Logo R7.com
RecordPlus
R7 VIRTZ
‌

Canadense demitido por se negar a matar ursinhos vence na Justiça

Batalha judicial teve início em 2015. Agente público abateu a fêmea, mas foi dispensado por poupar dois filhotes. Com a vitória, pedirá emprego de volta

Virtz|Eduardo Marini, do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Ambientalistas denunciam abate de milhares de ursos pretos no Canadá
Ambientalistas denunciam abate de milhares de ursos pretos no Canadá

O agente ambiental canadense Bryce Casavant teve a primeira vitória contra o poder público numa longa batalha judicial que vem gerando polêmica e debate em seu país nos últimos cinco anos.

Casavant foi enviado, em 2015, a um parque turístico que recebe barracas e trailers nos arredores de Porty Hardy, em British Columbia, com a ordem de abater uma fêmea de urso negro que retirava carne e salmão de geladeiras e revirava lixos na região.

‌

Chegado lá, descobriu que a fêmea estava com dois filhotes. De acordo com a polícia local, Casavant matou a mãe a tiros mas poupou os filhotes, convencido pelos moradores locais de que eles não participavam dos assaltos a geladeiras e lixos protagonizados pela mamãe.

“Em vez de cumprir a ordem de extermínio, ele levou os filhotes a um veterinário, que os avaliou e os transferiu para um centro de recuperação em North Island", diz um registro do processo judicial. Os funcionários do centro devolveram os dois ursinhos à natureza.

‌

Por não ter feito o “serviço completo”, que incluiria o “extermínio” dos dois filhotes, Casavant foi suspenso e, em seguida, demitido. O agente iniciou sua luta judicial em 2015 contra governos de duas províncias e até seu próprio sindicato.

Foi derrotado em instâncias iniciais, apresentou recursos e, nesta semana, teve o primeiro parecer a seu favor dado pela Corte de Apelações de British Columbia.

‌

“Sinto que as nuvens negras que pairaram por anos sobre mim e meus familiares começam, finalmente, a se dissipar”, declarou um aliviado Casavant a Leyland Cecco, do jornal britânico The Guardian. “Mas a alegria ainda não é completa: minha demissão jamais deveria ter ocorrido”.

A decisão da corte de apelações não obriga a readmissão imediata, mas o agente e seus defensores estão certos de que ela será determinada em pouco tempo nos próximos recursos.

‌

“Continuei lutando para limpar meu nome. Sempre defendi o serviço público, a honra e a integridade. Assim fui criado e criei minha filha”, acrescenta Casavant. “Fui alvo de uma decisão injusta”.

No início de 2020, ambientalistas da região protestaram contra a ordem de abate de um urso pardo flagrado comendo lixo. Os manifestantes conseguiram que o animal fosse levado para outro local, onde ele acabou sendo abatido a tiros por desconhecidos.

A organização ambiental Pacific Wild, que hoje recebe a colaboração de Casavant, denuncia que mais de 4,5 mil ursos foram mortos por agentes públicos nos últimos oito anos na região, entre eles 4,34 mil pretos.

“A British Columbia não é uma galeria de tiro para funcionários do governo", escreveu Casavant num relatório da Pacific Wild. "Não é razoável acreditar que mais de 4 mil ursos pretos, incluindo filhotes, foram mortos ‘como último recurso’”, acrescentou ele.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.