No Brejo Bar, a gestão faz diferença antes mesmo da comida
Comandado por Priscila Continentino e Vanessa Nascimento, bar no Flamengo vira referência de ambiente seguro na gastronomia

Abrir um bar costuma ser associado a longas jornadas, risco financeiro e muita improvisação. No caso de Brejo Bar, recém-inaugurado no Flamengo, a história começa de outro jeito: com afeto, coincidências bem alinhadas e a decisão consciente de duas mulheres de estarem à frente do próprio negócio.
À frente do projeto estão Priscila Continentino e Vanessa Nascimento. Formada em gastronomia, Priscila passou 20 anos trabalhando com produção de eventos corporativos, ocupando cargos de gestão e planejamento. “Trabalhei pouco tempo na gastronomia e migrei para a produção de eventos corporativos grandes. Fiquei anos nessa vida”, conta Priscila.
A gastronomia nunca foi abandonada, apenas ficou em segundo plano. Entre um evento e outro, surgiam jantares, encontros informais e experiências culinárias feitas para amigos. Cozinhar sempre foi, antes de tudo, uma forma de reunir pessoas. “Sempre com a paixão pela gastronomia ainda ali. Em alguns momentos eu fazia jantares, essas coisas de invasão de chef, mas nunca deixei de cozinhar.”
A virada aconteceu quando Priscila e Vanessa receberam a oferta de amigos que estavam passando o ponto de um bar no Flamengo. O endereço ficava a poucos quarteirões da casa delas, perto da escola do filho de Priscila e da rotina familiar. As peças se encaixaram rápido demais para serem ignoradas. O Brejo Bar nasceu ali, quase como uma resposta óbvia.
A transição não foi um salto no escuro. A experiência de Priscila em eventos trouxe habilidades fundamentais para o novo negócio: organização, logística, gestão de equipe e tomada de decisão sob pressão. Além disso, havia repertório de cozinha. Aos 20 anos, ela morou em Nova York, trabalhou como garçonete e ajudante de cozinha, e depois atuou em eventos gastronômicos em hotéis no Brasil.
Essa soma de vivências ajudou a estruturar o bar desde o início. O Brejo não nasce improvisado. Ele nasce planejado, mas sem perder a informalidade que define sua identidade.
Desde a abertura, algo inesperado chamou atenção das sócias: mulheres começaram a procurar o Brejo Bar para trabalhar justamente por ser um bar comandado por mulheres. Muitas vinham de experiências difíceis em cozinhas marcadas por gestões agressivas e ambientes hostis.
A gestão feminina se tornou um diferencial concreto. Não como discurso, mas como prática diária. Hoje, a equipe é majoritariamente feminina, e o bar passou a ser visto como um lugar seguro, de acolhimento e reconstrução profissional.
“Funcionárias nossas falaram que um dos principais motivos para trabalhar com a gente era a gestão feminina.” Muitas vinham de experiências duras. “São mulheres que vieram machucadas de gestões masculinas agressivas, abusivas, dessa cultura antiga da gastronomia.”
O Brejo se define como um espaço sem preconceito, aberto a todas as pessoas. Outro pilar do Brejo Bar é o cardápio pensado para não excluir ninguém. Priscila sempre se incomodou com bares que oferecem poucas ou nenhuma opção decente para vegetarianos e veganos. Essa inquietação virou diretriz.
A cozinha do Brejo carrega escolhas muito pessoais. “Eu sempre me irritei quando ia para bar com amigas vegetarianas ou veganas e elas só conseguiam comer batata frita”, conta Priscila. A resposta veio no cardápio. “Eu queria que não fosse um lugar excludente. Que vegetarianos e veganos tivessem comida gostosa.”
Assim surgem pratos que misturam boteco, técnica e criatividade. O sanduíche de couve-flor grelhada virou símbolo dessa proposta. “É um sanduíche que está fazendo super sucesso entre vegetarianos, veganos e não vegetarianos.” Ao lado dele, aparecem jiló, feijão servido no copo americano, ovos marinados, legumes bem tratados e receitas pensadas para dividir.
O menu mistura referências brasileiras, humor e técnica. Jiló empanado, feijão servido no copo americano, sanduíche de couve-flor grelhada com temperos da casa, pratos com legumes e vegetais tratados como protagonistas. A ideia é simples: todas as pessoas devem conseguir comer bem no mesmo lugar, independentemente de restrições ou escolhas alimentares.
Localizado no Flamengo, o Brejo Bar se conecta à vida do bairro. Calçada cheia, clima de Aterro aos fins de semana, famílias, crianças, pets e grupos de amigos dividindo mesas. O bar é pet friendly, com cardápio para pets, acolhe diferentes gerações e funciona como extensão da casa de quem frequenta.
O nome Brejo carrega essa ideia de pertencimento, de cotidiano compartilhado, de espaço onde todo mundo cabe. Mais do que um destino noturno, o Brejo funciona como extensão da casa. Um lugar para estar, não apenas para consumir.
Drinks autorais e homenagens a mulheres brasileiras
A carta de bebidas é assinada pela mixologista Laura Paravato e traz outro elemento importante do projeto: os drinks homenageiam mulheres icônicas da cultura brasileira. “Os nomes dos drinks são mulheres porque a ideia do bar é enaltecer todas nós e todas que vieram antes.” Clássicos ganham novos nomes, coquetéis autorais reforçam a identidade do bar e cada escolha ajuda a contar uma história.
É uma forma de celebrar quem veio antes e de reforçar o posicionamento do Brejo como um negócio liderado por mulheres, para todas as pessoas.
Priscila admite que não imaginava uma demanda tão alta logo nos primeiros meses. O volume de pessoas, a gestão de fornecedores e a rotina intensa exigem fôlego. O cansaço existe. Mas a sensação de construir algo relevante é maior.
Para ela, falar de empreendedorismo feminino na gastronomia passa por reforçar um ponto essencial: mulheres são plenamente capazes de liderar negócios, gerir equipes e sustentar operações complexas. As qualidades associadas ao feminino, como empatia e escuta, não fragilizam o negócio. Elas fortalecem.
O Brejo Bar é resultado de uma decisão madura, de uma trajetória profissional sólida e da coragem de mudar de rota sem abandonar quem se é. A cozinha afetiva que antes reunia amigos agora se traduz em um bar que acolhe clientes, colaboradores e histórias diferentes todos os dias.
“A gente consegue criar, concretizar muito mais do que fomos criadas para acreditar”, diz Priscila. No Brejo, essa frase deixa de ser conceito e vira prática diária, entre um prato compartilhado, um drink gelado e uma mesa cheia de gente diferente, convivendo no mesmo espaço.
No cenário do empreendedorismo feminino na gastronomia, o Brejo se firma como exemplo de que é possível unir negócio, propósito e comida boa sem perder a essência. E que, às vezes, abrir um bar é menos sobre servir bebidas e mais sobre criar um lugar onde as pessoas se sintam em casa.
Brejo Bar
Endereço: Travessa dos Tamoios, 7, loja E – Flamengo, Rio de Janeiro
Telefone: (11) 97970-0648 (temporário)
Horário de funcionamento: Quarta, quinta e sexta: das 16h à 0h; Sábado: das 12h à 0h; Domingo: das 12h às 23h
Pet friendly
Instagram: @brejobarrj
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