da raça beagle não possuem a proteína causadora de sintomas alérgicos na saliva ou na pele
RPet|Do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O geneticista Matt Walker alterou o DNA de cães para eliminar reações de alergia em pessoas, situação que o próprio cientista enfrenta no contato com animais. Assim nasceram Bailey e Alfie, filhotes da raça beagle que não possuem a proteína causadora de sintomas alérgicos na saliva ou na pele.
Ele utilizou a técnica CRISPR, que recebeu o Prêmio Nobel em 2020 pelas cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna. Esse método de modificação permite realizar cortes, edições, remoções ou adições de sequências de DNA no genoma de seres vivos. O procedimento apresenta precisão e rapidez na manipulação do material genético em laboratório. Antes dessa tecnologia, pesquisadores realizaram tentativas com clonagem, que geraram animais com problemas de saúde.
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No caso dos beagles, o processo começou em laboratório com a edição do código em células da pele. Pesquisadores desativaram o gene de produção da proteína de alergia e transferiram o material para óvulos. Em seguida, ocorreu a implantação em uma fêmea que deu à luz filhotes em setembro de 2024. Análises de acompanhamento confirmaram a falta da substância no pelo e na saliva, segundo reportagem da agência de notícias AP.
Walker realizou testes na pele para verificar o efeito da modificação. Ele aplicou extratos de saliva e de caspa de Bailey e Alfie e não apresentou reações. O procedimento com material de cães de outras raças gerou sintomas no geneticista. Atualmente, Bailey mora com Walker em Nova York, enquanto Alfie vive com um cientista na Flórida.
A criação de animais com alterações genéticas desperta discussões entre especialistas e filósofos. Ao site italiano Fanpage, o etólogo Roberto Marchesini questionou a transformação de seres vivos em “produtos sob medida”. Segundo ele, existe o receio de que a preferência por cães com edição reduza a busca por animais em abrigos. Além disso, Marchesini defendeu que a ciência deveria avaliar as consequências da alteração do genoma para a saúde dos bichos com o passar dos anos.
A empresa Kindred Companion Sciences, da qual Walker faz parte, planeja aplicar a técnica em outras raças e em animais de serviço. Walker afirma que a desativação do gene tem ocorrência na natureza, o que reduziria riscos para a saúde dos filhotes. Bailey e Alfie serão observados ao longo dos anos com consultas periódicas.
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