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Valor sentimental é vencedor do Oscar de filme internacional e explora dramas familiares

Obra norueguesa de Joachim Trier evita melodrama e foca na humanidade

Vanity Brasil|Do R7

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Créditos: Imagem/Divulgação Vanity Brasil - Entretenimento

O filme “Valor Sentimental”, obra norueguesa premiada com o Oscar de Melhor Filme Internacional, destaca-se por sua abordagem única ao drama familiar. A produção, considerada uma evolução na sensibilidade do cineasta dinamarquês Joachim Trier, consegue extrair beleza da humanidade real por trás de complicações domésticas, sem recorrer a melodramas.

A obra marca um reencontro entre Joachim Trier e a atriz Renate Reinsve, com quem já havia colaborado no aclamado “A Pior Pessoa do Mundo” (2022). “Valor Sentimental” aprofunda a exploração iniciada nesse trabalho anterior, focando no lado humano de tragédias cotidianas e consolidando a visão artística do diretor sobre as complexidades das relações.


O roteiro, assinado por Trier e Eskil Vogt, parceiro de longa data do diretor, apresenta inicialmente a trama de um diretor veterano egocêntrico (interpretado por Stellan Skarsgård) que escala uma estrela americana (Elle Fanning) para seu provável último filme, após a recusa de sua própria filha atriz (Renate Reinsve). Contudo, a narrativa vai além dessa premissa comercial, desdobrando-se no impacto em cascata de traumas familiares que moldam diferentes gerações.

Ao adotar múltiplos pontos de vista, o filme analisa a fundo as relações e os momentos cruciais de cada personagem, transformando episódios particulares em experiências universalmente ressonantes. Esse feito é alcançado sem apelar para o sentimentalismo, mantendo uma leveza surreal enquanto ainda consegue comover, um mérito atribuído especialmente às atuações notáveis do elenco. A performance sutil de Renate Reinsve, em particular, eleva-a à elite da atuação mundial, complementada pelas interpretações impecáveis de Stellan Skarsgård, Elle Fanning e a revelação Inga Ibsdotter Lilleaas.


O peso das atuações é quase integral para “Valor Sentimental”, que é menos operático que o indicado ao Oscar “A Pior Pessoa do Mundo”. Renate Reinsve, que já havia demonstrado um talento ímpar para personagens complexos em trabalhos anteriores de Trier, supera um novo desafio ao equilibrar a balança cênica com Stellan Skarsgård, que aos 74 anos, entrega uma performance de destaque.

Um dos aspectos mais notáveis é a atuação de Inga Ibsdotter Lilleaas. Com calma e frieza, ela emerge como a responsável pelo maior impacto emocional da trama, revelando ao público a verdadeira essência da história. Enquanto os conflitos de um grande diretor com seu ego e sua filha parecem a narrativa principal, o filme, como um Cavalo de Troia, carrega em seu interior a profunda relação entre duas irmãs que precisaram contar uma com a outra a vida inteira, especialmente para lidar com a ausência e o comportamento do pai narcisista.

Dessa forma, “Valor Sentimental” consegue abordar dramas familiares de maneira profunda e envolvente, sem cair no sentimentalismo barato comum a outras obras do gênero. A produção abraça as expectativas para utilizá-las como plataforma para ir além, encontrando a beleza genuína na experiência humana.

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