Por que cientistas estão usando ‘espantalho’ para proteger aves no mar?
Redes de emalhe, usadas na pesca, representam risco elevado porque podem capturar pássaros que mergulham em busca de alimento
Bichos|Do R7
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Pesquisadores testaram uma espécie de “espantalho marinho” capaz de afastar aves de redes de pesca e reduzir a captura acidental desses animais.
O estudo, realizado em águas do sudoeste do Reino Unido e publicado na Society Conservation Biology, avaliou dois dispositivos visuais instalados acima da superfície e encontrou redução significativa na ocorrência de aves presas nas redes.
A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas. Entre as espécies afetadas está o arau-comum (Uria aalge), cuja estimativa é de cerca de 31 mil mortes por ano apenas em águas europeias. Redes de emalhe, usadas na pesca, apresentam risco elevado porque podem capturar aves que mergulham em busca de alimento.
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Para tentar diminuir esse problema, os cientistas avaliaram dois tipos de dispositivos conhecidos como dissuasores visuais acima da água. Um deles é uma boia equipada com elementos que simulam olhos que se aproximam; o outro é uma pipa com aparência de ave de rapina, chamada de “scarybird”.
Teste com mais de mil redes
O experimento foi realizado entre outubro de 2023 e março de 2025. Dez pescadores participaram da pesquisa, com pelo menos sete embarcações monitoradas simultaneamente. Ao todo, 1.057 redes foram acompanhadas por sistemas de monitoramento eletrônico.
Os pesquisadores compararam redes convencionais com aquelas equipadas com os dois tipos de dispositivos. Câmeras, GPS e sensores permitiram acompanhar as operações de pesca e identificar os locais onde ocorreram capturas acidentais.
Durante o estudo, foram registradas 191 capturas acidentais de animais: 153 aves, 25 focas e 13 cetáceos. Entre as aves, o arau-comum representou 42% dos casos, enquanto a torda-mergulheira (Alca torda) correspondeu a 30%.
Os resultados indicaram que os dois dispositivos reduziram a probabilidade de captura de aves do grupo dos alcídeos. Nas redes equipadas com a pipa, a chance de ocorrer uma captura caiu 71%. No caso das boias com “olhos”, a redução foi de 59%.
Quando uma captura acontecia, as boias também apresentavam redução significativa na quantidade de aves capturadas em comparação com as redes sem dispositivos. A redução estimada foi de 68%.
Efeito depende da distância
O estudo também mostrou que a eficácia dos equipamentos varia conforme a distância em relação às redes. No caso das boias, cinco capturas foram registradas a até aproximadamente 7 metros do dispositivo e dez até 15 metros.
Para as pipas, cinco aves foram capturadas a até cerca de 24 metros, enquanto dez ocorreram dentro de uma distância de aproximadamente 33 metros.
Os pesquisadores destacam que o espaçamento entre os dispositivos é importante para evitar áreas sem proteção. No caso das pipas, os resultados indicam que uma distância de 60 a 80 metros entre os equipamentos pode ser uma alternativa para a pesca costeira com redes de emalhe.
A pesquisa também identificou períodos de maior risco. Janeiro e fevereiro apresentaram as maiores médias de captura acidental de aves. O problema foi especialmente associado à pesca de robalo e cavala com redes de malha entre 100 e 110 milímetros.
Para os autores, os resultados indicam que os dispositivos podem ser usados de maneira direcionada, principalmente em épocas e locais com maior concentração de capturas. A estratégia poderia reduzir a necessidade de medidas aplicadas durante todo o ano.
Apesar dos resultados, os pesquisadores afirmam que fatores como vento, profundidade, horário de pesca e possível adaptação das aves aos dispositivos ainda precisam ser estudados. A eficácia também pode variar de acordo com a espécie e as características de cada atividade pesqueira.
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