Da praia à prateleira, Bianca Coimbra transforma água de coco em negócio
Entre maternidade, varejo e estratégia digital, a fundadora da Lynv mostra que propósito também é gestão
A advogada Bianca Coimbra sentia falta de uma coisa simples quando morou por um ano e meio nos Estados Unidos. Caiçara de Santos, Bianca descobriu que o que mais incomodava não era o clima, nem a distância de casa. Era a dificuldade de encontrar uma água de coco que tivesse gosto de coco de verdade.
“Eu sou apaixonada por água de coco. Consumo no meu dia a dia. E lá fora a gente sentia muita falta de uma que fosse realmente boa, sem gosto de água de caixinha”, contou Bianca Coimbra em entrevista ao R7.
Quem já abriu uma caixinha e sentiu aquele retrogosto estranho entende o que ela quer dizer. No começo, ela mesma não acreditava que fosse possível colocar “coco coco mesmo” dentro de uma embalagem longa vida. Tinha preconceito. Nunca tinha tomado uma de caixinha que realmente gostasse.
Mas a inquietação virou pesquisa. Pesquisa de mercado no Brasil e no mundo. Estudo das categorias. Entendimento técnico. Hoje ela fala com naturalidade sobre os três tipos principais: reconstituída, padronizada e integral. Descobriu que mesmo dentro das integrais há marcas que usam conservantes pouco percebidos pelo consumidor.
A pergunta deixou de ser “por que a água de coco de caixinha tem gosto de caixinha?” e passou a ser: dá para fazer diferente? E foi aí que nasceu a Lynv. A caixinha da Lynv tem só água do coco, sem conservantes, sem açúcar e apenas com adição de vitamina C para preservar o sabor que reflete a pureza do fruto.
A empresa começou quando Bianca já estava de volta ao Brasil. A ideia amadureceu aqui, com estudo, sócio estratégico e investimento inicial de R$ 2 milhões. E ela não vem da indústria de alimentos e bebidas.
Formada em direito, com 12 anos de experiência na creator economy, Bianca construiu sua trajetória na internet, estudando marketing, comunicação e construção de audiência. Seu sócio, por outro lado, vinha da lógica de investimento e startups. “Foi quando a gente juntou a expertise empresarial dele com a minha bagagem de marketing e criação de conteúdo.”
Conseguiram chegar a uma formulação pela qual se apaixonaram: água de coco integral, apenas com adição de vitamina C como antioxidante natural. O coco é produzido no Ceará e o envase também é feito por lá.
Mas havia uma decisão importante ali. Eles não queriam vender apenas uma bebida. Queriam “envasar uma sensação”. A sensação de estar na praia, a leveza, o lifestyle, a saúde. Envasar e vender a ideia de que água de coco não é só hidratação, é estado de espírito.
Daí vieram as cores vibrantes, o nome, o conceito “Live Your Natural Vibe”, ou Lynv, a empresa que tem pouco mais de um ano e meio. Os primeiros oito meses, confessa Bianca, foram exclusivamente de aprendizado.
“Pra mim era só vender para grandes redes. Depois eu entendi que o varejo é um mundo à parte.” Ela descobriu que o cliente não é apenas quem coloca o produto no carrinho. É também o comprador da rede, o distribuidor, o dono da vendinha, o operador logístico. Cada um exige uma estratégia diferente.
Hoje a Lynv está em redes como Pão de Açúcar, Mambo, São Marché, Atacadão, além de marketplaces e aplicativos de entrega. Cresceu no estado de São Paulo e agora expande para o Rio de Janeiro, com novos distribuidores e redes.
O plano de crescimento segue acelerado. A empresa prepara expansão para Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina e tem no radar a entrada nos mercados dos Estados Unidos e da Europa nos próximos dois anos, acompanhando a demanda global por bebidas funcionais naturais.
E o crescimento veio acompanhado de um selo que reforçou a tese de produto. A marca já foi eleita a melhor água de coco integral da prateleira em teste às cegas do Paladar, do Estadão. Para uma empresa no primeiro ano, isso muda o jogo. “Ali a gente entendeu que estava criando algo realmente diferente.”
Se tem um “P” do marketing que pesa mais no faturamento, Bianca não hesita: posicionamento. O produto é a base, mas a forma como ele é comunicado define o alcance. A estratégia não foi escolher um público específico e nichar agressivamente, como muitos gurus recomendam. A decisão foi conversar com todos.
Desde a dona de casa que quer uma água de coco premium, passando pelo jovem do TikTok interessado em bem-estar, pelo consumidor de alto padrão do varejo gourmet ao cliente da vendinha do bairro. Bianca faz na Lynv a pluralidade como estratégia.
No marketing, a aposta é clara e vem da zona de conforto da Bianca: creator economy e comunidade. Sem agência externa, a marca investe em influenciadores, mas também valoriza consumidores reais. Envia produto para quem quer provar. Pede feedback honesto e estimula que falem nas redes. “Quanto mais gente fala, mais gente lembra na hora de passar na gôndola.” É a lógica da memória digital convertida em compra física.
Ao contrário do que muitos imaginam, o maior desafio para Bianca não foi ser mulher jovem numa sala de reunião, embora ela reconheça que chegar delicada, com aparência mais nova, altera a dinâmica.
O desafio maior, segundo ela, é ser mãe empreendedora em um mercado competitivo. “Eu acredito muito no projeto. Mas isso exige abrir mão de momentos. Eu saio de casa cedo, volto tarde, viajo.” A rede de apoio é parte do ecossistema.
Na liderança, ela rejeita o modelo maternal. Não acredita que empresa seja família, mas acredita em ganha-ganha. Todos têm metas. Todas as metas têm recompensa. Transparência total sobre propósito e crescimento.
Metas financeiras, de engajamento, de logística. IA como ferramenta de acompanhamento em um painel visível para todos. E uma convicção forte: se a empresa cresce, o time cresce junto.
Bianca defende que a liderança feminina tende a ser mais horizontal, menos top-down, mais construída em alianças do que em imposição. “Muitas mulheres se limitam pelo que os outros vão pensar. Às vezes nem é alguém distante, é a própria família. Se priorize. Vai com medo mesmo. E, se precisar trocar a roda do carro andando, troca”, ensina Bianca Coimbra.
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