Você e seu cachorro precisam mesmo andar grudados um no outro? Entenda porque o comando junto pode arruinar o seu passeio
Para além da rigidez militar: entenda como focar no bem-estar do pet e dar mais liberdade na guia pode transformar a rotina e acalmar o animal
RPet|Do R7

Alguns cães possuem o hábito de puxar a guia durante o passeio por acreditarem que são os líderes da matilha, conduzindo as voltas de acordo com a sua própria velocidade e intensidade. Muitos tutores se incomodam com essa dinâmica e se queixam de que o passeio acaba virando um verdadeiro cabo de guerra.
Diante disso, muitos acreditam que a solução ideal é forçar o cachorro a caminhar rigidamente alinhado à perna, usando o clássico comando ‘junto’.
No entanto, essa busca por um controle absoluto pode ser justamente o que está prejudicando a qualidade do passeio. Em vídeo recente, gravado durante uma viagem pela Europa, o adestrador Marcelo MestreDog propõe uma grande virada nessa abordagem tradicional.
Segundo ele, a ideia de que o cão deve andar em uma marcha perfeita tem raízes no adestramento militar e utilidade em competições, mas não atende às necessidades reais do animal no dia a dia das famílias.
Ao observar a cultura sinófila europeia, o especialista percebeu que o segredo para cães 100% calmos e não reativos nas ruas é, na verdade, dar mais autonomia a eles.
O que a cultura europeia ensina sobre os cães?
Ao visitar países com uma cultura de convivência canina mais avançada, MestreDog relatou ter ficado surpreso ao ver que a maioria esmagadora dos cães caminhava de forma extremamente tranquila em vias movimentadas e shoppings, sem o uso de enforcadores ou guias unificadas. Quase todos usavam peitorais e guias longas.
A grande diferença, segundo o adestrador, é que nesses locais “o passeio é do cachorro”. Em vez de o tutor ditar um ritmo acelerado e rígido de deslocamento, ele permite que o pet pare, explore o ambiente e use o faro.
É essa liberdade controlada que estimula a mente do cão, reduz a ansiedade e faz com que ele caminhe relaxado, sem a necessidade de correções físicas severas.
Como aplicar as técnicas na prática:
Passeio focado no cão: Entenda o passeio como um momento do animal. Permita que ele explore os cheiros do caminho, pois o estímulo olfativo é o que realmente cansa e acalma o pet.
Equipamentos mais leves: Sempre que possível, priorize o uso de peitorais e guias longas em vez de ferramentas de alta pressão mecânica, como enforcadores ou guias muito curtas.
Constância acumulativa: Não espere resultados imediatos. Na Europa, os cães são integrados à rotina urbana todos os dias; o bom comportamento na guia é fruto de um hábito diário e repetitivo.
Socialização desde cedo: Introduza o filhote à rotina das ruas de forma segura assim que possível. Quanto antes o animal se acostumar com os estímulos do mundo exterior (barulhos, pessoas e outros cães), menos reativo ele será no futuro.
Marcelo MestreDog reforça que cães com problemas graves de reatividade ainda precisam de treinos específicos e ferramentas adequadas. Mas, para a grande maioria dos pets e filhotes, o segredo é bem mais simples: uma rotina constante de passeios livres e prazerosos é o suficiente para evitar que esses problemas apareçam e para garantir o bem-estar do animal.
Assista à aula completa!
Confira o vídeo de Marcelo MestreDog e aprenda na prática como mudar a sua postura na guia para garantir um passeio muito mais leve e feliz para você e seu cão.
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