Cheesecake japonês já é a maior trend gastronômica de 2026
Leve, simples e altamente filmável, a sobremesa japonesa vira fenômeno nas redes sociais e mostra como a internet transforma comida em linguagem social

Se você abriu o Kwai, Instagram ou TikTok nas últimas semanas e não esbarrou em um potinho de “cheesecake japonês”, talvez esteja vivendo offline demais para 2026.
A sobremesa, conhecida oficialmente como soufflé cheesecake, virou a primeira grande trend gastronômica do ano, com milhões de vídeos, versões improvisadas, fãs apaixonados e haters indignados.
Mas como um bolo japonês relativamente discreto saiu das confeitarias de Osaka para dominar os feeds brasileiros? E por que ele viralizou agora, em versões que muitas vezes nem vão ao forno?
Para entender o fenômeno, é preciso voltar no tempo, olhar para o mapa e, claro, observar como a internet transforma comida em comportamento.
O cheesecake japonês surgiu no final dos anos 1960, quando o confeiteiro Tomotaro Kuzuno, após uma viagem à Alemanha, decidiu adaptar o tradicional Käsekuchen ao paladar japonês.
A ideia era simples, mas ousada para a época, com menos açúcar, menos gordura, textura mais leve e uma experiência menos “pesada” ao final da refeição.
O resultado foi um bolo que parece um cruzamento entre cheesecake, pão de ló e suflê. Ele cresce no forno, balança quando sai, e derrete na boca sem deixar aquela sensação de sobremesa excessiva.
No Japão, onde o consumo de doces tende a ser mais contido e menos açucarado, isso fez todo o sentido. O cheesecake japonês virou sucesso em confeitarias, lojas de departamento e, mais tarde, em redes famosas.
Durante décadas, ele ficou ali, elegante, silencioso, respeitado. Até que a internet resolveu descobrir o quanto ele é filmável.
Recentemente, uma imagem viral da TasteAtlas ajudou a colocar o cheesecake japonês em perspectiva global. O infográfico “Cheesecakes of the World” mostra diferentes estilos espalhados pelo planeta, com ingredientes e avaliações médias.
Ali estão:
- Basque Cheesecake, do País Basco, Espanha. Ingredientes principais: cream cheese, ovos, creme de leite, açúcar. Características: queimado por fora, extremamente cremoso por dentro, sem base de biscoito. Intenso, pouco delicado e propositalmente imperfeito.
- Sernik, da Polônia. Ingredientes principais: twaróg (queijo fresco polonês), ovos, manteiga, uvas-passas. Características: mais seco e estruturado, tradicionalmente feito em datas festivas. Tem perfil caseiro e sabor mais lácteo.
- Japanese Cheesecake (Soufflé Cheesecake), do Japão. Ingredientes principais: cream cheese, ovos e leite. Características: levíssimo, aerado, pouco doce e com textura entre bolo e suflê. Cresce no forno e balança ao sair.
- Country-style Cheesecake, dos Estados Unidos. Ingredientes principais: cream cheese, ovos. Características: versão mais simples e rústica do cheesecake americano, menos densa e sem grandes técnicas ou coberturas elaboradas.
- New York-style Cheesecake, dos Estados Unidos. Ingredientes principais: cream cheese, ovos, biscoito tipo graham cracker (base). Características: denso, rico, cremoso e encorpado. É o cheesecake “clássico” mais conhecido no mundo.
- Käsekuchen, da Alemanha. Ingredientes principais: quark (um tipo de queijo), ovos, manteiga, farinha. Características: menos doce que o americano, mais seco e levemente ácido. Inspirou diretamente o cheesecake japonês.
- Topfentorte, da Áustria. Ingredientes principais: quark, ovos, baunilha, raspas de limão. Características: equilibrado, aromático e delicado, com acidez suave e textura intermediária entre bolo e torta.
- Ostkaka, da Suécia. Ingredientes principais: coalhada ou queijo fresco, amêndoas amargas, ovos. Características: tradicional, firme e pouco doce. Costuma ser servido morno, com frutas ou creme.
- Fiadone, da Itália. Ingredientes principais: brocciu (queijo fresco), ovos, raspas cítricas. Características: mais próximo de um bolo de queijo do que de um cheesecake cremoso. Aromático, seco e ligado à tradição regional.

Como muito das coisas que viralizam, o que virou trend no começo deste ano foi uma adaptação radicalmente simplificada da receita, quase uma tradução do conceito do cheesecake japonês. O cheesecake japonês tradicional é assado em banho-maria e cheio de técnica.
A fórmula que tomou conta dos vídeos vai iogurte grego, biscoito (maisena, canela ou speculoos), geladeira, zero forno, zero técnica. Camadas montadas em um copo, algumas horas de espera e pronto. Um doce que lembra mais um pavê, uma sobremesa de domingo, mas com estética de trend. Muitas versões no pote. Eu particularmente prefiro o cheesecake japonês ou o de Nova York.
No Kwai, Bitor Cig e Raissa Calazans são os criadores que puxaram essa onda no Brasil. A partir daí, o algoritmo fez o resto. Não foi só sorte. O “cheesecake japonês” reúne tudo o que uma trend precisa hoje: simplicidade extrema, estética amigável, promessa emocional, narrativa global e dá espaço para adaptação. Quando cada pessoa cria sua versão, a receita vira conversa.
Não por acaso, plataformas de delivery registraram aumento expressivo nas vendas de iogurte grego e biscoitos durante o pico da trend. A internet mexe com comportamento, e comportamento mexe com carrinho de compras.
Como toda tendência viral, o cheesecake japonês também gerou resistência. Puristas reclamam que “isso não é cheesecake”. Confeiteiros lembram que a receita original leva forno, técnica e paciência.
E eles estão certos. Mas talvez esse seja o ponto menos interessante da história. O que viralizou foi uma ideia culinária, com leveza, cremosidade e conforto. A internet não replica pratos, ela replica conceitos.
Assim como o sushi virou hot roll, o ramen virou miojo gourmet e o pão de fermentação natural virou pão de frigideira, o cheesecake japonês virou sobremesa de geladeira. Isso não apaga o original. Apenas cria outra coisa.
O sucesso do cheesecake japonês fala menos sobre Japão e mais sobre o nosso momento. Vivemos uma fase em que receitas precisam caber no tempo do feed, precisam ser acessíveis e saudáveis. É um tempo onde comida vira linguagem social e cozinhar, performance leve, não obrigação.
O cheesecake japonês, nessa versão viral, não exige forno ou técnica. Ele aceita improviso, erro e adaptação. E talvez por isso tenha conquistado tanta gente. Virou referência de leveza, de sobremesa possível, de conforto compartilhável. E comer junto, mesmo que cada um na sua tela. E isso, na cozinha e na cultura, nunca é pouca coisa.
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